Correio Braziliense
postado em 05/04/2020 04:28
Estamos vivendo um período em que a insegurança é um sentimento comum. O constante aumento do número de infectados por coronavírus e a possibilidade de algum parente, ou até nós mesmos, entrarmos para essa estatística, assusta.
Somadas a esses fatores, estão as dificuldades em se manter isolado da sociedade. Agora, os horários reservados para ocupar os locais públicos, como academias e restaurantes, foram substituídos por 24 horas com os familiares mais próximos, entre quatro paredes. Essas e outras mudanças recentes na rotina são capazes de gerar estresses que afetam mente e corpo.
A estudante de administração Nagela Beatriz Meneses, de 20 anos, conta que o medo da pandemia bater à sua porta tem gerado frequentes crises de ansiedade que deixam seus parentes assustados, sem saberem o que fazer. “Há alguns anos fui diagnosticada com depressão e ansiedade, fiz o tratamento e não tinha sentido nenhuma crise até a chegada desse coronavírus”.
Em um primeiro momento, a estudante achava que não seria necessário um retorno ao médico, mas se viu convencida pelo estado de ansiedade e está fazendo uso de medicações e sendo acompanhada por especialistas.
Além disso, ela adicionou à rotina de isolamento sessões de meditação e leituras para manter os pensamentos tranquilos, dentro do possível, diante das constantes atualizações sobre o que vivemos.
Nagela, no entanto, não está sozinha no desassossego. Segundo Eloah Mestieri, psicanalista especialista em bem-estar na terceira idade, tanto quem fica em casa, quanto quem tem que sair para trabalhar, sofre com o medo de contrair o vírus, não saber quanto tempo tudo isso vai durar e se preocupa quanto às reservas financeiras.
Todas essas angústias que martelam em nossa cabeça também podem gerar consequências físicas como dores, inflamações, alergias, entre outras doenças. “O medo causa aumento do cortisol, que é o hormônio do estresse. Esse aumento, junto com a baixa da endorfina, um dos hormônios do bem, diminui a imunidade da pessoa, deixando-a mais vulnerável”, explica.
Para tentar afastar esses agentes internos e externos, ela indica, para os idosos e demais faixas etárias, uma quarentena que inclua banhos de sol, contato com pessoas, mesmo que por telefone, manter ou iniciar um hobby, tocar um projeto desafiador e estudar assuntos de interesse que não a façam sentir que está perdendo tempo. “O sentimento de perda de tempo não é legal, ele abaixa nossa autoestima. Agora, se você se dedicar a alguma coisa, quando acabar essa quarentena, você verá que agregou valor, se enriqueceu intelectualmente ou se aperfeiçoou em alguma coisa”.
Além desses, os cuidados para se sentir bem, como usar uma roupa que goste, passar um batom, ou fazer a tão desejada limpeza no guarda-roupa e perfumar a casa, são igualmente importantes para evitar os sentimentos ruins.
*Estagiária sob supervisão de Taís Braga
Em busca do equilíbrio
- Use óleos essenciais, sobretudo o de lavanda.
- Faça controle de respiração para que o organismo entenda que você está seguro e diminua os níveis de estresse.
- Se possível, durma antes das 22h e acorde por volta das 6h, mantenha uma rotina do sono, sem grandes variações.
- Faça atividades físicas, de preferência antes do meio-dia.
- Evite atividades físicas que liberem muita adrenalina, como o crossfit, após às 16h.
- Mantenha alimentação regrada e balanceada.
- Tenha períodos de exposição solar.
- Tenha momentos longe do celular e das notícias alarmantes.
- Nos dias anteriores à menstruação, evite bebidas alcoólicas e consumo de drogas; busque ter mais contato com a natureza e faça atividades que acalmem; evite desavenças.
O estresse e os oito problemas dermatológicos
Assim como a ansiedade e a depressão, o estresse também pode ser causa de diversos sintomas físicos, em especial alguns manifestados pela pele. Segundo a dermatologista e membro da sociedade brasileira de dermatologia Paola Pomerantzeff, os surgimentos das doenças também estão ligados às alterações hormonais e à baixa da imunidade, que tornam o corpo mais vulnerável às infecções. Entre os oito problemas comuns relacionados à saúde mental e denunciados pela pele, estão:
- Acnes: Na fase adulta, o surgimento pode ser resultado do aumento da tensão. "O estresse leva à produção de cortisol, estimulando os hormônios androgênios e acionando as glândulas sebáceas, que liberam óleos na pele, entupindo os poros e causando espinhas e cravos”, explica ela. A pouca imunidade também contribui para a proliferação de bactérias ligadas à acne. A dermatologista indica não cutucar, pois os microrganismos presentes nas unhas podem causar um processo inflamatório, e ir ao médico para investigar e tratar o quadro levando em consideração a parte hormonal e os hábitos de vida.
- Alergias: Urticária, psoríase, dermatite seborreica e herpes: todos esses problemas podem ser desencadeados pelo fator emocional. “A urticária nervosa pode trazer sintomas como coceira intensa em todo o corpo. Esses sintomas acontecem em pessoas que já possuem predisposição, e o estresse acaba por exacerbar a situação”, diz a médica. A psoríase é uma doença de base genética, também agravada pelo estresse, que se manifesta por placas vermelhas que descamam e, nos casos mais intensos, chegam a sangrar. A dermatite seborreica é composta por lesões descamativas que podem atingir o couro cabeludo e o rosto, principalmente na região que compreende a testa, o nariz e o queixo. Elas aparecem na forma de vermelhidão com ou sem coceira e no couro é a popular caspa. Por fim, a herpes é uma infecção causada por um vírus presente em cerca de 90% da população, mas que só é ativado em algumas pessoas, principalmente em situações de estresse.
- Pele frágil: Paola explica que o cortisol resulta também na quebra de proteínas dérmicas e que, em grande quantidade, isso pode fazer com que a pele possa se machucar facilmente. No entanto, segundo ela, esse sintoma é mais associado à síndrome de Cushing — doença provocada pela alta concentração do hormônio cortisol, que traz diversos outros sintomas.
- Problemas na cicatrização: O nível de cortisol pode tornar mais difícil a cicatrização, já que influenciam na rapidez com que as feridas se regeneram — a cicatrização de tratamentos estéticos também pode ser prejudicada.
- Olheiras: Noites mal dormidas, por si só, podem ser sinais de tensão e ansiedade mas, nesse caso, as olheiras, que são bolsas ou manchas escuras abaixo dos olhos, podem aparecer piores do que aquelas de origem genética, em função da inflamação causada pelo sistema imunológico comprometido e da baixa produção de colágeno.
- Linhas e rugas: O estresse também pode prejudicar a renovação das células da pele, uma vez que alteram os cromossomos que têm como função a proteção do DNA. A consequência disso é a aceleração do envelhecimento e o surgimento de linhas finas e rugas.
- Queda de cabelo: A perda de fios também pode estar ligada aos problemas emocionais. Junto ao cortisol, outros hormônios são constantemente liberados e podem afetar o organismo, fazendo com que não consiga controlar o nível de substâncias químicas no sangue. “Dessa forma, os hormônios alteram os folículos capilares e estes entram na fase telógena, que corresponde à fase da queda”, esclarece.
- Pomerantzeff: “No caso do eflúvio telógeno, condição que altera a saúde do couro cabeludo e o ciclo natural dos fios, a queda de cabelo excessiva pode ocorrer em até três meses após um evento estressante”.
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