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Correio Braziliense

Amor pelas panelas

Jornalista troca de profissão e, com muito trabalho e dedicação, se lança em carreira de sucesso no mundo gastronômico


postado em 27/10/2019 04:20 / atualizado em 28/10/2019 10:24

(foto: Fotos: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
(foto: Fotos: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)

Uma das lembranças mais antigas de Dani Vereza é de, ainda criança, preparar a mesa à luz de velas para, quando a mãe voltasse da missa, domingo à noite, a família se reunir para jantar. No início, o cardápio até era uma pizza pedida pelo pai, mas, depois, a própria menina passou a se arriscar na cozinha na preparação de sanduíche e cachorro-quente. “Podia ser até um misto quente, mas eu sempre arrumava a mesa com esmero”, recorda-se. Ela nem tinha noção, mas começava ali um caso de amor eterno com a gastronomia.

Dani cresceu, se formou em jornalismo e começou a trabalhar com assessoria de imprensa. Mas a paixão pelas panelas continuava ali, e sempre aflorava quando cozinhava para parentes e amigos. De tanto ouvir que deveria comercializar as suas delícias, decidiu iniciar um negócio de personal chef: começou a fazer jantares, pequenos eventos e a receber encomendas de tortas salgadas, quiches, massas frescas e o que mais o cliente pedisse.

Com o aumento dos pedidos, Dani precisava fazer um verdadeiro malabarismo para conciliar os dois empregos e o serviço de personal. Depois de dois anos nessa rotina enlouquecida, pediu demissão de um dos empregos — e com o dinheiro da rescisão comprou diversos utensílios para equipar a cozinha de casa —, mas continuou a fazer assessoria para um parlamentar.

Dani diverte-se ao contar um episódio que acabou por adiar sua saída da Câmara dos Deputados. Ela fez um curso de sushiwoman e passou a vender também comida japonesa. Nessa época, o chefe dela teve um infarto e colocou na cabeça que só podia comer salmão. Como a jornalista preparava a comida dele, tinha um pouco mais de flexibilidade para cozinhar. E assim continuava a conciliar o emprego fixo e as encomendas.

Escolhas


Dani seguiu nesse ritmo alucinante por quase uma década, de 1995 a 2004, quando criou coragem e decidiu se dedicar integralmente à gastronomia. Conseguiu um ponto no CA do Lago Norte — “numa época em que não existia nem sequer o Iguatemi” — e abriu um bistrô com café, o Café.com. Ela entrou de cabeça no novo empreendimento. “Trabalhava de segunda a segunda. Não tinha mais fim de semana com meu marido.”

Como mal conseguia ver os filhos, ainda pequenos, a solução encontrada foi levar as crianças para almoçar no café diariamente. “Eles chegavam no meio daquela correria e eu sempre perguntava o que queriam comer. E eles respondiam: o mesmo de sempre, ou seja, um filé em cubinhos com catupiry e batata frita”, conta. Até hoje, com os filhos adultos, o “mesmo de sempre” é um dos pratos preferidos da família. “É uma comidinha com memória afetiva.”

Dani garante que essa foi uma das fases mais felizes da sua vida, mas também cansativa. Quando chegou ao limite da exaustão, resolver fechar o bistrô, em agosto de 2008. “Foi uma decisão que tomei, literalmente, do dia para a noite. Separei todos os utensílios que ainda queria, afastei os móveis da minha sala e levei tudo para casa. O que não me interessava, doei. Comecei ali um novo ciclo.”

O descanso durou apenas um mês. Como tinha feito muitos contatos durante o Café.com, a chef criou uma nova linha de atuação: passou a fazer pequenos eventos para empresas, como coffee breaks, reuniões, confraternizações. “Eles me contratavam, fechavam um cardápio, e eu ia lá servir o bufê.” Em janeiro de 2009, pela primeira vez em muitos anos, Dani tirou férias com a família e, quando voltou, alugou um espaço adequado para abrigar a cozinha de produção. E os negócios expandiram.


