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Correio Braziliense BICHOS

De olho nas alergias

Os pets também podem desenvolver reações alérgicas. Os tutores precisam estar atentos aos sinais e agir rapidamente


postado em 22/09/2019 04:09 / atualizado em 23/09/2019 15:38

John sofreu com diversos episódios de alergia desde pequeno: nova rotina familiar para evitar as crises (foto: Arquivo Pessoal)
John sofreu com diversos episódios de alergia desde pequeno: nova rotina familiar para evitar as crises (foto: Arquivo Pessoal)

Várias pessoas se surpreendem ao saber que pets podem ser vítimas de choques anafiláticos e, assim como os humanos, têm alta probabilidade de sofrer das mais diferentes alergias. Essas reações podem surgir a qualquer momento da vida e exigem rápida ação do tutor.

O médico veterinário Vitor Benigno explica como reconhecer uma crise alérgica grave em pet: “Eles costumam apresentar dificuldade respiratória, inchaço na face e nas vias respiratórias superiores, além de muitas vezes ficar com a língua arroxeada”. Nesses casos, o recomendado é levá-lo ao pronto-socorro veterinário mais próximo.

Nas manifestações menos extremas, o contato com produtos de limpeza, pólen, fumaça, poeira, além de picadas de insetos e carência de sol na pele, é capaz de desencadear dermatites, produção de fungos, mal-estar e insuficiência respiratória leve. O diagnóstico rápido é igualmente importante para evitar piora do quadro.

A convivência diária costuma fazer do animal um verdadeiro membro da família. É comum nos depararmos com situações em que comportamentos humanos são reproduzidos nos bichinhos, mas essa prática está longe de ser saudável. O hábito humano de banho diário, por exemplo, é um dos grandes responsáveis pelas alergias nos pets.

Muitos tutores acreditam que levar ao petshop semanalmente é um bom intervalo para garantir a higiene do animal, mas a médica veterinária Julia Molina indica que banhos de 15 em 15 dias são os mais recomendados para um intervalo saudável ao pelo e à pele do cachorro. “Isso ocorre porque os cães têm uma proteção natural da pele, principalmente pela produção das glândulas sebáceas. Banhos excessivos podem diminuir essa proteção, predispondo a fungos ou bactérias. É importante sempre utilizar os produtos corretos, com pH neutro.”

Nos gatos, o intervalo chega a ser maior, mas engana-se quem pensa que eles não necessitam de banhos. “Os gatos têm filamentos em suas línguas que agem como escovas e possuem hábitos de higiene cotidiana. Entretanto, algumas vezes, pode se fazer necessário o banho, pois eles podem entrar em contato com sujeiras e substâncias que só a lambedura não é capaz de retirar. Esses banhos podem ser feitos a cada cinco ou seis semanas”, explica Julia. Para os felinos, o melhor é acostumá-lo às sessões de lavagens esporádicas desde pequenos para evitar o estresse.

Se notar que o bichinho tem sessões de espirros após o banho, é recomendado suspender os perfumes, trocar os cosméticos ou consultar um especialista.
 
Mais sério do que parece
Por indicações de uma veterinária, o estudante de medicina Alisson Juliani, 22 anos, adotou a prática de banhos duas vezes ao mês no companheiro John, um golden retriever de 7 anos, depois de severos episódios alérgicos assim que ele voltava do petshop. “Desde filhote, o John passava noites se coçando, especialmente nos dias de banho. Era possível ouvir de qualquer quarto da casa as patinhas dele batendo contra o chão enquanto se coçava. A pele também descamava, e ele perdia muito pelo”, lembra.

Além do intervalo maior, foi preciso trocar todos os cosméticos de higiene do cão por fórmulas manipuladas e hipoalergênicas e até os produtos de limpeza de casa, para afastar de vez os incômodos de John. Mas as coceiras não cessaram por completo, e uma intervenção medicamentosa se fez necessária. “Não utilizamos colônias ou outros produtos para o banho nem lavamos os objetos dele com sabão em pó ou amaciante. A ração também foi mudada para uma versão específica para cachorros com essa doença. Porém o quadro persistiu e foi necessário o uso de imunossupressores” explica Alisson.

