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Correio Braziliense

Uso obrigatório: as máscaras podem ser estilosas e cheias de personalidade

As máscaras faciais, importantes para a proteção contra a infecção pelo coronavírus, ganham customizações que passam mensagens positivas


postado em 21/05/2020 08:00 / atualizado em 20/05/2020 20:57

Máscara de Toys e Omik (foto: Daniel Oliveira/Divulgação)
Máscara de Toys e Omik (foto: Daniel Oliveira/Divulgação)
Como uma forma de barrar o aumento no número de transmissões do coronavírus, o  uso de máscaras de proteção individual se tornou obrigatório no Distrito Federal no dia 30 de abril e a fiscalização e cobrança de multas para quem descumprir a medida começaram no dia 11 de maio.

A determinação foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF). O equipamento de segurança deve ser usado em todos os espaços públicos, vias, transporte público coletivo e estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços no âmbito do DF. Quem descumprir a norma estará cometendo crime de infração de medida sanitária e pode receber multa de pelo menos R$ 2 mil.

O uso obrigatório das máscaras aumentou ainda mais a procura pelo equipamento de segurança. Com isso, diversas pessoas, marcas e empreendedores da cidade passaram a produzir máscaras reutilizáveis para venda. Muitos uniram a vontade de ajudar e criar produtos que podem ajudar à necessidade de manter uma renda mínima para pagar as contas.

Esse foi o caso da artesã e designer Simone Souza, da fisioterapeuta Gabriela Junqueira e dos artistas Toys e Omik.

Simone tem uma loja de acessórios em madeira e conta que se viu sem renda de uma hora para a outra. Com o aumento na demanda por máscaras, ela enxergou uma possibilidade e chamou a irmã, designer, para criar estampas diferentes. Assim, Mica Souza e Simone criaram a BSB Máscaras.

As máscaras podem ser estampadas, com mensagens positivas ou até mesmo com desenhos de sorriso. “Ter que usar já é algo pesado, triste. Nossa ideia é aliviar esse período tão difícil com mensagens de incentivo e positividade e garantir nosso sustento”, diz Simone.

A cada cinco máscaras vendidas, as irmãs doam uma para os hospitais. Elas são feitas com duas camadas de tricoline 100% algodão e uma camada de tactel. Em virtude do conforto para quem precisa usar por mais tempo, elas trocaram o elástico por um fio para amarrar atrás da cabeça.

Máscaras que pagam contas


A fisioterapeuta Gabriela Junqueira alugou seu estúdio de pilates em janeiro deste ano e enxergou nas máscaras uma forma de pagar as contas. Com uma amiga, ela começou fazendo máscaras para elas. Alguns amigos e familiares pediram, e a produção aumentou. Na semana em que o aluguel venceria, preocupada por ver todo o planejamento de meses se perder, Gabriela viu nas máscaras uma forma de manter vivo o sonho do próprio estúdio.

Com um lado artesanal e a costura que aprendeu da avó, Gabriela produz as máscaras em duas versões, com ou sem a terceira camada de elastano, que aumenta a proteção e fica entre as duas camadas de tricoline.

Ela explica que enxerga o uso das máscaras como empatia e uma forma de demonstrar respeito ao próximo. “Se você não usa, mas tem alguém do seu lado usando, ele está protegendo você, fazendo a parte dele”.

De três em três dias, a fisioterapeita compra tecidos e produz. Ela sempre escolhe estampas novas, mas garante que a de lhamas e cores lisas, como preto, têm sido as mais vendidas. “Com um desenho ou estampa diferente, a pessoa se identifica de alguma forma, se sente representada já que o rosto está escondido”, completa.

Arte e autoestima


Os artistas consagrados na cidade, Toys e Omik também viram na venda de máscaras uma forma de manter a renda do ateliê. Quando as máscaras de tecido passaram a ser recomendadas, surgiu a ideia de fazer exemplares com pinturas. “Não estamos colocando nossa arte nas ruas, não podemos pintar como era antes, mas essa foi uma forma de continuar levando nosso trabalho para as pessoas. A máscara é feia e tem um estigma relacionado à doença. A gente quis transformar em algo legal e com identidade”, conta Toys.