No SIA


Por dois anos, Dani ficou responsável pelo espaço gastronômico na CasaCor e também na mostra Morar mais por menos. Passou, assim, a conhecer muita gente da área de arquitetura e design — razão pela qual a Só Reparos a convidou a assumir a cafeteria da loja, no Setor do Indústrias e Abastecimento (SIA), em 2014. Depois de recusar em um primeiro momento, Dani aceitou a proposta quando ela foi refeita. “Não queria mais ter um ponto fixo, mas acabei cedendo.” Surgia, assim, a Festim Cafeteria.

Começava ali sua “história” com o SIA. Em 2017, outro convite tentador fez Dani expandir os negócios e montar um restaurante no Mercado Design. A Festim Cozinha Casual funciona em regime self-service, e o cardápio varia diariamente. “Não gosto de limites no ato de cozinhar, gosto de me arriscar, de misturar temperos, sabores, texturas e temperaturas”, justifica. Sem falar que, ao mexer sempre no menu, ela pode aproveitar o frescor e a sazonalidade dos ingredientes.

Este ano, Dani recebeu mais uma proposta irrecusável: ficar responsável pelo restaurante de um projeto inovador que abria as portas, também no SIA. O Galpão — Casa em Movimento é um espaço colaborativo que reúne, em 2.000m², 15 lojistas dos setores de arquitetura, decoração e vestuário. Desde julho, Dani toca o Festim Box Gastronômico. “O legal é que, em termos de logística, é ótimo, pois os três empreendimentos ficam na mesma região.”

O novo restaurante proporciona, de forma simples, uma experiência gastronômica. De início, o cliente vai ao balcão, pega uma das saladas preparas no pote e escolhe um dos molhos. Em seguida, opta por uma das proteínas disponíveis no cardápio — como peito, coxa e sobrecoxa desossada de frango, filé, bife de chorizo ou salmão — e o garçom passa com cinco tipos de panelinhas para acompanhamento, que variam diariamente. “Mas seguimos uma lógica: sempre tem um arroz e dois legumes incrementados, um carboidrato e um grão ou leguminosa.” Em breve, devem ser incluídos carré de cordeiro e bacalhau grelhado.

Hoje, os dois filhos, que precisavam ir ao restaurante da mãe para ter um tempinho com ela, trabalham com Dani: o caçula é gerente do restaurante self-service e o primogênito cuida das finanças da empresa. E a chef comemora: “Se lá atrás eu não vi o porquê de tanta dedicação e cheguei a contestar minhas escolhas, hoje os meus filhos reconhecem todo o sacrifício — mais que isso, eu tenho a admiração deles”, emociona-se.


Sorvete artesanal de queijo com calda quente de goiabada

O sorvete
Ingredientes
  • 1 vidro de requeijão
  • 2 caixas de creme de leite
  • 50g de queijo parmesão
  • 1/2 caixa de leite condensado

Modo de fazer
  • Bata todos os ingredientes no liquidificador por 3 minutos. Despeje a mistura numa vasilha grande, de forma que fique rasa (vai facilitar o próximo passo!). Leve ao congelador por quatro horas. Desenforme a mistura sobre uma tábua e, ainda supercongelada, corte em cubos ou lascas para facilitar o trabalho da batedeira. Comece a bater com a pá de massa pesada, em velocidade alta. Quando estiver já cremoso, troque a pá da batedeira para fouet, que vai aerar o sorvete. Aguarde dobrar de volume e coloque em potes que possam ir ao congelador. Volte ao congelador e espere endurecer.

A calda
Ingredientes
  • Goiabada cascão
  • Água

Modo de fazer
  • Pique a goiabada e leve ao fogo baixo. Coloque a água aos poucos e vá mexendo até dar o ponto de calda. Sirva, ainda quente, sobre o sorvete.
 

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