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Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Conheça a confeiteira brasiliense que venceu o 'Que seja doce'

Apaixonada pela profissão que abraçou, Carol Santos supera percalços, ganha programa de gastronomia do GNT e monta o próprio negócio


postado em 16/02/2020 08:00 / atualizado em 16/02/2020 16:39

Carol Santos começou a vender brigadeiros no trabalho para fazer uma renda extra(foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
Carol Santos começou a vender brigadeiros no trabalho para fazer uma renda extra (foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
Depois de algumas rasteiras profissionais, Carolina Santos, 36 anos, fez uma promessa a si mesma: se a carreira de confeiteira não deslanchasse em 2018, ela largaria de vez o mundo dos doces. E foi aos 45 do segundo tempo, quando surgiu a oportunidade de participar de um programa de gastronomia em rede nacional, que a guinada que tanto esperava aconteceu.

Única mulher dos três irmãos, Carol costumava, nos fins de semana, ir para a cozinha com a mãe preparar o almoço da família. E sempre ficava encarregada pela sobremesa. O tempo passou, ela entrou na faculdade de turismo, formou-se e começou a cursar direito. A ideia era, como tantos brasilienses, ingressar no serviço público.

Em 2010, enquanto frequentava as aulas de direito e tinha um emprego temporário no antigo Cespe, Carol precisou de uma renda extra. Como o trabalho ficava em uma área meio isolada, não havia um local por perto para comprar lanches. “Um dia, comprei uma lata de leite condensado e preparei uns brigadeiros bem caseiros, com achocolatado e margarina mesmo, e levei. Em menos de 10 minutos, tinha vendido tudo.”

Era a época do boom dos brigadeiros gourmets e Carol viu ali uma oportunidade de fazer um dinheiro extra. No dia seguinte, comprou duas latas de leite condensado e, novamente, vendeu tudo rapidamente. E, assim, foi aumentando a produção. “Começaram a me pedir outros sabores. Daí, preparei beijinho e, depois, brigadeiro de limão. Mas não era nada gourmetizado, tudo bem caseiro, mas bem-feito”, lembra. Uma colega perguntou se aceitava encomendas e, de cara, respondeu que sim. “Mas nunca tinha feito”, diverte-se. “Mesmo assim, preparei os 200 docinhos que ela pediu e foi um sucesso.”

A partir daí, não pararam mais as encomendas. Carol começou a pesquisar mais sobre os doces, ampliou o cardápio e recebeu convites para participar de eventos na cidade. Com o fim do contrato no Cespe e os negócios indo de vento em popa, resolveu largar o curso de direito e se dedicar à confeitaria. “Tinha fim de semana que enrolava 8 mil doces. Passei a viver só do brigadeiro.”

Altos e baixos

Mas uma gravidez, no início de 2015, mudou os planos da confeiteira. “Achei que precisava de estabilidade para criar o meu filho. Larguei os doces e voltei a estudar para concurso.” Com o nascimento do pequeno Jorge, em outubro daquele ano, Carol passou a se dedicar integralmente à maternidade. Acostumada a trabalhar desde muito cedo, ela não aguentou, porém, a nova rotina. Quando o bebê completou 7 meses, a confeiteira pôs o filho na creche e voltou a fazer doces. Quando os antigos clientes souberam do retorno, choveram encomendas.

A cozinha de casa já não dava conta da produção, e a doceira recebeu a proposta de uma prima — até então dona da Brauny’s, casa especializada em brownies — para sublocar um espaço dentro da fábrica dela, no Grande Colorado. Ficou por lá alguns meses, até que o pai, que voltou a morar no Rio depois da morte da mãe de Carol, visitou a filha e, ao ver o comprometimento dela com o trabalho, resolveu presenteá-la com uma loja, na mesma região.

O espaço passou por uma reforma, Carol contratou um consultor e fez cursos para expandir o cardápio. Apesar de sempre ser cobrada pelos clientes para fazer bolos, ela, até então, nunca tinha se arriscado. “Eles costumavam solar”, diverte-se. Mas, com uma loja própria, precisava oferecer algo além dos docinhos. Aprendeu diversas técnicas da confeitaria e se tornou uma profissional mais completa. Em abril de 2017, abriu as portas da Carolices.

Mas a alegria de Carol durou pouco. Cinco meses depois, por conta de uma infiltração no condomínio, a loja foi totalmente inundada e a confeiteira perdeu grande parte dos móveis. “Fiquei completamente desgostosa e desisti de tudo. Enquanto o meu filho estava na escola, passava as tardes em casa assistindo à televisão. Entrei em depressão”, confessa.

Foi ao assistir a um desses programas de tevê, mais especificamente o Que seja doce, da GNT, que Carol teve a ideia de se inscrever na série comandada pelo chef Felipe Bronze. “Mandei meio para ver no que é que dava, mas não colocava fé.” Foi também nesse período de tristeza profunda que ela fez aquele ultimato de que, se nada mudasse, pararia com os doces.

Vencedora

Em agosto de 2018, ao olhar a caixa de spam, Carol encontrou um e-mail da produção do programa. “Era para eu ter respondido imediatamente, mas já fazia quase um mês que a mensagem estava lá”, recorda-se. A doceira escreveu explicando a situação e implorando para ainda ser aceita. “Tinha um formulário imenso para preencher, além de vários documentos para enviar, até certidão negativa da polícia eles pediam. Eles me deram um prazo até 12h do dia seguinte para mandar tudo.”

O Que seja doce exige que o participante leve um acompanhante para ajudá-lo na execução das provas e Carol convidou uma tia, que é cake designer. E elas venceram, ironicamente com duas receitas de bolo, que hoje já não solam mais. “Quando ganhei a primeira prova, passou toda a minha trajetória pela cabeça, como um filme, e eu tive uma crise de choro. Toda a produção parou.” O programa foi ao ar em abril do ano passado, poucos dias antes da Páscoa, e a brasiliense nunca recebeu tantas encomendas. Era o sinal de que precisava para continuar.

Ela ainda tentou reabrir a loja no Grande Colorado, promoveu até uns cafés coloniais aos domingos, mas desistiu quando surgiu uma oportunidade melhor. A prima, dona da Brauny’s estava vendendo a marca e o café, na Asa Norte, e ela decidiu comprá-los. Manteve parte dos funcionários e os clássicos do cardápio e, desde dezembro, vem passando pela transição para a Carolices.

No cardápio, entre outras delícias, os docinhos que fizeram sua fama e os bolos cujas receitas a mãe deixou de herança, em uma caderneta azul, que Carol carrega até hoje. A prova de que persistir vale a pena.

 

Palha italiana de Leite Ninho com Oreo

(foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
(foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)

Ingredientes
400g de leite condensado
25g de leite Ninho
10g de margarina
15 biscoitos Oreo

Modo de fazer
Despeje todos os ingredientes, exceto o biscoito, em uma panela de fundo grosso e mexa bem até que fique uma mistura homogênea. Leve ao fogo médio e mexa sem parar por aproximadamente oito minutos ou até que chegue no ponto em que esteja com a consistência mais firme.
Despeje a metade do doce em um tabuleiro levemente untado, espalhe os biscoitos, quebrados grosseiramente com as mãos, e despeje o restante do doce por cima. Após esfriar, corte e embale. Dura por sete dias se bem vedado.




Carolices

SCRN 708/709, Bloco A, Loja 43
Telefone: 3485-0835
WhatsApp: 98332-4379
Instagram: @carolices.oficial

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