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Correio Braziliense COMPORTAMENTO

Na onda do podcast: conheça mais sobre a ferramenta de áudio

Criada em 2004, a ferramenta on-line se tornou febre apenas mais de uma década depois. Hoje, faz sucesso principalmente entre os jovens, com assuntos atuais


postado em 01/09/2019 08:00 / atualizado em 01/09/2019 17:54

(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
“Eu ouvi em um podcast, dia desses…” É assim que começa muitas das conversas do advogado Lucas Cavalcante, 23 anos. Alguns amigos até fazem graça, mas a quantidade de informação que ele consome por meio dos áudios é realmente impressionante. Vai de conteúdos de direito e de jogos de tabuleiros a notícias, comentários políticos e entretenimento. “É tanta coisa, que eu acabo usando muito em conversas”, alegra-se Lucas.

O formato lembra muito o do rádio, mas o ouvinte tem a liberdade para escolher o tema e o horário, além de poder pausar e voltar a escutar depois de algum tempo. Divulgada em outubro do ano passado, a PodPesquisa, feita pela Associação Brasileira de Podcaster (ABPOD), identificou que essas são algumas das vantagens da plataforma, que lhe rendeu uma vasta audiência.

É certo que, agora, na internet, nem tudo mais é texto, foto e vídeo. E os áudios não se limitam mais à música. Disponíveis desde os anos 2000, é agora que está crescendo realmente a quantidade de programas em áudio e do público que os consome. Segundo o comunicador Alvaro Bufarah Junior, especialista em rádio, o primeiro podcast brasileiro foi ao ar em 2004 e, em 2006, foi criada a ABPOD. “Mas, infelizmente, o mercado teve uma queda e perdeu fôlego, principalmente pela falta de um modelo de monetização para esse formato”, explica.

Mas, segundo a B9, uma das grandes produtoras de podcasts do Brasil, cujo primeiro programa foi lançado em 2006, eles estão voltando a respirar forte, e “2019 é o ano do podcast”. Em maio, eles comemoraram a entrada de Cris Bartis e Ju Wallauer, fundadoras do Mamilos, na empresa. A plataforma delas atinge mais de um milhão de pessoas mensalmente. “Pretendemos provar que o podcast é, de fato, um lugar de informação, companhia e entretenimento com qualidade e profissionalismo”, afirma.

Evidenciando a importância crescente do formato, em 2017, a Apple desenvolveu a Podcast Analytics, uma plataforma específica para avaliar o consumo de podcast a partir do iTunes (seu tocador e indexador de arquivos de áudio), pois precisava de uma maneira melhor de aferir o consumo desse tipo de arquivo, além do número de downloads.

(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Tem cerca de dois anos que Lucas aderiu ao formato, por influência de uma amiga da faculdade. “No início, fui atrás de temas específicos, com conteúdo do direito, e foi isso que me encantou. Depois, fui diversificando e já fiquei viciado”, conta. Ele ouve no carro, no passeio com o cachorro, totalizando mais ou menos duas horas por dia. Mas só se estiver sozinho. Se a mãe ou o irmão o acompanhar em algumas dessas atividades, aí ele vai batendo papo.

Duas horas por dia é pouco comparado com a duração dos arquivos de um dos canais preferidos dele, que faz áudios de até mais de três horas: o Xadrez Verbal, sobre política internacional. Para conseguir esgotar todos os conteúdos, ele recomenda aumentar a velocidade do áudio. “Em geral, eu escuto algum bem denso, indo para o trabalho, e, na volta, algum mais de entretenimento, porque já estou cansado”, explica a rotina.

Lucas não conhece tanta gente que consuma o formato ainda, mas tenta convencer todo mundo. “Meu irmão realmente não curtiu. Minha mãe está começando a ouvir”, orgulha-se.
 
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

Nunca sem fazer nada


Desde que descobriu os podcasts, há mais ou menos um ano, a estudante Nathália Ohofugi, 23, nunca sente que está com tempo ocioso. Com o celular e o fone de ouvido, todo o tempo está se informando, ouvindo algo interessante, aprendendo e se divertindo. “Eu passo quase uma hora no carro todos os dias, por que não fazer nada?”, questiona.

Um dos principais benefícios para ela é se manter informada. “Eu não tenho muito tempo, então, eu ouço e já me oriento”, explica. Comparados com a internet, ela considera os conteúdos dos podcasts muito mais aprofundados. Alguns amigos não se acostumaram com os podcasts, então, ela sabe que nem todos se adaptam, mas, para ela, caiu como uma luva. “Acho que é uma coisa assim: ou você gosta ou não, e pronto. Talvez por ser algo relativamente novo”, comenta.

Ela sente que os podcasts a ajudaram a saber sobre mais assuntos. “Agora, eu sei um pouquinho de tudo; pode ser que não tenha uma opinião superaprofundada, mas eu sei o que está acontecendo na política, na reforma da Previdência e também ouço assuntos variados e polêmicos, como sobre gordofobia e liberdade de expressão”, orgulha-se.

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