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Correio Braziliense SAúDE

Ceia segura

Todo o cuidado é pouco no preparo, na higienização e na conservação dos alimentos para evitar intoxicação alimentar nas festas de fim de ano


postado em 22/12/2019 04:08 / atualizado em 24/12/2019 14:01

Em nome da praticidade, muitas famílias optam por comprar a ceia natalina ou até mesmo se reúnem na casa de amigos e cada um leva um prato para a celebração. Apesar de a prática diminuir o tempo gasto no preparo dos pratos, o risco de contaminação dos alimentos cresce e, com ele, o de desenvolver uma intoxicação alimentar.

O quadro clínico se configura quando há a ingestão de substâncias tóxicas, que, segundo o gastroenterologista Bernardo Martins, pode ser provocado tanto por agentes químicos quanto por infecciosos — no caso de contaminação por vírus, bactérias e parasitas, que são responsáveis por liberar toxinas no organismo. “A diferença é que agentes químicos, a exemplo de agrotóxicos e venenos, geram uma intoxicação não infecciosa”, explica. Entre os contaminadores mais comuns estão as bactérias, nas quais valem destaque a Campylobacter jejuni, a Salmonela e a Clostridium.

De acordo com André Godoy, gerente de Alimentos da Vigilância Sanitária do Distrito Federal, a contaminação pode acontecer em diferentes etapas: no crescimento do alimento, por irrigação ou agrotóxicos; no transporte, que deve ter a temperatura correta; e na manipulação e preparo, quando não há a higiene adequada.

“Nessas confraternizações de fim de ano, um exemplo comum e bastante perigoso é quando se usa a mesma tábua para cortar a carne crua e a carne assada sem a devida higiene. Outro risco é no preparo do salpicão, que leva muitos ingredientes pastosos, que tendem a ser mais propícios a contaminações e, em muitos casos, não são conservados na temperatura correta”, detalha.

Assim como os alimentos pastosos, como a maionese e o requeijão, consumir sucos e leites não pasteurizados, queijos na temperatura ambiente e carnes cruas ou mal cozidas também aumentam o risco de intoxicação. “O quadro pode demorar alguns dias ou horas para se manifestar, a depender do organismo. Enquanto adultos tendem a retardar um pouco mais o quadro de desidratação, idosos, crianças e paciente imunodepressivos precisam de atendimento médico mais urgente, pois costumam apresentar os sintomas de forma mais intensa e precoce”, alerta Bernardo.

Se for comprar a ceia pronta, o gerente da Vigilância Sanitária recomenda recorrer a locais de confiança, nos quais o cliente conheça a rotina de cuidados e higiene, além de evitar adquirir alimentos molhados e pastosos, como maioneses, cremes de camarão e vinagretes. “Costumeiramente, estabelecimentos que não trabalham com esses produtos começam a oferecer serviços de ceia natalina, por isso é preciso ter o cuidado de se certificar que eles têm todos os mecanismos de conservação dos alimentos e que seguem as medidas de higiene previstas, como usos de toucas e luvas”, alerta André.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
 

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