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Correio Braziliense FITNESS & NUTRIçãO

Sempre em movimento!

Atividade física previne problemas de saúde e garante mais independência ao idoso. Entre aqueles que querem viver mais e bem, o sedentarismo não tem vez


postado em 10/11/2019 08:00 / atualizado em 13/11/2019 13:23

Aos 75 anos, dona Dulce não para. Pratica hidroginástica, ioga e faz caminhadas(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Aos 75 anos, dona Dulce não para. Pratica hidroginástica, ioga e faz caminhadas (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
“Quando me exercito, ocupo a mente e nem vejo o tempo passar.” Para Dulce Maria de Oliveira, 75 anos, praticar exercício físico inibe pensamentos negativos. A aposentada tem uma semana cheia. Faz hidroginástica, ioga e caminha com as colegas. No Serviço Social do Comércio (Sesc) de Ceilândia, centro de atividades que frequenta, também faz aulas de teatro e participa do coral. Nessa fase da vida, predomina a máxima de que se manter ativo é o melhor remédio.

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) da seção Distrito Federal, Thiago Rodrigues Póvoa reforça que os principais desafios para uma nação que só fica mais velha é, justamente, vencer o sedentarismo. Para ele, as gerações estão envelhecendo com controle remoto em mãos e meios de transporte à disposição, acostumadas a subvalorizar uma rotina de exercícios, mesmo que domésticos. “É preciso enxergar a atividade física como uma necessidade básica do dia a dia, tão importante quanto beber água. E entender que ou se faz atividade física ou se toma uma série de medicações.”

Manter-se ativo tem associação direta na prevenção do Alzheimer, além de uma série de outros ganhos cognitivos. Os hormônios do exercício, liberados durante a prática, melhoram o bem-estar e, por oferecerem uma interação social mais rica, afastam quadros depressivos.

Com a chegada dos 50 anos, o corpo também fica suscetível à acelerada perda muscular e da capacidade cardiopulmonar, quadro que caracteriza a sarcopenia — síndrome que está relacionada com o envelhecimento. Para frear insuficiências como essas, “qualquer atividade física é melhor que atividade nenhuma”, aconselha Thiago. Ele também reforça que a regularidade é mais importante que a intensidade. O ideal é que o idoso pratique exercício 150 minutos por semana, combinando opções aeróbicas com as de ganho muscular.


Prevenção de acidentes


O desequilíbrio, tão comum na terceira idade, é consequência da sarcopenia. A fisioterapeuta Fabiane de Castro Vaz, da clínica 3id, explica que uma das funções principais da atividade física para o idoso é permitir e facilitar que ele realize tarefas básicas, como atividades de higiene, de alimentação e que consiga se vestir sozinho. E assegurar que esses processos sejam seguros e não terminem em tombo.

De acordo com a especialista, trabalhar os quadríceps e um músculo chamado psoas é primordial para garantir a estabilidade do corpo. “No tratamento, usamos técnicas compensatórias, treinos em superfícies instáveis, cama elástica, circuitos com obstáculos, entre outros.” Para reproduzir o subir uma calçada, Fabiane usa o estepe e chega a simular com os pacientes os movimentos laterais da cabeça.
 
 
 
A ideia é essa mesma: apostar em exercícios que simulem situações do dia a dia. O sentar e o levantar, a caminhada com obstáculos, por exemplo, ajudam nesse condicionamento. Assim, o idoso consegue replicar alguns princípios em uma situação real. “Esse treino melhora a capacidade ao caminhar, principalmente, nas calçadas irregulares que temos”, acrescenta Thiago.

Para testar o nível de equilíbrio em casa, Fabiane sugere verificar o tempo que o idoso consegue ficar em um pé só. Mas essa, assim como todas as outras atividades, devem ser supervisionadas por um profissional. Pode ser preciso monitorar os dados hemodinâmicos e verificar a pressão arterial antes, durante e depois do exercício.

