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Na adolescência

São adolescentes entre 11 e 17 anos os grandes responsáveis por levar estilos que surgem nas redes sociais para as ruas — e escolas. A estudante Carolina Soublin (carolsoublin no aplicativo TikTok), de 13 anos, é adepta da moda VSCO há um ano, mas já revela mudanças: “Amava ver postagens sobre as VSCO girls e queria me tornar uma, então comecei a comprar scrunchies, o carmex, que é uma manteiga de cacau que elas usam, liptint, o colar de conchas”.

Segundo ela, a moda é conhecida no Instagram, mas foi no TikTok — app de vídeos curtos com conteúdos engraçados, histórias, receitas ou coreografias — que, recentemente, as derivações de girls surgiram. “As e-girls, que hoje são as minhas favoritas, são góticas e usam muito preto. As soft girls são fofinhas, com roupas claras e blush forte, e as tradicionais tumblr girls, de 2017, usam boné e roupas estilosas”, detalha.

Carol explica que passa mais tempo decorando e treinando coreografias para postar vídeos em sua conta do TikTok do que escolhendo a roupa que vai usar, ou se maquiando. Hoje, ela descreve seu estilo como próprio, podendo alternar entre VSCO e e-girl. O tino para se vestir é uma característica que a estudante, que sempre quis escolher o que usaria, carrega desde pequena, confidencia a mãe, a psicóloga Vanessa Soublin.

Vanessa vê o trend como uma fase e enxerga pontos positivos, como a interação com amigos e família para gravar um vídeo. “Acho que é uma coisa que distrai, treina um pouco a coordenação motora, mas a gente tem que tomar cuidado para que elas não fiquem vendo isso o tempo todo.” Um desses cuidados são os bloqueios automáticos de aplicativos fornecidos pelo celular. Quando chega ao limite de uso diário, só é possível continuar usando o app com uma senha que apenas a mãe tem.

No ambiente de estudo, adaptação é necessária e as tendências passam a ser percebidas pelos acessórios e sapatos. Para a adolescente, isso não atrapalha a concentração nas aulas e nas tarefas, uma vez que as conversas se concentram nos intervalos.

A estratégia pode até ser um artifício para sair dos momentos de tensão durante a semana.“A gente se sente bem fazendo. Eu me sinto aliviada. Se estou estressada com algo, faço um TikTok e fico feliz”, esclarece Carol.
 
 
 
O termo está na rede

Nos últimos 12 meses, entre os termos VSCO girl/ boy, e-girl e solft girl, procurados no Google, o vocabulário VSCO girl é o que mais chamou atenção dos brasileiros. O maior pico de busca por esse nome aconteceu na semana de 22 a 28 de setembro de 2019, com 100% de interesse. Nos últimos 90 dias, ainda é o termo que desperta mais interesse em comparação aos outros. VSCO girl concentra 60% do interesse de busca, enquanto VSCO boy tem 3% e e-girl, 38%.

Para Jorge Fernando, especialista em informática, tanto os aplicativos quanto as redes sociais influenciam as pessoas. “Pode interferir na maneira como elas se vestem, na postura e na forma de pensar delas, entre outros aspectos”, analisa.

Jorge lembra que, a todo momento, recebemos informações de todos os lugares no ciberespaço. “O brasileiro passa em torno de quatro horas e meia ou até mais com o celular na mão. O ser humano não nasceu para ficar sozinho, por isso, criamos comunidades, bondes, grupos e tribos”, diz. Para ele, essa interação virtual ocorre por meio de aproximação, ou seja, por meio de gostos comuns (musicais, esportes, decoração, entre outros), opiniões semelhantes etc.

A Revista selecionou algumas peças que são marca registrada dos VSCO para inspirar.


Moletom Cat, da Mandoras (R$ 120)

Tênis modelo Era, da Vans (R$ 280)

Choker Vsco Girl, da Girl Power Store (R$ 59)

Blusa de frio, da Love Lil Peep (R$ 99)

Camiseta Cnx Clothing Fresh Prince Preta, da Kanui (R$ 79)

Mochila Star Dazzle Color Canvas Backpack, da Newchic (R$ 87)