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Correio Braziliense

Vamos festejar! Repensando celebração, ainda é possível curtir aniversários

Comemorações de aniversário e datas especiais ganham força para superar a distância pelo isolamento. Muda o estilo, mas o carinho é o de sempre; confira dicas para curtir a festa com toda a segurança


postado em 17/05/2020 17:30 / atualizado em 17/05/2020 17:33

Maria Luíza, com o namorado Felipe, foi surpreendida com carinho dos amigos: lembrancinhas na portaria (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
Maria Luíza, com o namorado Felipe, foi surpreendida com carinho dos amigos: lembrancinhas na portaria (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
Para aqueles que não são fãs de comemorar aniversário e têm pavor de reuniões de famílias e amigos para assoprar as velas e cantar parabéns, o isolamento social é a desculpa perfeita para passar a data dentro do quarto. Mas, no outro extremo, há os que amam a data e nunca deixaram de comemorar, seja com viagens, festas, almoços e jantares, ou com tudo isso junto, em uma maratona de comemorações.

E, durante a pandemia de coronavírus, os apaixonados por aniversário — alguns que se planejavam desde o começo do ano — precisaram repensar os planos e encontrar novas formas de vivenciar o dia especial.

A tristeza em não poder se reunir com as pessoas amadas no dia do nascimento se soma a todas as outras preocupações, medos e incertezas que estamos vivendo e, para não se entregar, vários arianos e taurinos resolveram encontrar alternativas para festejar.

A empresária Maria Luíza Amorim, 24 anos, sempre amou aniversário, passa o ano inteiro ansiosa pelo dia 3 de maio e nunca deixou de curtir a data, fosse entre poucas pessoas ou uma multidão, em um boteco ou em um salão de festas.

Este ano, estava planejando uma grande festa, mas em fevereiro já começou a desanimar e quando o isolamento social começou, Maria Luíza sabia que o evento não ia acontecer. “Além do isolamento, com tudo que estamos passando, percebi que não faria sentido. O foco das preocupações não era mais esse”, lembra.

A jovem ficou frustrada, em um primeiro momento, principalmente porque o que mais gosta é de reunir as pessoas que ama, mas logo passou a enxergar o lado bom e planejar o que faria dentro de casa, com a família e o namorado que estão passando o isolamento com ela. “Eu poderia até chamar algumas amigas para minha casa, como eu vi muita gente fazendo. Mas eu acho uma grande falta de noção e empatia não respeitar a quarentena”, considera.

A mãe, a dentista Leila Amorim, 44 anos, o padrasto, o médico Manuel Palacios, 43, o namorado, o empresário Felipe Castanheira, 27, e a irmã mais nova de Maria Luíza, Isabella Amorim, 3, fizeram de tudo para que Maria Luíza se sentisse especial durante o dia.

Leila preparou um almoço especial, a família abriu uma garrafa de vinho, assistiu a lives musicais e, claro, cantou parabéns e comeu bolo. Alguns amigos criaram chamadas de vídeo e Maria Luíza e Felipe puderam ouvir música e cantar junto com eles. A tristeza foi apenas de não poder sentir o amor e carinho dos amigos de perto, mas até esse sentimento foi amenizado com alguns mimos.

O interfone tocou e Maria Luíza foi surpreendida. Um bolo, cartas, presentes e balões foram encomendados e deixados por amigos no prédio da aniversariante. “Não esperava por isso, foi lindo ver as pessoas lembrando de mim no meio de tudo que estamos vivendo”.

Maria Luíza acredita que, talvez, sem a pandemia, as pessoas não teriam tido tanto trabalho em demonstrar o carinho e que isso é algo que devemos manter na rotina mesmo quando tudo acabar, mostrar para as pessoas o quanto elas são queridas e importantes.

Já que este ano não teve jeito, Maria Luíza afirma que a festa do ano que vem vai ser ainda maior do que planejava, e vai ser tomada por um sentimento de esperança. “Vou valorizar ainda mais meu aniversário e a possibilidade de estar perto das pessoas que a gente ama, coisa que, às vezes, esquecemos o quanto é bom”.