Corpo e mente


Para se locomover até o centro de atividades, dona Dulce vai de ônibus. Mas nem a distância a impede de participar de aulas — a prática de exercício físico é crucial na rotina dela. Uma vez por semana faz ioga, modalidade de que mais gosta, e consegue sentir o corpo inteiro trabalhando. Por causa da fibromialgia no joelho, evita a aula de ginástica, porque gera muito impacto nas articulações.

Ela conta que adotou esse estilo de vida depois que a mãe morreu. “Foi quando entrei no Sesc, há 10 anos. Eu me senti bem melhor, mais motivada. E eu acho que todas as pessoas nessa idade deveriam se exercitar. Quem pratica alguma atividade não está livre de ter um acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo, mas tem menos chances”, pondera.

Sem receio

Único homem em muitas das aulas, seu Eloy sempre busca incentivar os amigos a também se exercitarem(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Único homem em muitas das aulas, seu Eloy sempre busca incentivar os amigos a também se exercitarem (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
 
A lista de atividades que o aposentado Eloy Barbosa, 74, pratica é, sem dúvidas, extensa. Pilates, ioga, dança cigana, dança de salão — nessa aula, como é o único aluno homem, fica de auxiliar do professor para ajudar a conduzir as mulheres — e até artes marciais. Com os cabelos branquinhos, diz que, assim que chegou aos 65, decidiu que seria idoso e que só faria “coisa de idoso”. “Sou velho assumido”, brinca. Desde então, participa de grupos da terceira idade e é uma pessoa superativa.

Eloy conta que, aos 30 anos, caiu de uma altura de quatro metros e quebrou os dois pés. Pensava que não andaria mais, chegou a usar cadeira de rodas e muletas, andava mancando e tinha medo de se exercitar. Depois de perder o filho em um acidente, anos depois, a mentalidade mudou. “Sem saber muito bem o que fazer, passei a integrar um grupo de idosos. Lá, um professor de educação física me convidou para participar de um experimento dele, que seria para um trabalho de mestrado. Fiquei um ano fazendo musculação sob a orientação desse professor. Serviu para eu perder a resistência. E nunca mais parei.”

Mas em muitas das atividades, Eloy ainda é um dos poucos homens presentes — senão, o único. A presença feminina ainda é dominante. Eloy conta que tenta motivar vizinhos e conhecidos a deixar de lado a timidez e a inércia. “Hoje, meu propósito é libertar homens idosos que são prisioneiros desses estereótipos, porque é muito prazeroso participar das atividades. Eles precisam é vencer essa resistência.”
 
De olho na alimentação

A idade vem acompanhada de algumas limitações. O idoso pode apresentar redução da função mastigatória, alterações na percepção do paladar e no fluxo salivar, além do comprometimento dos dentes ou próteses dentárias. Veja algumas ações que tornam o ato de se alimentar mais fácil e prazeroso:
 
  • Observar a consistência dos alimentos, para garantir uma ingestão fácil e adequada.
  • O cardápio deve ter, principalmente, proteínas — se o idoso sentir dificuldade em mastigar carnes, por exemplo, a adequação da consistência pode colaborar para o consumo —, fibras para o bom funcionamento intestinal, carboidratos para energia e proteção das cartilagens e vitaminas, essenciais em todas as fases da vida.
  • Em caso de perda de apetite, a razão deve ser examinada por um médico e por um nutricionista. Em casa, devem ser apresentadas refeições coloridas, variadas e em pequenas quantidades fracionadas ao longo do dia. Os temperos utilizados podem ser mais bem explorados para a pessoa sentir o sabor dos preparos, tendo em vista o desgaste natural das papilas gustativas.
  • A companhia da família, amigos e conhecidos é muito bem-vinda no momento da refeição. Um ambiente alegre, bem iluminado, com toalha e louças que agradem o idoso também valorizam o momento.
Fonte: Ilana Elman Grinberg, nutricionista
 

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
 

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