O que parecia ser a solução de todos os pesadelos causou outro mal ao animal. John passou a sofrer de insuficiência renal devido à quantidade de remédios. O uso foi fundamental para as crises de alergia da época, mas os efeitos colaterais o afetaram de forma substancial. “A medicação atingiu os rins e, hoje, ele é doente renal crônico. O tratamento da alergia mudou (para um medicamento que não causa mal aos rins) e agora ele também trata a doença renal. A questão dos produtos e cuidados se manteve, mas a ração passou a ser a específica para insuficiência renal”.

A família ainda luta para descobrir o alérgeno específico e mantém o cuidado à saúde e a atenção aos sinais de John.

Sintoma comum 
Não há ninguém mais propenso para perceber uma mudança comportamental do pet do que o próprio tutor. Coceiras em regiões atípicas, aumento da lambedura, manchas e até falta de apetite podem ser sinais de que alguma alergia está causando incômodo.

Foi assim que, recentemente, Amanda de Vico, enfermeira, descobriu uma alergia em sua gata, Sininho. Graças aos 13 anos de convivência, ela percebeu rapidamente quando a felina deu sinais de que algo estava errado e procurou ajuda imediatamente. “Semana passada, eu a levei ao veterinário, porque estava se coçando sem parar, fiquei com medo de ser sarna. Fizemos alguns exames, uma raspagem da pele e, a partir dos resultados, começamos o tratamento para alergia com medicamentos. Ainda não descobrimos a causa da doença.” Essa foi a primeira vez que Sininho manifestou um quadro de alergia.

A bombeira e médica veterinária Juliana Molina esclarece que nos gatos esse sintoma específico pode passar despercebido, por isso é necessário atenção aos hábitos dos bichinhos e outros indícios apresentados. “A lambedura é um hábito cotidiano e saudável de higiene deles, entretanto ,se observada em excesso, com perda de pelo no corpo, pode ser um indicativo de uma dermatite.”

Como não são raros os casos da doença nos pets, o profissional consegue rapidamente diagnosticar e orientar quanto ao tratamento. A etapa mais demorada é a seguinte: de investigação para descobrir o que desencadeou a patologia. O médico veterinário especialista em felinos Vítor Benigno alerta que essa é a principal forma de evitar alergias nos pets. “Tem que tentar evitar o contato com o alérgeno, que é o que causará a alergia. No caso dos gatos, fazer um bom controle de ectoparasitas e usar ração adequada pode diminuir bastante a chance de eles apresentarem alergias também.”
 
Sininho manifestou sua primeira alergia aos 13 anos: a doença pode surgir a qualquer momento da vida animal (foto: Arquivo Pessoal)
Sininho manifestou sua primeira alergia aos 13 anos: a doença pode surgir a qualquer momento da vida animal (foto: Arquivo Pessoal)
 
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

Alergia alimentar também é coisa de bicho!
Muito se fala sobre as alergias alimentares humanas, mas você sabia que gatos e cachorros são naturalmente intolerantes à lactose? A médica veterinária Julia Molina explica que isso é consequência das mudanças naturais do organismo.“À medida que eles crescem, diminui a produção de lactase, que é a enzima que digere a lactose.” Quando consome leite ou derivados, o pet sofre com dores na barriga e diarreia. Do mesmo modo, podem surgir alergias aos corantes da ração, à proteína, intolerância ao glúten e a várias outras substâncias presentes na dieta animal. “Nesses casos, os sinais mais comuns são vômito, diarreia e/ou prisão de ventre, fraqueza, dermatites e anemia. Os animais que têm doença celíaca apresentam deficiência na absorção, digestão e aproveitamento dos nutrientes, podendo causar, inclusive, a desnutrição do animal”, completa a veterinária.


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