Publicidade

Correio Braziliense NEURôNIOS EM DIA

Pesquisas indicam que o cérebro reconhece músicas em menos de um segundo

Pesquisadores da University College of London demonstraram recentemente que, quando se trata de uma música familiar, o cérebro é capaz de reconhecê-la em 100 a 300 milissegundos, apontando o grau que essas músicas estão presentes em nossa memória


postado em 27/11/2019 17:31

(foto: Divulgação/Ricardo Teixeira )
(foto: Divulgação/Ricardo Teixeira )
O cérebro humano é capaz de reconhecer uma música familiar em menos de um segundo. Pesquisadores da University College of London demonstraram recentemente que, quando se trata de uma música familiar, o cérebro é capaz de reconhecê-la em 100 a 300 milissegundos, apontando o grau que essas músicas estão presentes em nossa memória. O estudo foi publicado no final de outubro na conceituada revista Scientific Reports.

Os voluntários da pesquisa listaram cinco músicas que tinham bastante familiaridade e os pesquisadores escolheram uma delas. Os pesquisadores ainda escolhiam uma música desconhecida pelos voluntários, mas que tinham a mesma estrutura de melodia, ritmo, instrumentação, de vocais e harmonia. Ao apresentarem por menos de um segundo as músicas conhecidas e desconhecidas de forma aleatória, evidenciou-se que as canções familiares provocavam respostas do sistema nervoso central entre 100 e 300 milissegundos, algo que não aconteceu com as desconhecidas. Essa resposta cerebral foi medida através de eletrencefalografia e dilatação pupilar, refletindo respostas de excitação a estímulos emocionalmente relevantes. Um grupo controle foi composto por estudantes asiáticos que só experimentaram músicas desconhecidas e essas respostas rápidas não ocorreram em nenhum dos voluntários.

Os achados, além de expandirem o conhecimento da neurociência, podem ter aplicações em uma série de intervenções terapêuticas baseadas na música. Doença de Alzheimer é um exemplo de futuras aplicações, condição em que a memória musical é desproporcionalmente bem preservada.

*Dr Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade