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Correio Braziliense

Confira como tratamento para leishmaniose é possível

Medicação potente já está disponível no Brasil e pode significar o fim do sacrifício do animal


postado em 15/03/2020 04:19 / atualizado em 16/03/2020 14:50

Karol Jota usou ozonioterapia no tratamento de Thor(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
Karol Jota usou ozonioterapia no tratamento de Thor (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
Há 30 anos, a leishmaniose era considerada uma parasitose em extinção. Mas, de lá para cá, ela voltou com tudo e já se espalhou pelo país inteiro, inclusive em grandes cidades, como Brasília. A zoonose, ou seja, atinge seres humanos e animais, é transmitida pela picada de um mosquito do tamanho de uma pulga. Em humanos, há tratamento eficaz há décadas; em animais, porém, até três anos atrás, era uma doença fatal, já que não havia medicamento autorizado no Brasil para eles. Quase todo mundo conhece alguém que sofreu por precisar sacrificar o pet por conta da doença.

Agora, é possível tratar, mas a medicação é forte. São 28 dias de doses bem calculadas, de acordo com o peso do animal. A veterinária Eliana de Farias, da Doctora Vet, explica que o remédio não pode, de forma alguma, ser banalizado. “Pela bula, ele é seguro para o rim e para o fígado. Mas se os animais já estão com insuficiência renal ou hepática por conta da doença, o médico precisa pesar o risco e o benefício que o animal teria com o tratamento, porque, mesmo seguro, precisa de órgãos competentes para metabolizar a medicação”, explica.

Portanto, segundo ela, é importante uma avaliação bem próxima do animal. De acordo com a veterinária, com absorção no trato gastrointestinal, muitos animais em tratamento vomitam, têm diarreia, ficam prostrados por dores abdominais, sentem náusea e perdem apetite.

Tudo isso, assustou muito a enfermeira e influenciadora digital Karol Jota, 31. Ela adotou Thor, de 2 anos, quando filhote, com parvovirose, sem saber. “Cheguei em casa, um dia, e estava tudo vomitado”, conta. Levado ao veterinário, a notícia foi que, se ele resistisse aos sete primeiros dias, sobreviveria. Com um grande cuidado da dona, ele conseguiu. Acostumada a fazer ozonioterapia em humanos, ela resolveu aplicar também no cachorro. Pediu à veterinária que deixasse um acesso no animal e fez em casa, o que o deixou bem melhor.

Outra coisa que Karol acabou descobrindo sobre o animal é que toda a sua família tinha histórico de leishmaniose. Ele precisava fazer exame. Há três meses, Thor entrou no tratamento contra a doença. Por três dias, ele nem se levantava. Comia deitado. E pouco. “Eu fiquei desesperada. A veterinária ainda me disse que tinha alguns cães que ficavam os 28 dias sem comer”, relembra.

Mais uma vez, Karol lançou mão da ozonioterapia. “No mesmo dia, ele se levantou”, conta. Ela brinca que a tratamento era, para Thor, “o espinafre do Popeye”, porque sempre que ele começava a ficar abatido, a ozonioterapia resolvia. A experiência, para a tutora, foi tão gratificante, que ela até se inscreveu no curso de medicina veterinária. Deve começar no próximo semestre.

Desde então, ela passou a fazer ozonioterapia também em seus outros dois cachorros, saudáveis, para melhorar a imunidade. “Aqui, sempre foquei na prevenção: o quintal é bem limpo, passo citronela neles para não serem picados, compro a ração mais natural que tem, sem glúten, sem cereais, com 98% de proteína, dou ômega 3, própolis, açafrão e um ovo caipira para todos diariamente. O que eu gasto com esses cuidados, economizo com veterinário”, afirma.

A lesihmaniose

Segundo a veterinária Eliana, na capital federal, o tipo mais comum de leishmaniose é a visceral. “Ela causa um quadro clínico mais silencioso, porque vai prejudicando os órgãos do animal. O outro tipo, a tegumentar, já apresenta um quadro mais típico e é mais fácil de diagnosticar. Você vê muita queratinização da pele, feridas no corpo, nos olhos, no nariz. Tem aquela cara de propaganda de conscientização sobre a doença”, descreve.

Até três anos, a solução era a eutanásia, tão dolorida para os donos dos pets. “A medicação para o tratamento de leishmaniose que existia aqui era de uso humano e não era permitido usar em cachorros, porque havia medo de o parasita ficar resistente à medicação e isso afetar o tratamento das pessoas. Ficávamos sem opção para tratar os animais. Já em outros países, existia o medicamento específico para eles”, explica Eliana.

A medicação oral e à base de miltefosina, tomada por Thor, é uma substância capaz de praticamente eliminar as leishmânias presentes no organismo do animal, no entanto, é cara, pois é importada. A veterinária orienta que, quando o proprietário não tiver condição de fazer o tratamento, por envolvimento com a saúde do animal ou por questões financeiras, o ideal é doá-lo a quem possa tratá-lo ou entregá-lo ao centro de controle de zoonose.

O tratamento com a miltefosina visa diminuir a carga parasitária no sangue do cachorro. “Não dá para afirmar que ele fica curado, mas se torna um animal clinicamente sadio e com chance muito baixa de transmitir”, garante Eliana. Segundo ela, estudos mostraram redução de 97% a 99% de parasitas no animal. Mesmo assim, ela alerta: “É importante fazer exames de sangue periódicos para saber como está a evolução da doença e do tratamento e o uso de repelente sempre”.

Prevenção

Evitar, com repelente, que os animais (sadios ou não) sejam picados é um dos três pilares da prevenção da leishmaniose. A veterinária, acupunturista e praticante de medicina tradicional chinesa Edna Maria Guimarães Gomes, da @calorquecura, alerta para o segundo: a necessidade de tratar o ambiente. “Qual é o principal fator que vai fazer o mosquito vetor da leishmaniose proliferar? Resto de frutas no quintal, fezes de cocô, terreno sujo. Se não tiver nada disso, ele não estará ali”, garante.

Edna entende, no entanto, que, em Brasília, com tantas árvores frutíferas, pode ser difícil controlar o ambiente por completo. “Na época da manga, por exemplo, ninguém consegue cuidar o dia inteiro.” Daí vem o terceiro pilar da prevenção: a vacina. Embora não seja 100% efetiva, aliada a um ambiente o mais limpo possível e ao uso de repelente, evita o contágio da leishmaniose.

Outras terapias 
  • Assim como a ozonioterapia deu qualidade de vida para Thor durante o tratamento com miltefosina, a veterinária Edna alerta para essa e outras possibilidades nesse quesito. “Existem 555 mil citações científicas sobre os benefícios do ozônio e ele já está na saúde pública da França e da Alemanha”, afirma. Além dele, pode-se fazer uso de acupuntura, dietoterapia chinesa e fitoterapia. “Geralmente, a leishmaniose causa artrite em todas as articulações do animal, a acupuntura vai melhorar essa dor”, explica. Além disso, melhora a imunidade do pet.

Alternativa
  • Ozonoterapia é uma forma de medicina alternativa usada para aumentar a quantidade de oxigênio no corpo introduzindo ozônio. Pode ser administrado por diversas vias do corpo. O ozônio utilizado para fins medicinais é sempre misturado com oxigênio e deve ser ministrado por especialistas.


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