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Correio Braziliense

Nunca é cedo demais para ajudar

Conheça a história de jovens e adolescentes que, ainda na infância, decidiram se tornar voluntários e doar um pouco do tempo e do amor a quem precisa


postado em 15/12/2019 04:08 / atualizado em 15/12/2019 14:36

Alice Diniz, no detalhe, foi uma das criadoras do grupo Simples Sorriso: jovens levam alegria para quem precisa (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
Alice Diniz, no detalhe, foi uma das criadoras do grupo Simples Sorriso: jovens levam alegria para quem precisa (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)

Presentear alguém com tempo e conhecimentos, prestar algum serviço ou dar o que o outro carece. A Organização das Nações Unidas (ONU) define o voluntário como “jovem, adulto ou idoso que, por interesse pessoal e espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração, a atividades de bem-estar social ou outros campos.” Há quem diga que se doar só faz somar ao espírito.

E fazer trabalho voluntário desde cedo é justamente praticar o famoso “se colocar no lugar do outro” e poder carregar consigo essa empatia para a vida adulta. Para além da teoria, o jovem realmente entra em contato com uma realidade diferente e, por vezes, muito distante. Especialista em inteligência espiritual, Fabrício Nogueira enumera três virtudes desenvolvidas por quem é voluntário: “O altruísmo, que é o olhar para o outro enquanto me projeto com bons sentimentos, também a empatia e, por fim, a gratidão, que é dar valor a tudo que se possui, mesmo as mínimas coisas”.

A Revista convida os leitores a conhecerem histórias de jovens que fazem trabalho voluntário. Alguns começaram bem cedo e encontraram na tarefa um propósito de vida.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte


Fazer o simples com amor

“Nem lembro da minha idade quando comecei a fazer trabalho voluntário, de tão novinha que era. Meus pais me incentivam desde muito cedo.” Alice Diniz, 18 anos, conta que começou a participar de ações voluntárias com a família, ajudando uma instituição que faz parte da sua vida até hoje. O exemplo dos pais foi primordial. A ideia que Alice carrega consigo e que a move nos trabalhos é que a simplicidade já é capaz de fazer — e, por que não dizer, mudar — muito. Basta ter boa vontade e responsabilidade.

Com o tempo, o gosto pelas ações voluntárias só cresceu. No ano passado, Alice iniciou o projeto Simples Sorriso, que organiza visitações a lares de crianças e asilos. Em uma rede social, o grupo já reúne mais de 150 pessoas. Por saída, vão em torno de 20 participantes. Nesses lugares carentes, eles conversam, fazem brincadeiras e levam alguns materiais que o pessoal esteja precisando. A primeira ação do Simples Sorriso, no ano passado, foi justamente na época do Natal.

O cronograma de atividades do grupo é cheio. Antes de cada visita, que costuma ser mensal, ocorrem reuniões para estabelecer as diretrizes, deixar todos a par do calendário, alertar novatos e garantir que o time esteja preparados para lidar com a particularidade de cada pessoa que encontrarão. É preciso ter compromisso. “Cada um que está nesses lugares que visitamos tem uma história, e é nosso papel respeitar isso e encontrar a melhor maneira de interagir com eles.”

Maiores recompensados

A estudante Luiza Trezzi, 16 anos, também é coordenadora do Simples Sorriso e concorda que os bastidores são a parte mais difícil, mas que o trabalho todo é gratificante quando se vê o resultado final. Apesar da pouca idade, o time de adolescentes é superresponsável e monta toda a logística das saídas. Eles ligam para os asilos, lares carentes e creches. “A partir daí, organizamos a lista dos participantes que irão, arrumamos as reuniões e as arrecadações. E é com essa rede de ajuda, aos poucos, que vamos construindo nosso projeto.”

Qualquer trabalho do tipo exige preparo de verdade para que a experiência seja positiva para todos. Luiza conta que uma visita a um asilo pede um tratamento diferente do trabalho que ocorre em um lar com crianças, por exemplo. É muito importante tratar cada um conforme as necessidades que tem.

Ela lembra que começou a se engajar realmente no universo dos trabalhos voluntários há dois anos e garante que, depois que se começa, é difícil não se encantar. “Você se doa na intenção de levar um sorriso pra alguém e volta sorrindo de orelha a orelha, literalmente com as energias renovadas. Queria que todo mundo um dia pudesse ter essa sensação.”

“Eu diria àqueles que querem fazer parte de algum grupo voluntariado: não hesitem! Não tem como se arrepender. A sensação de ajudar alguém, de se sentir útil e amado, é algo que ninguém paga nem tira de você. E, no final, os mais recompensados somos nós mesmos”, acredita Alice.

O perfil dos voluntários no país

De acordo com o suplemento Outras Formas de Trabalho, da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios Contínua, divulgado pelo IBGE em abril deste ano, o voluntariado foi praticado por 7,2 milhões de pessoas no Brasil no ano passado. Em relação a 2017, houve ligeira queda de 1,6%, após alta de 13% entre 2016 e 2017. A maioria do trabalho é feito em instituições.

O estudo mostrou que o trabalho voluntário é feito, principalmente, por mulheres, idosos e pessoas com ensino superior completo. Tudo isso, segundo a analista do IBGE Maria Lúcia Vieira, é facilmente explicado: “Pela questão cultural, a presença feminina é maior. Pessoas mais velhas, pelo maior tempo disponível e pela maior experiência de vida. E a participação dos mais escolarizados está relacionada a um rendimento mais estável e pelo próprio entendimento da necessidade de ajudar”.


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