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Correio Braziliense

Hipnose clínica é tratamento alternativo para depressão e ansiedade

Reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia como terapia auxiliar no tratamento de problema emocionais, a hipnose clínica pode ajudar até a melhorar a concentração e a autoestima


postado em 23/01/2020 11:30 / atualizado em 23/01/2020 11:34

A psicóloga Miriam Pontes alerta que o paciente precisa encontrar um profissional habilitado para fazer a hipnose(foto: Arquivo Pessoal)
A psicóloga Miriam Pontes alerta que o paciente precisa encontrar um profissional habilitado para fazer a hipnose (foto: Arquivo Pessoal)

Sabe quando você está hiperconcentrado no episódio da série favorita a ponto de não escutar quando alguém o chama? Nesse momento, você está em um transe hipnótico. Muito popular em shows recreativos, a hipnose também pode ser usada para fins terapêuticos. É a chamada hipnose clínica, que se mostra como uma alternativa complementar a tratamentos de ansiedade, depressão e problemas de autoestima.

Com graduação em neuropsicologia, o hipnólogo Ronaldo Franco explica que a condição hipnótica é um estado mental natural da mente, posicionada entre o sono e a vigília. “Sendo assim, todas as pessoas podem ser submetidas ao tratamento, apesar de algumas apresentarem uma resistência maior. No geral, quanto mais criativa e inteligente é a pessoa, mais fácil ela entra no estado hipnótico”, aponta.

Por ser uma técnica de característica autorizativa, o sucesso do transe e, consequentemente, de tratamentos clínicos com a hipnose depende da colaboração do paciente — que precisa se permitir ser hipnotizado. “Um dos mitos da hipnose é de que a pessoa pode fornecer informações importantes, como senhas de banco, ou que pode ficar presa na própria mente. Mas a verdade é que a pessoa tem poder de decisão e, se quiser, consegue sair sozinha do estado hipnótico”, esclarece Ronaldo.

Por ser uma modalidade focada, são necessárias, em média, 10 sessões — sendo possível visualizar resultados em um curto período de tempo. Como aponta a psicóloga e hipnóloga Miriam Pontes, um dos principais benefícios da terapia é a melhora da concentração, da qualidade de sono, da memória, além de ajudar a controlar, inclusive, o estresse e a ansiedade. Promove também o resgate de metas e alegrias que estavam inacessíveis.

Por onde começar?
Problemas emocionais — e comportamentais — diversos, vícios, fibromialgia, bruxismo, cacoetes e até mesmo o tabagismo podem ser tratados com a hipnose. Tudo vai depender do grau de autorização dada pelo paciente e a constância no tratamento.

O primeiro passo para começar a terapia é o processo de anamnese — uma espécie de entrevista, que tem o diagnóstico como principal objetivo. “Durante esse processo, é feita uma análise que busca entender as origens do problema. Nos casos de depressão, por exemplo, investiga-se qual foi a causa inicial do estado de melancolia, se foi provocada por algum gatilho, se tem relação com problemas na infância ou até mesmo durante a formação no útero da mãe”, aponta o hipnólogo Cristiano Mendes.

De acordo com o profissional, o hipnoterapeuta é o intermediador do processo, sendo o responsável por conduzir o foco do paciente ao problema e, em sequência, a uma solução. “A hipnose, antes de tudo, é comunicação, que se dá entre paciente e hipnólogo. O profissional deve buscar emoções reprimidas para, assim, tratar aspectos que estão incomodando o paciente, de forma a levá-lo a adquirir autoconhecimento e a perceber as crenças incapacitantes que estão originando suas insatisfações ou afetando a saúde emocional”, explica.

Autoestima e confiança

No caso do servidor público Alexandre da Silva Martins, a técnica foi a responsável por curar problemas de confiança que dificultavam a concentração nos estudos e, consequentemente, a aprovação no concurso que estava prestando. “Por meio de pesquisa, vi que a técnica melhorava o rendimento de atletas. Como na época eu estava estudando para concurso, quis testar se a hipnose me ajudaria a aumentar o meu potencial e minhas chances de conquistar um cargo público”, conta.

Na época, Alexandre tinha intensa dificuldade de concentração, a ponto de chegar a acreditar que jamais conseguiria aprender todo o conteúdo de que precisava. “Enxergava muitas dificuldades, principalmente por ser um iniciante. Enfatizava constantemente que estava em desvantagem, pois existiam pessoas que estavam se preparando havia anos, e isso era aterrorizante para mim”, relembra.

Ao começar a frequentar as sessões, o servidor público conta que passou a desmistificar problemas que nem sempre eram reais, mas, sim, preocupações criadas por ele. “A técnica me ajudou justamente a vencer essa barreira que eu mesmo havia criado. Passei a conseguir enfrentar a rotina pesada de estudos e a administrar melhor meu tempo, assim como meus sentimentos e minha relação comigo mesmo.”

Durante as sessões de hipnoterapia, Alexandre também aprendeu a se hipnotizar e, mesmo após encerrar as sessões, conta que recorre constantemente à técnica quando precisa atingir níveis elevados de concentração, em especial no trabalho. “Foi assim que consegui passar em diversos concursos a nível federal, muitos até distantes e mais complexos do que eu estava acostumado, e isso trouxe o retorno da minha autoestima. Após o tratamento, passei a acreditar que consigo fazer aquilo que desejo se me esforçar para isso”, orgulha-se.

A auto-hipnose que Alexandre aprendeu no consultório é uma prática comum, como explica o psicólogo e hipnólogo Ronaldo Franco. “Faz parte do trabalho de um bom profissional ensinar a auto-hipnose para os pacientes, para que ele consiga se beneficiar da técnica, mesmo após finalizar as sessões”, esclarece.


Atenção às restrições

Apesar de ser um tratamento democrático, a psicóloga Miriam alerta que existem algumas restrições ao tratamento. “Pacientes com problemas neurológicos e quadros psiquiátricos graves são contraindicados à técnica. Por isso, quando a pessoa procurar esse tratamento para curar aspectos emocionais, é importante se certificar de que o profissional é psicólogo, pois ele é o capacitado para curar problemas do gênero”, alerta.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte


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