Publicidade

Correio Braziliense

Doce vocação

Jovem troca a publicidade pela confeitaria e aproveita a pandemia para adoçar a vida de quem está em quarentena


postado em 31/05/2020 04:15 / atualizado em 01/06/2020 12:54

(foto: Guilherme Souto/Divulgação )
(foto: Guilherme Souto/Divulgação )
Desde o início da quarentena, Duda Patriota tem encarado vários desafios. O primeiro, vencer a timidez e gravar vídeos, nos quais ensina de forma didática, em sua página no Instagram, receitas fáceis, mas nem por isso triviais, de pães e doces. O segundo, tentar consolidar seu nome como confeiteira, profissão que abraçou meses antes de a pandemia começar e virar de ponta-cabeça a vida de todos.

Filha de diplomata, a brasiliense de 29 anos passou parte da infância e da adolescência fora do Brasil — uma oportunidade única para conhecer várias culturas e gastronomias, claro. Aliás, Duda cresceu cheia de referências culinárias. Além de a família adorar frequentar restaurantes, o pai da jovem é um cozinheiro de mão cheia. “A comida sempre fez parte das nossas vidas.”

Duda até tentava reproduzir alguns pratos, mas, muitas vezes, acabava se frustrando e desistindo. Quando saiu da casa dos pais para se casar, teve mais um incentivo para persistir nos experimentos. E contou com uma ajuda de peso: a do marido, também habilidoso com as panelas. “Passamos a maior parte do tempo na cozinha.”

Mas Duda nunca tinha visto a gastronomia como profissão, tanto que cursou publicidade, formou-se e começou a trabalhar em uma agência da cidade. Como queria manter um hobby, cozinhar lhe pareceu uma boa ideia. Perfeccionista, logo percebeu que não bastava seguir as receitas, ela queria dominar as técnicas. Por isso, em 2017, matriculou-se no curso de gastronomia.

A princípio, conciliava a faculdade e o trabalho na agência, isso até iniciar a disciplina de confeitaria e panificação, quando se descobriu completamente apaixonada pela arte de fazer doces e pães. “Como já andava desmotivada com a publicidade, percebi que poderia trabalhar com aquilo. Saí do emprego e passei a me dedicar 100% à gastronomia.”

Logo Duda se tornou monitora de confeitaria e começou a estudar mais e mais sobre o assunto. Fez cursos aqui e em São Paulo e, em junho do ano passado, deu um passo que se tornaria um divisor de águas na nova carreira: matriculou-se na conceituada Ecole Nationale Supérieure de Pâtisserie, do famoso chef Alain Ducasse, na pequena cidade francesa de Yssingeaux. Foram três meses de intenso aprendizado — dois de curso e um de estágio em uma chocolateria artesanal que está no top 10 das melhores da França, a Dechenaud.

Marca própria

De volta a Brasília, dedicou-se à criação da própria marca, a Duda Patriota. “Assim como fazem os franceses, decidi fortalecer o meu nome.” Como precisava de um carro-chefe para iniciar os trabalhos, começou a produzir cookies com técnica francesa. Os amigos e os familiares provaram — e aprovaram — e, com a divulgação boca a boca, a confeiteira passou a receber muitas encomendas. Tantas que transferiu a produção da sua casa para a da mãe, onde tinha mais espaço.

Mas aí veio a pandemia e tudo mudou. Para não ficar parada, Duda iniciou a produção dos vídeos na cozinha de casa. A resposta foi imediata. Confinadas, as pessoas não só passaram a reproduzir as receitas como também a encomendar os cookies, disponíveis em quatro sabores — chocolate com amêndoas, chocolate e grãos de café, avelã com chocolate e amêndoas. “De repente, o meu Instagram pessoal virou quase uma conta profissional”, comemora.

Um dia, uma cliente fez um pedido especial a Duda: queria presentear o pai, que está isolado, com uma cesta com as delícias preparadas pela confeiteira. Surgia, assim, um novo filão da marca. No Dia das Mães, as encomendas de cestas explodiram — feito que a brasiliense espera repetir no Dia dos Namorados. “Procuro sempre conversar com o cliente, saber os gostos do presenteado para montar uma cesta personalizada. Nas datas comemorativas, fica um pouco mais complicado, mas, ainda assim, ofereço mais de uma opção de tortinha e de pão para escolha.”

O seu diferencial, garante, é a qualidade dos ingredientes e o frescor dos produtos. “Não abro mão de usar manteiga francesa e sempre asso os cookies, no máximo, na véspera da entrega.” Para os pães, ela usa a técnica de pré-fermentação — um meio termo entre a natural e a tradicional. “Preparo a massa na noite anterior e a deixo descansar”, detalha.

Como faz tudo sozinha, Duda mal tem tido tempo para gravar os vídeos que a tornaram conhecida nas redes sociais. Mas não tem do que reclamar. Agora, trabalha na elaboração de um cardápio mais completo. Mais delícias vêm por aí. É só aguardar!


Créme brûlée de caramelo
 
Ingredientes
  • 250ml de creme de leite fresco
  • 45g de açúcar
  • 3 gemas

Modo de preparar
  • Em fogo baixo, espalhe uma fina camada de açúcar em uma panela funda. Enquanto derrete, aqueça o creme de leite numa panela à parte. Atenção para não ferver.
  • Quando o caramelo ficar pronto, desligue o fogo e, misturando com um fouet, adicione aos poucos o creme de leite quente. É normal a mistura borbulhar um pouco. Espere a mistura esfriar um pouco a adicione, misturando sempre, às gemas. 
  • Deixe a mistura coberta por um filme plástico descansar na geladeira por no mínimo uma hora. Divida a mistura em três ramequins e os asse em banho maria na temperatura de 150º por, mais ou menos, 30 a 40 minutos.
  • O ponto é quando não estiverem mais moles ao serem chacoalhados.
  • Espere esfriar completamente.
  • Espalhe uma fina camada de açúcar por cima e, com um maçarico, caramelize o topo. Caso não tenha um maçarico, esquente as costas de uma colher na boca do fogão até ficar vermelha, retire pelo cabo e rapidamente deslize a colher no topo do crème brulée. Se ela esfriar, repita o processo.

Serviço
Duda Patriota
Instagram: @duda.patriota
WhatsApp: (61) 9 8197-7903


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade