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Correio Braziliense NEURôNIOS EM DIA

O otimismo é um ingrediente valioso para ultrapassar os 85 anos de idade

Uma pesquisa recém-publicada por pesquisadores de Boston nos EUA aponta que as pessoas mais felizes têm vidas mais longas


postado em 02/09/2019 17:33

(foto: Divulgação/Ricardo Teixeira)
(foto: Divulgação/Ricardo Teixeira)
Sabemos que pessoas otimistas são mais felizes e uma pesquisa recém-publicada por pesquisadores de Boston nos EUA aponta que elas também têm vida mais longa. Eles acompanharam mais de 70 mil indivíduos por até três décadas e mostraram que, independentemente dos hábitos de vida ou doenças, os otimistas vivem de 11% a 15% mais que os pessimistas e têm 50% a 70% mais chance de alcançar a idade de 85 anos.

Um otimista é aquele que tem expectativa de que coisas boas vão acontecer no futuro e que muita coisa pode ser feita para que essas coisas aconteçam. O interessante é que o grau de otimismo pode ser modificado por meio de técnicas e terapias relativamente simples.   

É fato que os otimistas têm melhores marcadores de saúde. Apresentam menores índices de doença cardiovascular, doenças infecciosas, ansiedade e depressão, e vivem mais quando acometidos por doenças como câncer e Aids. Além disso, já foi demonstrado que pessoas mais otimistas têm maior tendência a assumir hábitos de vida saudáveis. Vale repetir que os resultados do presente estudo mostram que o efeito positivo do otimismo foi independente desses fatores.

Pesquisas apontam que cerca de 80% das pessoas superestimam as chances de eventos positivos quando têm que predizer o futuro. Esse é um fenômeno inerente da natureza humana e é observado independentemente do gênero, da raça, da idade e da nacionalidade. Pesquisas também mostram que as pessoas com quadros depressivos são as únicas que não apresentam essa expectativa otimista superestimada do futuro. Aqueles com um quadro de depressão leve não apresentam expectativas desviadas nem para o lado positivo nem para o negativo. Já aqueles com depressão grave enxergam o futuro de uma forma negativa exagerada.

E por que o ser humano é tão otimista? Uma explicação bem interessante é a de que, ao adquirirmos a consciência sobre o futuro, passamos a conviver de forma mais intensa com a ideia de nossa finitude e nossas fragilidades. Ilusões otimistas criam um equilíbrio para que toda nossa consciência não atrapalhe a dinâmica da vida.
 
 
* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

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