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Correio Braziliense

Decoração moderna e atual direto dos anos 60

Das pranchetas de arquitetos e designers candangos, a cara da Brasília moderna que guarda a história sexagenária


postado em 28/04/2020 14:55 / atualizado em 28/04/2020 14:52

 

Espaço criado por Clay Rodrigues, do escritório de arquitetura Debaixo do Bloco. Nesse ambiente diversos elementos se conectam a Brasília, sendo o concreto o mais chamativo. As janelas mostrando as copas das árvores e os móveis leves e simples, em madeira, ajudam a criar o clima brasiliense(foto: Joana França/Divulgação)
Espaço criado por Clay Rodrigues, do escritório de arquitetura Debaixo do Bloco. Nesse ambiente diversos elementos se conectam a Brasília, sendo o concreto o mais chamativo. As janelas mostrando as copas das árvores e os móveis leves e simples, em madeira, ajudam a criar o clima brasiliense (foto: Joana França/Divulgação)


Honrar a história e a identidade da arquitetura candanga sem se prender a um ar de passado antiquado é um dos objetivos de arquitetos e designers com DNA brasiliense. Imprimir a personalidade sexagenária da capital em peças e ambientes com corpinho de 20 é a mistura ideal para a tendência de decoração que é a cara da cidade.

Quem vive em Brasília já teve a sensação de entrar em um ambiente e se sentir transportado aos anos 60. São muitos os espaços públicos e até domésticos que passam essa impressão. O que os jovens brasilienses apaixonados pela cidade buscam é unir essa sensação à modernidade, algo que está ligado à criação de Juscelino Kubitschek.

A identificação com a cidade desperta o desejo de homenagear a história e estampar esse traço de si mesmo na decoração de um lar, o que pode ser feito tanto em estilo arquitetônico quanto com objetos característicos.

Entre os elementos que ajudam a criar um “ar brasiliense”, o arquiteto Samuel Lamas destaca plantas abertas, ambientes integrados e bastante leveza. Uma das mudanças que traz é o uso de materiais mais aconchegantes, uma vez que nos anos 1960 eram usados revestimentos considerados “frios”, como cerâmica e pastilhas.

 

Ambiente criado por Samuel Lamas, onde o uso de madeira e móveis modernistas com linhas simples evocam Brasília. As janelas e portas de vidro também ajudam a criar o clima de amplitude típico da capital(foto: Haruo Mikami/Divulgação)
Ambiente criado por Samuel Lamas, onde o uso de madeira e móveis modernistas com linhas simples evocam Brasília. As janelas e portas de vidro também ajudam a criar o clima de amplitude típico da capital (foto: Haruo Mikami/Divulgação)
 


“A ideia sempre foi respeitar essa identidade, sem apego ao passado e com vivência contemporânea”, acrescenta Samuel. Ele explica que o fato de a cidade ter sido construída de forma pensada, com espaços e decorações baseados na simplicidade e no essencial, sem ornamentação exagerada, faz com que ela permaneça sempre moderna.

O arquiteto Clay Rodrigues, do Debaixo do Bloco, costuma se inspirar no macro e adaptar ao micro, usando influências de prédios para montar uma sala ou quarto. Um dos artifícios que costuma reproduzir nas paredes é uma faixa de 2cm a 3cm que aparece pintada na base e no topo de pilotis em prédios que “solta” o pilar do chão e do teto.

Clay também investe no concreto e no granilite, revestimentos que são referências em halls e quadras de Brasília. Ele explica que a mistura desses elementos, tão típicos ao gosto e personalidade de cada cliente, garantem a autenticidade e contemporaneidade dos espaços. A mescla do estilo de mobiliário moderno com o sessentista também é uma característica dos projetos que traz a atemporalidade.

O cobogó, que durante uma época foi desvalorizado, assume um protagonismo na decoração tipicamente candanga. É um dos queridinhos dos clientes e profissionais da área.

Brasiliense, Clay enxerga Brasília como arte e cultura e se sente honrado ao levar pedacinhos da capital para outras cidades do Brasil e do mundo. “Meu papel, no meu trabalho, é esse: exaltar e valorizar minha cultura”.

Com a cara de Brasília


* Para apartamentos ou espaços menores, móveis leves e vazados são ideais para manter a sensação de amplitude

* A mistura entre ferro preto e madeira tem ar sofisticado que relembra os anos 1960

* Evite móveis e espaços com muitos detalhes, prefira linhas retas e conceito limpo, com poucos itens

* Crie comunicação com a área externa, aproveite a arborização da cidade investindo em janelas amplas e persianas que pemitam controlar o nível de visibilidade

* Aposte em paredes brancas e mobiliário modernista

* Luminárias básicas também são  elementos que ajudam na atmosfera simples



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