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Correio Braziliense FITNESS & NUTRIçãO

Conheça a técnica LPF, que promete barriga negativa

Método reduz medidas da circunferência da barriga, enquanto ajuda a melhorar respiração


postado em 04/11/2019 17:45 / atualizado em 04/11/2019 18:38

Grisiela Santos com a aluna Mônica Diniz: perda de peso(foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)
Grisiela Santos com a aluna Mônica Diniz: perda de peso (foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)

 
Mônica Diniz, 50 anos, conta que, antes de praticar o low pressure fitness (LPF), não sabia respirar corretamente. Hoje, além da melhora na respiração e na postura, ela já eliminou 63 quilos em um ano e quatro meses — aliando esse método de regularização da pressão abdominal a atividades de musculação, dança do ventre, circuito funcional e alimentação de baixíssima caloria.

Para a psicóloga, ela é a prova viva que sair do piloto automático e ir além do básico inspirar-expirar pode ser um diferencial para o bem-estar e ainda ajudar na redução de medidas. Pensando nisso, o LPF, método recente nas academias, combina exercícios de respiração e postura para ativar aquela “barriga chapada”.

Quem pratica LPF precisa atentar aos tempos para inspirar e expirar. O abdômen, as pernas e os braços ficam contraídos durante quase todo o tempo, com a força do próprio corpo. O indivíduo também chega a prender a respiração por alguns segundos. De acordo com a fisioterapeuta e professora de LPF Grisiela Santos, o uso da apneia expiratória alonga o diafragma, um dos músculos responsáveis pela respiração, e permite uma melhora do funcionamento do corpo de maneira global.

A especialista explica que o método surgiu na década de 1980, com o intuito de reabilitar mulheres no pós-parto. Nos dias de hoje, adaptada, a técnica mescla princípios do RPG (Reeducação Postural Global) e da ioga. A influência dessas modalidades no LPF fica nítida nos trabalhos de flexibilidade que são exigidos durante a prática e na sensação de relaxamento quando se respira profundamente.

Dessa forma, serve como mecanismo para acalmar o corpo e a mente depois de atividades mais estimulantes, como dança e musculação. “Ao final da sessão, os praticantes ficam mais quietinhos e têm um momento para eles. Isso é importante porque não adianta se doar na prática, mas levantar direto, sem tomar alguns segundos para respirar com atenção”, diz a professora.


Mudança de vida


“Havia alguns anos que eu estava totalmente sedentária. Gordinha desde criança, a obesidade foi só aumentando. Mas desde o início dessa jornada, tenho me desafiado. E fazer o LPF é um desafio a mais”, relata Mônica. O contato com a modalidade, no caso dela, teve início há seis meses, quando a professora Grisiela sugeriu uma atividade leve de LPF por questão postural. Para fortalecer o abdômen, Mônica também entrou na dança do ventre. Tomou gosto e, com os resultados aparecendo, decidiu se dedicar a sessões de abdominais.

Na clínica em que Mônica é paciente, o LPF virou aula fixa na grade há pouco mais de duas semanas. E em 15 dias frequentando assiduamente as aulas, Mônica já perdeu quatro centímetros de cintura. Mais que mudança estética — é possível diminuir de três a 12 centímetros da circunferência com o método, segundo especialistas —, o LPF tem uma lista extensa de benefícios para a saúde.

A técnica age diretamente no tônus muscular, aumenta os níveis de oxigenação corporal e consegue equilibrar as pressões das cavidades do corpo. De acordo com Grisiela, o método também promove diminuição da diástase abdominal — comum em mulheres com mais de 35 anos que tiveram filhos —, melhora do trânsito do intestino, diminui dores na coluna vertebral, melhora a circulação sanguínea e até a função sexual. E, como fortalece o assoalho pélvico, trata casos de incontinência urinária de esforço (IUE), que é a perda involuntária de urina pela uretra.