Os artistas pensaram numa forma de enxergar tudo que tem acontecido de uma forma mais leve. Com as máscaras diferentes, podiam ajudar as pessoas a lidar com o fato de ter de usá-las de uma forma divertida, colorida, que pudesse levar um pouco de alegria.


Toys e Omik 

As máscaras têm dobraduras que permitem um melhor ajuste facial.
Duas camadas 100% algodão e uma de poliéster personalizado (R$ 20)
Como encomendar: Pelas contas no Instagram @toysdaniel e @mikaelomik


Gabriela Junqueira

As máscaras vêm com arame na região do nariz  Com duas camadas de tricoline 100% algodão (R$ 10)
Com uma camada de elastano entre as duas de tricoline (R$ 15)
Como encomendar: pelo 
Instagram @junqgabi ou pelo 
WhatsApp (61) 98241-7374
 
Máscaras Gabriela Junqueira (foto: Gabriela Junqueira/Divulgação )
Máscaras Gabriela Junqueira (foto: Gabriela Junqueira/Divulgação )
 

Das rendas às máscaras 


As designers de moda Ananda Dandara Aáker de Souza e Kelly Soares Aáker resolveram trocar as formas de vestidos de alta costura pelos itens de proteção. A iniciativa foi motivada pela vontade de criar máscaras alegres, que impactassem de forma positiva tanto na vida das pessoas, quanto no orçamento mensal das sócias.

Dandara conta que no início fez máscaras para doar, mas as pessoas começaram a pedir encomendas e as vendas se tornaram o substituto para os vestidos, que no momento não têm sido procurados pelas clientes. Depois de pesquisar modelos e tecidos, optou pelo tricoline e a sócia, depois de aceitar participar da empreitada, deu a ideia de incluir a renda em algumas das máscaras, mantendo a identidade do ateliê, mesmo que de forma simples.

Dandara e Kelly,  que optaram por criar uma conta no instagram apenas para a venda das máscaras, contam que “fizeram de tudo” para entregar um material de qualidade e que cumpra os deveres de proteção, sem elevar os preços. “Percebi que tudo ficou mais caro, os tecidos, o material para costurar. Nos esforçamos para manter um preço justo e acessível. Precisamos nos manter, mas queremos oferecer o mais barato possível, porque, ao mesmo tempo, queremos ajudar”, completa Dandara. 

Moda x necessidade


Nas últimas semanas surgiram na internet críticas a grifes mundiais e nacionais, que estão produzindo máscaras e cobrando mais alto do que os preços vistos até então no mercado. Algumas delas feitas com materiais puramente estéticos, que precisariam ser usadas em conjunto com as de algodão, por exemplo.

Grandes marcas usam o nome que agrega valor e acabam cobrando bem mais alto do que a maioria do mercado. O artista Toys acredita que isso seria inevitável, mas afirma que não compraria e que esse discernimento precisa vir da sociedade.

“O valor de uma máscara dessas pode ser usado para comprar várias, que poderiam ser doadas e ajudar muita gente que ainda não tem acesso, mas tem marcas e pessoas que querem lucrar”, diz.

Toys conta que ele e o sócio, Omik, avaliaram diversas questões ao determinar o preço das máscaras que vendem. Precisando de receita para manter o estúdio, chegaram a considerar valores um pouco mais altos, mas determinaram um preço que cobriria os custos, daria um pequeno lucro, embora acessível.

“Não vamos ficar ricos vendendo máscara, e nem queremos, mas precisamos pagar boletos”, pondera. Ele explica que as máscaras são produzidas por uma empresa familiar e que os motoboys ficam com as comissões da entrega. É a forma de os amigos pagarem as contas e continuarem contribuindo com a cidade.

O debate estende-se no que se refere à necessidade do item, que mesmo podendo ter cores, estampas e ser estilizado de maneira diferente, não deve ter como prioridade a aparência ou o status, mas, sim, a função de proteger a si e os outros.

Michelle Zicker, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica que as decorações excessivas comprometem a integridade das máscaras e podem causar acúmulo de sujeira, além de dificultarem a limpeza e o próprio ajuste no rosto. ”Esses enfeites podem estimular a manipulação da máscara durante a utilização, o que deve ser evitado”, completa a especialista. 

