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Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Voo gastronômico

Pastor aproveita habilidades culinárias para criar um projeto no qual os comensais "embarcam" em um avião rumo a um destino internacional e provam um menu típico do país


postado em 21/10/2019 12:21 / atualizado em 25/10/2019 12:13

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
Quando criança, um dos passatempos preferidos de Ricardo Espíndola era visitar uma tia-avó. Cozinheira profissional, ela ensinava o garoto a mexer com as panelas e a combinar temperos. “Ela tinha experiência internacional. Fazia dos pratos mais simples aos mais sofisticados, e me deixava cozinhar junto”, recorda-se. O menino cresceu, cursou administração, teologia, pedagogia e se tornou pastor. Mas a gastronomia sempre esteve ali presente, mesmo que por hobby.

Extremamente estudioso, há pouco mais de 10 anos, o pastor decidiu voltar para a sala de aula. A princípio, pensou em cursar psicologia, mas, em conversa com um amigo, foi convencido a visitar a faculdade de gastronomia do Iesb, que tinha aberto as portas havia pouco tempo. Ao iniciar o curso, as recordações da infância vieram à tona e Ricardo se rendeu ao prazer de cozinhar. Não só se formou como ainda fez uma especialização na Argentina, em gastronomia molecular.

Presidente da Igreja Batista Central de Brasília, na 603 Sul, Ricardo Espíndola hoje se dedica integralmente ao ministério. “Acaba sobrando pouco tempo para outras atividades, inclusive a gastronomia”, admite. Mesmo assim, mantém um programa semanal de culinária na Band, em que ensina o preparo de pratos simples e fáceis. E, durante a tradicional quermesse de agosto que ocorre na igreja, busca oferecer aos fiéis um cardápio diferenciado. “A minha barraca sempre é uma das mais concorridas da festa”, orgulha-se

E este ano, o pastor resolveu inovar. Com a ajuda de alguns fiéis, muitos deles com experiência em aviação, teve a ideia de montar o protótipo de um avião no estacionamento da igreja e oferecer uma verdadeira experiência gastronômica aos participantes da festa. Para tanto, contou com o talento de Valdeir Menezes, que construiu a “aeronave” com madeira e metal, e de Aldrin Gomes, que fez toda a identidade visual do voo. Para fazer o avião, foi tomada como base uma aeronave da Embraer. “Aumentamos, porém, as proporções para ficar mais confortável”, destaca o pastor.


Nas alturas


Batizado de Pan Am Experience Brasil, em referência à extinta companhia aérea norte-americana que fechou as portas em 1991, o programa ocorre dois dias por mês, em um total de quatro voos. O destino, sempre internacional, varia mensalmente, e o menu servido inclui pratos típicos do país para onde os comensais estão “voando”.

No voo inaugural, o destino foi a França. “Servimos uma quiche de entrada, coq au vin como prato principal e creme brûlée de sobremesa. Um menu bem francês”, exemplifica Ricardo. Já houve viagem também para a Itália, e a deste mês, nos próximos dias 24 e 25, os passageiros seguem para a Argentina.

“Até o fim do ano, iremos ainda para Portugal, em novembro, e Israel, em dezembro”, detalha Tatiana Osler, voluntária no projeto e chefe da equipe a bordo. A receita que o chef divide com os leitores, a Flor de batata e bacon, inclusive, será servida como acompanhamento da carne braseada do cardápio da Argentina, que terá ainda choripan e provoleta.

Para entrar nessa viagem, o cliente compra a “passagem” com antecedência. No dia do embarque, faz o check-in, senta na poltrona preestabelecida e durante pouco mais de uma hora de voo se delicia com o menu. “Antes de decolar, reduzimos as luzes da cabine, damos as instruções de segurança e começamos o serviço de bordo”, conta o pastor. Durante toda a experiência, é reproduzido o som de um avião em movimento. “É como se estivéssemos mesmo voando”, diz Tatiana.

As louças, assim como as 20 poltronas que compõem a aeronave, foram adquiridas de antigas companhias aéreas brasileiras, como Transbrasil, Varig e Vasp. “Eu preparo as refeições na cozinha da igreja e trago para o avião, onde são servidas em carrinhos e bandejas próprias da aviação.” Até uma cozinha portátil de uma antiga aeronave foi restaurada e instalada no local. A bebida está incluída na experiência, inclusive com a harmonização do vinho.

Ricardo garante que os pratos são preparados com o maior esmero. “O paladar é o último sentido que usamos em uma refeição. Primeiro, ativamos a visão; depois, o olfato. Tudo tem que estar em harmonia. É o que fazemos aqui, uma experiência completa.” Tatiana ressalta que, apesar de a aeronave estar no estacionamento da igreja, o voo é aberto ao público geral. “O programa não é da igreja, não há pregação ou oração.”

O avião, porém, já foi usado em ações da igreja, em outras oportunidades. Neste mês de outubro, por exemplo, crianças de uma escola pública de Sobradinho, da Abrace e da própria comunidade evangélica viveram as experiências na aeronave. “Fizemos voos mais curtos e servimos guloseimas”, explica o pastor. “Mais de mil pessoas já embarcaram nas nossas viagens”, orgulha-se.

E que venham os próximos destinos!

"O paladar é o último sentido que usamos em uma refeição. Primeiro, ativamos a visão; depois, o olfato. Tudo tem que estar em harmonia. É o que fazemos aqui, uma experiência completa"
Ricardo Espíndola

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Flor de batata e bacon

 

Ingredientes
1kg de batata-inglesa média
2 caixas de bacon em fatias
Sal
Pimenta
Queijo ralado
Óleo de soja ou azeite

 

Modo de preparar
Fatie as batatas no mandolin.
Unte com óleo e polvilhe sal, pimenta e queijo.
Em uma tira de bacon, disponha as lâminas de batata e enrole. Faça isso por duas vezes.
Formada a flor, coloque na assadeira e leve ao forno meio alto até dourar.

 


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