Silhueta


O personal trainer Gustavo Loureiro, especialista em treinamento desportivo, explica que as respirações hipopressivas já são desenvolvidas há anos e vêm ganhando a atenção do público. Orientando treinamentos, o personal percebeu essa metodologia e passou a adaptar exercícios com essa mesma lógica para os alunos.

De acordo com o especialista, o LPF é vantajoso porque desenvolve os músculos internos do corpo, que são pouco trabalhados com exercícios abdominais mais comuns, que pegam os músculos mais superficiais. Os ângulos em que o corpo fica também são um diferencial. Por isso, o método ajuda na perimetria abdominal. “A máxima da barriga chapada é realmente algo positivo. Mostra que a pessoa tem pouca gordura visceral, que é o acúmulo excessivo de gordura na região”, acrescenta.
 

Cuidados necessários

O método é pouco agressivo, mas alguns pontos pedem atenção:

É primordial iniciar com posições mais básicas, para pegar o jeito, entender a resistência e a consciência necessárias.
É interessante que indivíduos com problemas ósseos, que tenham alguma dificuldade em permanecer em determinadas posições ou gestantes fiquem em observação durante a prática. Essa instrução serve também para pessoas com vasovagal, para evitar mal-estar.
Apesar de trazer resultados, o método requer, sim, atividades complementares com carga, como musculação.

Fonte: Gustavo Loureiro, personal trainer

Eu, repórter


“Exercícios para o abdômen fazem parte da minha rotina, leve, de malhação. Mas costumo deixá-los para o fim do treino. Além disso, eu me prendo ao básico. Quando a história é incrementar a série com halteres ou tornozeleiras, fico insegura com a posição da coluna e da cabeça e com a sincronicidade dos movimentos. Prefiro parar por ali.

Depois de pesquisar sobre o LDF na internet, ainda superficialmente, não sabia bem o que esperar. Um misto de alongamento com ginástica, talvez alguns elásticos e aparelhos capazes de turbinar aqueles exercícios mais comuns de abdominais. Foi a primeira impressão que tive do método. Afinal, Mônica havia me contado sobre os tantos centímetros que ela eliminou da cintura. Imaginei se tratar de algo complexo.

De fato, é. Mas posso dizer que me surpreendi. ‘Cuidem do tônus. Força nesse braço. Abram as costelas’, orientava Grisiela durante a prática. A respiração era o maior foco ali, algo que eu não imaginava antes da prática. A concentração de todos na sala era visível. Prestavam atenção à contagem da professora para inspirar e expirar no timing correto.

É preciso forçar braços e pernas. Não é correto apoiá-los na cintura, nos joelhos ou ao longo do corpo. Na hora de segurar o ar e ficar em apneia, deve-se contrair o abdômen ‘para dentro’. Nesse momento, é como simular uma barriga negativa. Em seguida, inspira-se profundamente. E tudo de novo. De início, tive dificuldade em manter a postura e acompanhar o ritmo. Mas foi só me soltar mais, ouvir o que Grisiela falava — e ouvir o meu corpo — que peguei o jeito mais fácil.

Essas sequências se repetem em diferentes posições, até o corpo atingir o solo, deitado com as pernas esticadas, relaxadas. A sessão durou meia hora e pareceu revigorar. Adorei. Sinto que o método reúne práticas de que gosto muito, num equilíbrio muito interessante. Tem cara de meditação, porque damos atenção à respiração e àquele momento presente. A consciência corporal é um ganho, sem dúvidas. Mas também exige alguma força muscular dos membros superiores e dos músculos da barriga.

Sinto que saí de lá já prestando mais atenção à minha postura. Sem grandes truques nem cargas pesadíssimas, me pareceu ser aquele tipo de exercício que é na medida certa: é possível sentir o corpo trabalhando e, ainda assim, relaxar. Acho que me arriscarei a encaixar um pouquinho do que vi na aula na malhação e até em momentos do dia a dia.”

Giovanna Fischborn fez uma aula de LPF na Clínica Ravenna
 
* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte 

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