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Correio Braziliense BICHOS

Educando com respeito: conheça novas técnicas de adestramento

Novas técnicas de adestramento canino valorizam reforços positivos, em vez de punições, e intensificam o engajamento dos tutores no processo


postado em 29/09/2019 04:19 / atualizado em 30/09/2019 15:55

Pipa começou a ser adestrada desde que chegou à nova casa porque a tutora queria garantir o bem-estar de todos(foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
Pipa começou a ser adestrada desde que chegou à nova casa porque a tutora queria garantir o bem-estar de todos (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)

 
Muitos tutores encontram dificuldades na adaptação do cão ao lar: é xixi e cocô pela casa, meias destruídas, sapatos roídos. A esperança é o adestramento. Especialistas, no entanto, enfatizam que ele não exclui a atenção diária que deve ser dada ao pet. Os momentos de recreação do cachorro são indispensáveis para a saúde e para a criação do vínculo com o tutor.

Mais do que ensinar truques, o adestrador comportamentalista Darwin Souza explica que o adestramento é um processo educacional em que o profissional procura entender os objetivos e as necessidades da família, que vai, então, descobrir uma forma melhor de se comunicar com o novo residente da casa.

Nenhuma família ou animal de estimação é igual, ainda que a raça seja a mesma. Portanto, no processo de adestramento, é necessário considerar o que se espera dele na rotina e no ciclo familiar. Ele pode ser um companheiro nas atividades do dia a dia ou um cão de guarda da casa.

Não há idade certa para para procurar a ajuda de um adestrador, mas, assim como qualquer outro ser vivo, desde o nascimento, os bichos já começam a aprender por estímulos e associações. Sendo assim, Darwin garante que quanto mais cedo os ensinamentos começarem — sejam realizados pelo tutor, seja com auxílio de especialista — mais fácil e rapidamente o pet conseguirá se adaptar à rotina, aos locais estabelecidos para uso nas necessidades fisiológicas, entre outras práticas.

Desde que foi adotada, com poucos meses, a vira-lata Pipa começou a ser adestrada. O objetivo era garantir o seu bem-estar e de todos que conviveriam com ela em algum momento. “Ela já evoluiu bastante. Não erra as necessidades no tapetinho, está mais calma, sabe sentar, deitar e esperar pela comida. Podemos dar banho e limpar os olhinhos dela sempre que incomoda sem que fique agitada” esclarece a tutora, Gabriela Farias, servidora pública.

Darwin esclarece que os tutores também têm um papel importante no aprendizado dos pets: “Os cães são animais mais de hábitos do que nós, humanos. Então, é importante que a família tenha noção de como eles aprendem e de que eles precisam desde cedo ter um lugar claro de onde podem fazer o xixi, onde é a cama, a comida. É bacana que hoje as pessoas estão se preocupando mais com isso, antes de esperar o cachorro manifestar comportamentos que julgam inadequados”.

As companheiras Lola (esquerda) e Zuri passaram por um adestramento positivo, o que possibilitou criar um laço com a tutora, Bernadete(foto: Arquivo Pessoal)
As companheiras Lola (esquerda) e Zuri passaram por um adestramento positivo, o que possibilitou criar um laço com a tutora, Bernadete (foto: Arquivo Pessoal)


Formas de ensinar

Existem várias formas de ensinar. Algumas mais polêmicas, com métodos coercitivos, e outras com metodologias positivas. Segundo Darwin, o avanço das pesquisas na área mostrou que os primeiros não só são prejudiciais como desnecessários em qualquer caso. “Já há países que proibiram o uso dos acessórios que agridem e existem projetos de lei aqui no Brasil para proibi-los também. Os estímulos positivos, com recompensa e petisco, são capazes de ensinar tudo, até um tigre permitir que tirem sangue dele para exames”, garante.

O veterinário comportamentalista Luis Olivio aponta os perigos desses acessórios para os cães e o efeito contrário que exercem: “A guia unificada e o colar de choque podem causar estímulos negativos e levar a alterações comportamentais de medo, ansiedade e até agressividade. Por isso, indico selecionar as técnicas que não proporcionam tal desvio comportamental”.

A tutora Bernadete Moreira, enfermeira, se preocupou em procurar um adestramento positivo para Lola e Zuri por já ter vivido experiências ruins. “Tive uma cadelinha que passou por um adestramento punitivo e foi muito ruim para nossa relação. Quando Lola e Zuri chegaram, eu pesquisei outros tipos, o comportamentalista e o positivo”, conta. Ela acabou aprendendo também: “Eles me ajudaram a entender os sinais do cão, o processo de aprendizagem, as formas de relaxamento e como ensinar comandos e truques. Mas o mais importante foi como nós, tutores, devemos conduzir a convivência”.

Por isso, é importante que o tutor acompanhe e participe das aulas. Para ensinar, esses especialistas trabalham com reforço positivo das boas ações e o tutor deve fazer o mesmo no cotidiano. O pet é premiado com petiscos e carinhos sempre que faz algo certo. Isso não significa que não haja ensinamentos, mas eles são feitos de forma respeitosa: voltando a prender o cão na coleira, se ele estava solto em um local público e fez algo incorreto, por exemplo.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

Faça você mesmo

No caso de tutores que acreditam que podem ensinar o animal de estimação sem a ajuda de um profissional ou, simplesmente, que não têm condições de contratar um, Darwin sugere pesquisar plataformas com aulas e tutoriais na internet. O veterinário Luis Olivio separou algumas dicas:

Xixi e cocô
  • Quando filhote, a mãe ensina o lugar correto para as necessidades, geralmente, onde o piso é diferente do que eles dormem, brincam e comem. Para reforçar esse ensinamento, o melhor é criar um espaço amplo para o cachorro e forrar grande parte com jornal ou tapete higiênico. É bom espalhar jornais ou tapetes em outras áreas da casa também. Geralmente os filhotes defecam a cada oito horas e urinam com um espaço de tempo de 10 a 60 minutos. O melhor é analisar esse hábito e se antecipar: levá-lo ao local correto quando estiver bem próximo do horário e recompensá-lo quando acertar o local.

Latido
  • Latir é algo natural para o cão, mas pode irritar tutores e vizinhos. A melhor maneira de resolver o problema é identificar o motivo do latido. O tutor deve se preocupar sempre em suprir as necessidades físicas, sociais e alimentares do pet. Outro ponto pode ser a falta de conhecimento dos tutores que estão adquirindo filhotes menores de 2 meses. Nessa etapa, eles ainda não estão preparados para se separar da mãe e isso pode gerar um desvio comportamental de ansiedade e fobia por isolamento social.

Pedir comida durante as refeições
  • O pet só aprende a pedir comida na hora das refeições do tutor se este reforça o comportamento dando um pouco de sua comida para ele. Quando o tutor resolve parar, o cão desenvolve maneiras de pedir, como latir, pular, arranhar, levando o tutor a dar o alimento. Porém, isso pode levar o hábito a piorar. Para evitar, basta não dar comida à beira da mesa e reforçar outro comportamento em um local diferente, como dar um brinquedo recheado de ração longe da mesa.

 

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