O aniversário da caçula Isabella, em 20 de março, também foi afetado. A empresária conta que a festa da irmã estava toda organizada e na época a família ainda achava que poderia manter a comemoração. Mas o avanço da pandemia foi rápido e todos os convites foram cancelados.

Os itens encomendados, como as lembrancinhas, o painel e a mesa do bolo mudaram do endereço do salão de festas para o apartamento da família. A festa da pequena aconteceu entre a família e Isabella e Maria Luíza esperam ansiosamente pelos aniversários em 2021.

Dicas para surpreender pessoas especiais e comemorar com a vizinhança
  • Em prédios e condomínios é possível distribuir convites ou lembrancinhas para um parabéns comunitário.
  • Fazendo um retorno triunfal, os carros de som com mensagem também têm sido usados para parabenizar e surpreender.
  • Carreatas também são uma possibilidade de cumprimentar e dar parabéns de longe, mas é necessário estar atento às recomendações de segurança e distanciamento.
  • As tradicionais cestas de café da manhã estão em alta e com diversas opções a depender da ocasião.
  • Os horários das cestas também podem ser diferenciados, alguns amigos podem pedir juntos o mesmo delivery e fazer um happy hour por videoconferência.
  • As videoconferências e ligações de vídeo têm sido uma grande aliada para estar perto, mesmo de longe. Que tal surpreender o aniversariante com todos os amigos ao mesmo tempo?
  • Diversas lojas implantaram serviços de delivery, desde roupas e acessórios, até balões e bolos. Presentes também podem ser encomendados on-line.
  • Para dar um toque especial e pessoal, a mensagem de celular ou e-mail, pode ser substituída por uma carta enviada pelos Correios.
  • Sempre atuais, as flores e buquês são uma forma de mostrar para a pessoa amada que ela não foi esquecida.

A festa da Luna 

Assim como Isabella Amorim, Isadora Couto Fleury Curado também comemorou seus três anos durante o isolamento social. Desde o início do ano ela comunicou na creche que teria uma festa com o tema “Show da Luna”.
 
Isadora ganhou festa dos moradores do prédio e mensagens da família pela internet(foto: Arquivo Pessoal)
Isadora ganhou festa dos moradores do prédio e mensagens da família pela internet (foto: Arquivo Pessoal)
 

A mãe, a servidora pública Uiara Couto de Mendonça, 36 anos, conta que a família tinha combinado que se não fizesse festa este ano, iria viajar, mas quando soube pela professora do comunicado da filha para os colegas, achou graça na empolgação e resolveu fazer uma pequena comemoração na creche.

Mas vieram o isolamento, a suspensão das aulas e não apenas da festa, mas também da viagem em família. Como Isadora já estava com uma grande expectativa pelo aniversário, Uiara manteve os enfeites com o tema escolhido para a comemoração em casa e começou a considerar outras possibilidades. “Ela é uma criança muito intensa, não podia deixar passar em branco”, lembra.

Ao saber de um projeto no qual uma banda estava se apresentando embaixo dos prédios em Águas Claras, Uiara resolveu que um show seria uma forma de incrementar o aniversário da filha e também de levar um pouco de alegria aos vizinhos.

A servidora fez um convite informando sobre o show, o horário e convidando todos para cantar parabéns para Isadora nas janelas e varandas. Junto, entregou uma rosa em cada um dos 90 apartamentos.

Em casa, com as decorações do Show da Luna, salgadinhos, doces e bolo, Uiara, o marido — o servidor público Clóvis Felix Curado Júnior, 51 — e a enteada Giovanna Pinheiro Fleury Curado, 15, cantaram parabéns e fizeram videochamadas para a família e amigos.

No horário combinado do dia 14 de abril, vários vizinhos estavam com taças, brindando, chamando Isadora. Um deles tocou parabéns no saxofone e a noite se transformou em uma grande festa. Eufórica, Isadora não acreditava que todos estavam cantando para ela.

“Obrigada, meu aniversário foi inesquecível”, foram as palavras de agradecimento da aniversariante. Uiara conta que vizinhos interfonaram agradecendo também, pessoas se emocionaram, pediram para conhecer a família quando tudo se normalizasse.

