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Correio Braziliense INTELIGêNCIA FEMININA

Com vocês, Glória!

Inovadora plataforma de combate à violência de gênero é representada por uma mulher segura e empoderada que, apesar de ser um robô, entende os problemas femininos como ninguém


postado em 17/11/2019 08:00 / atualizado em 18/11/2019 15:19

(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
 
Ela é negra, brasileira e está sempre pronta para ouvir outras mulheres. Mais que isso: é uma mente capaz de gerar estatísticas precisas a partir de relatos e foi criada para acabar com a violência contra mulheres. Glória, como é chamada, é uma robô virtual que, assim como uma amiga próxima, está ali para escutar e acolher.

O projeto é uma criação da professora da Universidade de Brasília (UnB) Cristina Castro e já está em prática. Não é de hoje que a educadora trabalha em conjunto com lideranças femininas para resgatar mulheres da vulnerabilidade social. Em 2015, por exemplo, apoiou um projeto para oferecer alfabetização digital para meninas. Mas foi o ano de 2018 que realmente marcou sua trajetória.

Durante uma visita à China, a ideia de desenvolver uma robô para agir em prol de uma importante causa lhe veio à cabeça. “A Glória é uma plataforma de transformação social que visa educar e apoiar mulheres e meninas que estejam em condição de violência ou condição passível”, explica a professora de biotecnologia.

No Brasil, a cada dois segundos, uma mulher sofre algum tipo de violência. A cada dois minutos, a Lei Maria da Penha é acionada. Glória foi desenvolvida para aprender com cada uma dessas narrativas constantes e detectar soluções capazes de romper o ciclo de violência. Todos os detalhes que a vítima conta são transformados em dados e, posteriormente, são mapeadas as regiões seguras e as que oferecem risco à mulher no país.

Além disso, durante a conversa, ela consegue detectar sua localização e indicar um lugar próximo para encontrar ajuda e segurança. Quanto mais histórias escutar, maior será a capacidade de Glória prestar assistência precisa e rápida, pois ela é formada por algoritmos que evoluem a partir das interações. Ou seja, ela é produto de todas essas vivências e, portanto, capaz de estabelecer conversas que só quem passou pelos mesmos problemas entenderia.

Glória já está disponível no Instagram, Twitter, Facebook, YouTube e no próprio site. Caso deseje falar com ela, basta abrir o chat de conversa em seu perfil nas redes sociais e digitar. A robô responderá de forma personalizada, podendo informar uma rota segura para encontrar ajuda e fazer uma denúncia formal ou até orientar sobre como sair de um relacionamento abusivo e outros conteúdos educacionais relacionados. As informações do relato serão registradas, transformadas em estatísticas e disponibilizadas de forma anônima no sistema para auxiliar outras usuárias.

Mulher empoderada

Assim como toda plataforma, a fisionomia de Glória também foi criada para que a vítima se identifique com ela e se sinta segura para compartilhar sua dor. O artista plástico Toninho Euzébio seguiu os direcionamentos de Cristina para criar uma mulher empoderada no intervalo de apenas uma semana. “A Glória tem uma autoestima elevada, e é segura. Ela usa maquiagem, sim, tem o cabelo roxo, mas essas são características mutantes, de acordo com o que ela deseja refletir”, esclarece o artista.

A representante de tantas garotas e suas narrativas também carrega consigo a força das raízes negras e de suas lutas. Para chegar ao resultado final, Toninho fez uma montagem fotográfica com partes dos rostos de várias mulheres e todas as características que carregam.

O objetivo do projeto é impactar 20 milhões de mulheres nos próximos dois anos no Brasil, além de gerar relatórios com segmentação por faixa etária, local, dados socioeconômicos e padrão de ocorrências que ajudem na formação de políticas de combate à violência.

As perspectivas posteriores são ainda mais ousadas. Então, não se espante se encontrar totens da Glória em shoppings, rodoviárias e praças públicas. Essa é a solução para aumentar o acesso à plataforma e onde os desenvolvedores pretendem chegar.

Hoje, o time busca parcerias e verbas que possibilitem o pleno funcionamento da plataforma, mas, no portal, estão disponíveis dados constantemente atualizados das ocorrências, algumas análises e informações. Pelas redes sociais, também já é possível interagir em busca de rede de apoio e segurança. “Eu vou mudar o mundo. E você, vem?”, convida Glória.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

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