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Confira como tratamento para leishmaniose é possível

Medicação potente já está disponível no Brasil e pode significar o fim do sacrifício do animal

Renata Rusky
postado em 15/03/2020 04:19
Karol Jota usou ozonioterapia no tratamento de Thor Há 30 anos, a leishmaniose era considerada uma parasitose em extinção. Mas, de lá para cá, ela voltou com tudo e já se espalhou pelo país inteiro, inclusive em grandes cidades, como Brasília. A zoonose, ou seja, atinge seres humanos e animais, é transmitida pela picada de um mosquito do tamanho de uma pulga. Em humanos, há tratamento eficaz há décadas; em animais, porém, até três anos atrás, era uma doença fatal, já que não havia medicamento autorizado no Brasil para eles. Quase todo mundo conhece alguém que sofreu por precisar sacrificar o pet por conta da doença.

Agora, é possível tratar, mas a medicação é forte. São 28 dias de doses bem calculadas, de acordo com o peso do animal. A veterinária Eliana de Farias, da Doctora Vet, explica que o remédio não pode, de forma alguma, ser banalizado. ;Pela bula, ele é seguro para o rim e para o fígado. Mas se os animais já estão com insuficiência renal ou hepática por conta da doença, o médico precisa pesar o risco e o benefício que o animal teria com o tratamento, porque, mesmo seguro, precisa de órgãos competentes para metabolizar a medicação;, explica.

Portanto, segundo ela, é importante uma avaliação bem próxima do animal. De acordo com a veterinária, com absorção no trato gastrointestinal, muitos animais em tratamento vomitam, têm diarreia, ficam prostrados por dores abdominais, sentem náusea e perdem apetite.

Tudo isso, assustou muito a enfermeira e influenciadora digital Karol Jota, 31. Ela adotou Thor, de 2 anos, quando filhote, com parvovirose, sem saber. ;Cheguei em casa, um dia, e estava tudo vomitado;, conta. Levado ao veterinário, a notícia foi que, se ele resistisse aos sete primeiros dias, sobreviveria. Com um grande cuidado da dona, ele conseguiu. Acostumada a fazer ozonioterapia em humanos, ela resolveu aplicar também no cachorro. Pediu à veterinária que deixasse um acesso no animal e fez em casa, o que o deixou bem melhor.

Outra coisa que Karol acabou descobrindo sobre o animal é que toda a sua família tinha histórico de leishmaniose. Ele precisava fazer exame. Há três meses, Thor entrou no tratamento contra a doença. Por três dias, ele nem se levantava. Comia deitado. E pouco. ;Eu fiquei desesperada. A veterinária ainda me disse que tinha alguns cães que ficavam os 28 dias sem comer;, relembra.

Mais uma vez, Karol lançou mão da ozonioterapia. ;No mesmo dia, ele se levantou;, conta. Ela brinca que a tratamento era, para Thor, ;o espinafre do Popeye;, porque sempre que ele começava a ficar abatido, a ozonioterapia resolvia. A experiência, para a tutora, foi tão gratificante, que ela até se inscreveu no curso de medicina veterinária. Deve começar no próximo semestre.

Desde então, ela passou a fazer ozonioterapia também em seus outros dois cachorros, saudáveis, para melhorar a imunidade. ;Aqui, sempre foquei na prevenção: o quintal é bem limpo, passo citronela neles para não serem picados, compro a ração mais natural que tem, sem glúten, sem cereais, com 98% de proteína, dou ômega 3, própolis, açafrão e um ovo caipira para todos diariamente. O que eu gasto com esses cuidados, economizo com veterinário;, afirma.

A lesihmaniose

Segundo a veterinária Eliana, na capital federal, o tipo mais comum de leishmaniose é a visceral. ;Ela causa um quadro clínico mais silencioso, porque vai prejudicando os órgãos do animal. O outro tipo, a tegumentar, já apresenta um quadro mais típico e é mais fácil de diagnosticar. Você vê muita queratinização da pele, feridas no corpo, nos olhos, no nariz. Tem aquela cara de propaganda de conscientização sobre a doença;, descreve.

Até três anos, a solução era a eutanásia, tão dolorida para os donos dos pets. ;A medicação para o tratamento de leishmaniose que existia aqui era de uso humano e não era permitido usar em cachorros, porque havia medo de o parasita ficar resistente à medicação e isso afetar o tratamento das pessoas. Ficávamos sem opção para tratar os animais. Já em outros países, existia o medicamento específico para eles;, explica Eliana.

A medicação oral e à base de miltefosina, tomada por Thor, é uma substância capaz de praticamente eliminar as leishmânias presentes no organismo do animal, no entanto, é cara, pois é importada. A veterinária orienta que, quando o proprietário não tiver condição de fazer o tratamento, por envolvimento com a saúde do animal ou por questões financeiras, o ideal é doá-lo a quem possa tratá-lo ou entregá-lo ao centro de controle de zoonose.

O tratamento com a miltefosina visa diminuir a carga parasitária no sangue do cachorro. ;Não dá para afirmar que ele fica curado, mas se torna um animal clinicamente sadio e com chance muito baixa de transmitir;, garante Eliana. Segundo ela, estudos mostraram redução de 97% a 99% de parasitas no animal. Mesmo assim, ela alerta: ;É importante fazer exames de sangue periódicos para saber como está a evolução da doença e do tratamento e o uso de repelente sempre;.

Prevenção

Evitar, com repelente, que os animais (sadios ou não) sejam picados é um dos três pilares da prevenção da leishmaniose. A veterinária, acupunturista e praticante de medicina tradicional chinesa Edna Maria Guimarães Gomes, da @calorquecura, alerta para o segundo: a necessidade de tratar o ambiente. ;Qual é o principal fator que vai fazer o mosquito vetor da leishmaniose proliferar? Resto de frutas no quintal, fezes de cocô, terreno sujo. Se não tiver nada disso, ele não estará ali;, garante.

Edna entende, no entanto, que, em Brasília, com tantas árvores frutíferas, pode ser difícil controlar o ambiente por completo. ;Na época da manga, por exemplo, ninguém consegue cuidar o dia inteiro.; Daí vem o terceiro pilar da prevenção: a vacina. Embora não seja 100% efetiva, aliada a um ambiente o mais limpo possível e ao uso de repelente, evita o contágio da leishmaniose.

Outras terapias
  • Assim como a ozonioterapia deu qualidade de vida para Thor durante o tratamento com miltefosina, a veterinária Edna alerta para essa e outras possibilidades nesse quesito. ;Existem 555 mil citações científicas sobre os benefícios do ozônio e ele já está na saúde pública da França e da Alemanha;, afirma. Além dele, pode-se fazer uso de acupuntura, dietoterapia chinesa e fitoterapia. ;Geralmente, a leishmaniose causa artrite em todas as articulações do animal, a acupuntura vai melhorar essa dor;, explica. Além disso, melhora a imunidade do pet.

Alternativa
  • Ozonoterapia é uma forma de medicina alternativa usada para aumentar a quantidade de oxigênio no corpo introduzindo ozônio. Pode ser administrado por diversas vias do corpo. O ozônio utilizado para fins medicinais é sempre misturado com oxigênio e deve ser ministrado por especialistas.


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