Eficiência de máscaras na proteção contra vírus


Muito alta
N95
Máscara cirúrgica
Filtro de papel
Máscara 100% algodão - 3 camadas

Alta
Máscara 100% algodão - 2 camadas
Tricoline 97% algodão - 2 camadas
Pano multiuso - 3 camadas

Moderada
Malha 100% algodão - 1 camada
Tricoline 97% algodão - 1 camada
TNT gramatura 40 - 3 camadas
Pano multiuso - 2 camadas

Baixa 
Pano multiuso - 1 camada
TNT gramatura 40 - 2 camadas
Máscara de confeiteiro

Muito baixa
TNT gramatura 40 - 1 camada

Método: Imagem e Espectroscopia Óptica
Responsáveis: prof. Maurício Foschini, prof. Adamo Ferreira Gomes do Monte (docentes do Instituto de Física da Universidade Federal de Uberlândia)


Brasília Máscaras

As máscaras vêm com um estojo para armazenamento.
Com duas camadas de tricoline 100% algodão e uma de tactel (R$ 25).
Como encomendar: pelo Instagram @brasilia.mascaras 
Brasília Másczras (foto: Brasília Máscars/Divulgação )
Brasília Másczras (foto: Brasília Máscars/Divulgação )

Máscaras Erotildes Sena

As máscaras são de popeline de algodão e brim 100% algodão, com duas camadas de proteção. O cliente pode optar por máscaras com ajuste de elástico nas orelhas ou atrás da cabeça. Os tamanhos são variáveis entre P, M e G e existem opções infantis (a partir de R$ 10) Como encomendar: Ligação ou mensagem para Erotildes Sena de Oliveira (61) 9 8176-4393 ou Isabella Matias (61) 9 8284-8805.
Máscaras com Estilo(foto: Máscaras com Estilo/Divulgação)
Máscaras com Estilo (foto: Máscaras com Estilo/Divulgação)

Máscaras com Estilo 

São feitas com tricoline 100% algodão e todas têm duas camadas. 
Caso o cliente queira, pode ter uma camada de renda por cima.
Kit com 5 máscaras (a partir de R$ 49,90).
Como encomendar: Pelo Instagram @mascarascomestilo, telefone (61) 9 9536-5408 ou e-mail dkateliedf@gmail.com

Higienização das máscaras

Segundo a infectologista Michelle Zicker 

  • Colocá-las de molho por 30 minutos em uma solução com água sanitária (500mL de água potável e 10ml de água sanitária). 
  • No caso de máscaras estampadas ou coloridas, a água sanitária pode ser substituída por desinfetante equivalente.
  • Após o tempo de molho, enxaguar em água corrente e lavar com água e sabão normalmente.
  • Não torcer a máscara com força e deixar secar, de preferência, no sol.
  • Depois de seca, passar a máscara com ferro quente e guardá-la em saco plástico.
  • Não esquecer de higienizar as mãos antes de retirar e após a lavagem da máscara.
  • Ao reutilizar, verificar se a máscara não apresenta danos (menos ajuste, desgaste, deformação) e precisará ser trocada.

Materiais recomendados 


As mais eficazes são as máscaras N95 e as de uso cirúrgico, porém o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Infectologia orientam e pedem que a população em geral não utilize o modelo, que deve ser prioridade para profissionais da saúde ou de pessoas que trabalham diretamente em contato com o vírus. Para tarefas diárias e de necessidade, os órgãos recomendam o uso de máscaras de fabricação caseira.

Os tecidos recomendados para a produção de máscaras são, em ordem de eficácia:
Tecido de saco de aspirador.
Cotton (composto por 55% de poliéster e 45% de algodão).
Tecido de algodão (como camisetas 100% algodão e tricoline).
Fronhas de tecido antimicrobiano.
 
Tecidos que podem irritar a pele, como poliéster puro e outros sintéticos, devem ser evitados.
Tão importante quanto o tecido usado, o Ministério da Saúde reforça que as máscaras devem ter, no mínimo, duas camadas e as medidas corretas, cobrindo totalmente a boca e o nariz, além de estarem bem ajustadas ao rosto nas laterais.
O órgão reforça que a máscara é uma proteção adicional para aqueles que precisam se deslocar e trabalhar, mas que o mais importante é seguir as regras de isolamento social, higienização das mãos e distanciamento social. 
 

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