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Correio Braziliense

Para comer em casa: chef garante sabores italianos para os brasilienses

Descendente de italianos mantém rotisseria na Asa Norte, onde são produzidos molhos, massas e sobremesas tradicionais


postado em 16/06/2020 15:25 / atualizado em 16/06/2020 16:56

(foto: Fotos: Renato Raphael/Divulgação)
(foto: Fotos: Renato Raphael/Divulgação)

Desde jovem, Elô Mathias já tinha traçado o que faria depois da aposentadoria: abriria uma casa de massas. A descoberta de um câncer na tireoide, em 2013, porém, fez a paranaense antecipar o plano. “Eu pensei: 'E se eu morrer e não realizar esse sonho?' No hospital mesmo, já comecei a fazer o projeto da loja. Quando saí, tinha tudo em mente”, recorda-se. Em seis meses, surgia a Villapiana.

Descendente de italianos, que se instalaram na serra gaúcha, Elô nasceu e cresceu na área rural do Paraná, no município de Pérola do Sul. Os pais, pequenos agricultores, preparavam a massa e o pão que consumiam em casa. “Minha mãe tinha uma pequena máquina de fazer massa. Desde os meus 6, 7 anos, eu já a ajudava no preparo.”

Quando se casou, Elô foi morar no Mato Grosso, onde nasceram as três filhas. Por lá ficou até a mais velha ser aprovada na Universidade de Brasília (UnB). Separada e trabalhando com TI (tecnologia da informação), decidiu se mudar para a capital, em 2006. O hábito de fazer massas caseiras e as receitas de família vieram com ela.

Na inauguração, em 2014, a Villapiana ocupava uma loja na 204 Norte. Por lá, ficou até 2016, quando fechou as portas. Por dois anos, Elô trabalhou só com encomendas. Manteve a clientela fiel e, em 2018, decidiu reabrir a casa — desta vez, na 110 Norte — com um cardápio mais amplo e sempre em renovação. Hoje, são mais de 30 tipos de massas, além da linha de molhos e dos pratos com carne, a exemplo do filé e do frango à parmigiana. “Só usamos produtos frescos, sem conservantes”, garante.

Aplicativo e pandemia


Entre as opções disponíveis, tanto para pronta-entrega quanto congelados, há os pratos tipicamente italianos, a exemplo de nhoque, lasanha, ravióli, canelone, rondeli, e as novidades, como as massas secas saborizadas, desenvolvidas durante a pandemia. Trata-se de uma massa produzida com farinha grano duro, água mineral e com produtos diversos, como páprica picante, vinho, café, beterraba, cenoura, pimenta-calabresa, orégano. “Elas são superpráticas, nem precisam de molho. Como são saborizadas, basta cozinhar, colocar sal e azeite e estão prontas para consumir. No Dia dos Namorados, muitas empresas compraram esse produto para colocar nas cestas comemorativas.”

Mas o carro-chefe da casa é mesmo a lasanha ao molho Villapiana, cuja receita, de família, Elô não revela nem aos funcionários. A base, porém, é formada por tomate, ervas finas e vinho tinto. O prato leva, ainda, queijo gruyere e castanha-do-pará. “Antes, fazíamos essa lasanha só por encomenda, mas colocamos no nosso cardápio e ela virou a vedete da casa.”

O cardápio inclui ainda sobremesas italianíssimas, como o tiramisu e a cassata — espécie de sorvete feito com leite, ovos e creme de leite —, além do agnoline (lê-se anholine), cuja receita a chef compartilha com os leitores da coluna. Sobre esse prato, ideal para saborear neste friozinho que vem chegando, Elô explica: “Há quem diga que é capelete, mas se você for à serra gaúcha, com certeza, encontrará muitos que dirão que capelete não é agnoline, pois este é menor e próprio para fazer sopa. Nós compartilhamos dessa teoria”.

Elô conta que lançou, em fevereiro, um serviço que acabou se tornando uma mão na roda neste período de quarentena: um aplicativo próprio da Villapiana. Por lá, é possível acessar o cardápio, ver as promoções do dia e fazer os pedidos diretamente para a loja. “Como sou da área de TI, acabei desenvolvendo essa plataforma, que está disponível para IOs e Android. A resposta tem sido muito boa, sobretudo nesta época de pandemia.”

Hoje, a filha caçula de Elô é responsável pela administração da casa. Assim, ela fica livre para se dedicar à produção e às criações na cozinha, que andam a todo vapor. Em breve, ela promete colocar uma novidade no cardápio: pães de fermentação natural. É só esperar!
 
Serviço
Instagram: @villapianamassas
App: Villapiana Massas (Android e IOS)
Telefones: (61) 98251-6296/ 3544-3796

Sopa de agnoline (se lê anholine)

(foto: Renato Raphael/Divulgação)
(foto: Renato Raphael/Divulgação)

Ingredientes
  • 200g de agnoline de frango
  • 4 coxinhas da asa de frango
  • 2 ramos de sálvia
  • 2 ramos de salsa
  • 1 raminho de alecrim
  • 2 grãos de pimenta-do-reino
  • 1 dente pequeno de alho
  • 1 a 2 cenouras cozidas e trituradas
  • 1 folha de louro
  • 3 colheres de óleo
  • Sal a gosto
  • Dica da chef: acrescente 04 folhas de pitanga.

Modo de preparar
  • Em uma panela média, coloque o óleo para aquecer. Ponha as coxinhas da asa e acrescente uma pitada de sal. Vá virando a carne, sem deixar queimar, até que fique dourada de ambos os lados e crie aquela crosta no fundo da panela. É isso que dará melhor sabor à sua sopa.
  • Acrescente dois litros de água e os demais ingredientes. Leve ao fogo e deixe cozinhar até a carne soltar dos ossos. Ao final, ficará como que uma carne desfiada. Vá acrescentando água, se necessário. No final do cozimento, deve ter, aproximadamente, um litro de caldo.
  • Peneire tudo deixando somente o caldo saborizado e a carne desfiada. Descarte os demais ingredientes. Volte o caldo ao fogo. Corrija o sal e coloque os agnolines para cozinhar nesse caldo. Mantenha o cozimento por 10 a 12 minutos.
  • Está pronta sua sopa de agnoline.
  • Rende: 4 a 5 porções
  • Acompanhamentos: pão artesanal ou torradas e queijo


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