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Correio Braziliense

Lágrima ácida pode causar manchas no rosto do pet, fique atento!

Fique de olho aberto, aprenda sobre o assunto e como cuidar da saúde ocular animal


postado em 22/05/2020 10:00 / atualizado em 20/05/2020 21:16

O poodle Léo teve lágrima ácida desde muito novo(foto: Arquivo Pessoal)
O poodle Léo teve lágrima ácida desde muito novo (foto: Arquivo Pessoal)
 
Lágrimas caindo, manchas escuras ao redor dos olhos e do focinho, com odor desagradável é um problema que muitos pets têm. É chamado de cromodacriorreia, mais conhecido como lágrima ácida e pode ser facilmente identificado pelos tutores. “Há vários fatores predisponentes, como a anatomia dos olhos e das pálpebras, falha na drenagem das lágrimas pelos ductos nasolacrimais (por obstrução ou má formação), juntamente, com a ação de bactérias oportunistas da própria pele”, explica o médico veterinário da Amahvet Vitor Castro.

Ele acrescenta que podem provocar irritações nos olhos, além de favorecer conjuntivites, infecções oportunistas e lesões crônicas. Para ajudar o pet, é necessário tratar a causa. “Uma alimentação adequada pode auxiliar na manutenção e evitar a recidiva, existem produtos tópicos para a limpeza da região escurecida que tiram o odor e clareiam a pele”, afirma Victor, graduado em veterinária pela Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul).

Apesar do termo popular “lágrima ácida”, esse problema não está diretamente relacionado ao pH da lágrima, já que o dos os cães está mais próximo do neutro. É o que afirma a veterinária Layla K. Souza Cruz. “O uso desse vocabulário gera bastante confusão entre os tutores. Cães e gatos têm um sistema que drena a lágrima da superfície dos olhos para o nariz por meio do ducto nasolacrimal, alguns cachorros também drenam para a boca”, explica. 

Segundo ela, os distúrbios nesse sistema podem ser de origem adquiridas como inflamação, infecção, trauma e obstruções por corpos estranhos. “Ou congênitas, como  tortuosidade do ducto nasolacrimal em cães e gatos braquicefálicos. Entrópio de canto medial (quando o animal nasce com a pálpebra dobrada para dentro)”, expõe a médica veterinária pela Universidade de Brasília (UnB).

Layla K. Souza é especializada oftalmologista veterinária e alerta que é muito comum em algumas raças de cães. “Maltês, Poodle Toy, Bichon Frisé, pequenos Terries, Chihuahua e outros braquicefálicos, como Shih Tzu, Lhasa Apso, Boxer e Pug”, diz. “Para os gatos das raças Persa, Exótico e Himalaio”, afirma ela, que trabalha na empresa Centro Veterinário da Visão (CVV). 
 

Amor e cuidado


A servidora pública Flávia Gusmão, 36 anos, conta que o cãozinho, chamado Léo, faleceu aos 18 anos. Ele era um poodle de pele clara e desde muito novo teve a lágrima ácida. “Era proveniente da raça. Percebia que ficava escuro na região abaixo dos olhos. Eu sempre limpava com soro”, conta. Ela relata que Léo faleceu há cerca de quatro anos. Naquela época, Flávia não sabia que havia rações e tratamentos que amenizam a cromodacriorreia. “Sempre cuidava da higiene dos olhos dele, como limpar com soro e tosando a região. Hoje em dia, eu tenho três cachorros que não têm lágrima ácida.”

Segundo a veterinária Layla K. Souza, esse problema é mais evidenciado em animais de pelagem clara, pois provoca mudança de coloração dos pelos na parte nasal e ventral da pálpebra, assumindo uma cor marrom avermelhado, chamando a atenção dos donos. “Essa mudança ocorre devido uma reação entre lactoferrina e porfirina, que substâncias presentes na lágrima, com as bactérias do pelo.”

O ideal é manter a região nasal e palpebral sempre secas. “A umidade também pode causar alterações na pele, como a dermatite. O animal pode ficar incomodado e acabar coçando, podendo gerar uma lesão na córnea, por exemplo, piorando o quadro. Uma dica para secar é usar gaze, pois o algodão solta fiapos”, orienta. “A forma mais eficaz de tratamento é descobrir a causa do problema, e para isso existem vários testes diagnósticos feitos pelo veterinário oftalmologista, pois o uso de medicações sem recomendação pode ser nocivo.”

Uma boa medida é a medicina preventiva com acompanhamentos periódicos, principalmente, para os animais predispostos. “Uma correta manutenção do sistema de drenagem e saúde da superfície ocular desses pacientes é fundamental. Fique de olho na saúde ocular do pet. A visão dele depende da sua”, diz a veterinária. 
 
*Estagiária sob supervisão de Taís Braga


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