A servidora acredita que a iniciativa tirou um pouco o peso que todos estão sentindo durante o isolamento e permitiu que vizinhos que não se conheciam se conectassem e passassem a conversar pelas janelas. “Foi algo simples e muito gratificante. O retorno que tivemos foi maravilhoso”.

A conspiradora de surpresas

Em alguns casos, a iniciativa partiu de parentes ou amigos, que não queriam deixar a data passar em branco. A empresária Raíssa Oliveira Guimarães, 30, esteve por trás da organização de duas surpresas de aniversário, da prima mais nova e da cunhada.

Raíssa conta que a caçula entre 10 primos comemorou 18 anos no dia 3 de maio, no meio do isolamento social, e como ela seria a última da geração a completar a maioridade, a família, que estava sempre reunida, não queria deixar a data sem uma comemoração adequada.

A estudante Gabriella Oliveira Fontenele, 18, estava ansiosa para as comemorações com a família em um restaurante e com os amigos em um clube, além de estar animada para “finalmente” tirar a carteira de motorista, mas viu todos os planos serem adiados.
 
Gabriella fez 18 anos e foi surpreendida por uma carreata organizada pelos amigos e familiares(foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
Gabriella fez 18 anos e foi surpreendida por uma carreata organizada pelos amigos e familiares (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
 

Enquanto estava em um churrasco no quintal de casa, apenas com os pais e irmãos, Gabriella foi vendada pela irmã e levada para a rua, chegando lá, a estudante foi surpreendida por uma carreata com todos os primos, amigos, tios e tias.

Com balões, apitos, buzina e muita alegria, a família comemorou junta, mas cada um da sua janela. “Chorei demais, fiquei emocionada e muito grata por tanto amor. Mas ao mesmo tempo foi um pouco agoniante não poder abraçar todos que amo”, confessa Gabriella

Até a avó, que não via nenhum dos 10 netos desde o início do isolamento, pode mandar beijos distantes, da janela fechada, para toda a família. “Somos muito grudados e minha avó não passava um dia sem ver pelo menos um de nós. Então, foi muito bom para ela também”, conta Raíssa.

A outra comemoração que Raíssa ajudou a organizar foi menor, mas não teve menos amor. A estudante Nathália Figueiredo Dias, 28, é irmã de consideração do marido de Raíssa, o analista de TI Marcos Vinicius Noronha Tavares, 30, e madrinha do filho caçula de Raíssa, Ravi, 8 meses.
 
Nathália recebeu a visita do afilhado Ravi: primeiro aniversário como madrinha(foto: Arquivo Pessoal)
Nathália recebeu a visita do afilhado Ravi: primeiro aniversário como madrinha (foto: Arquivo Pessoal)
 

A família via-se todo fim de semana e Nathália participava de todos os “mesversários” de Ravi. “Era o primeiro aniversário dela como madrinha e comadre e não queríamos deixar de fazer algo especial”, lembra Raíssa.

Surgiu então a ideia de levar um pequeno recado para a madrinha. Raíssa, Marcos, Ravi e a filha mais velha da empresária, Suri Guimarães Corezzi, 11, escreveram bilhetes e entraram no carro para distribuir um pouco mais de alegria.

Nathália, que tinha o hábito de sempre comemorar o aniversário com a família e os amigos, estava em casa com o pai, a mãe e o irmão quando pode matar as saudades do afilhado, mesmo que de longe.

Alguns amigos também passaram de carro para desejar parabéns das janelas e deixar presentes para Nathália. O aniversário, com recados distantes, foi diferente do que ela imaginava e esperava, mas foi especial. “Almocei com minha família, minha mãe fez um bolo e eu me emocionei com tanto amor”.

Raíssa acredita que suas ideias e a vontade de não deixar ninguém sem saber o quanto é amado vem do fato de ela mesma amar aniversários. “É uma data importante, de a gente ser grato por tudo que tem na vida e todas as pessoas ao nosso redor. Mesmo nesse caos que vivemos, é importante agradecer”, completa.

 

 

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