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À espera da família

Junho é o mês de conscientização sobre a infertilidade, problema que atinge milhões de pessoas em todo o mundo

Correio Braziliense
postado em 28/06/2020 04:19
Cada vez mais, pessoas decidem ter filhos mais tarde. A idade é um fator decisivo para a gestação, mas esse pode ser o menor deles, pois muitos só esbarram com um problema maior quando começam a tentar aumentar a família: a infertilidade. A dificuldade é mais comum do que se imagina. Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), 50 a 80 milhões de pessoas são afetadas em todo mundo.

Os fatores que podem influenciar na infertilidade de homens e mulheres são diversos, tais como alimentação, consumo de bebidas alcoólicas e cafeína, tabagismo e sobrepeso. De acordo com a ginecologista Dra. Vera Serafim,  do Hospital da Mulher Anchieta, nas mulheres, os motivos variam bastante. “As principais causas de infertilidade na mulher acometem o trato genital e podem ser tubárias, ovarianas e uterinas. A idade tem se tornado um fator importante, visto que muitas estão postergando a gravidez, e a fertilidade declina após os 35 anos, em média”, explica.

Outro fator são os contraceptivos. A médica ressalta que, após a interrupção do uso dos métodos inibidores, as mulheres podem ter dificuldades para engravidar imediatamente. “O DIU é um método que não afeta a fertilidade, pois a ovulação não é interrompida. Assim, o retorno à fertilidade é imediato. Já os anticoncepcionais hormonais, por exemplo, podem demandar até um ano”, explica.

Em cerca de 10 a 15% dos casais, não é encontrada causa específica para a infertilidade, estes são os classificados como ISCA (Infertilidade Sem Causa Aparente), é o que explica Matheus Roque, da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). “Após um ano de tentativas, o casal que não conseguiu engravidar mesmo mantendo relações sexuais frequentes, deve procurar um especialista. Em caso de mulheres acima dos 36 anos, uma avaliação do casal deve ser realizada após 6 meses de tentativa sem sucesso”, diz.

Sem gênero

Muitos ainda acreditam que a mulher é a grande responsável pela infertilidade,  mas a verdade não é bem essa. Homens e mulheres dividem, na mesma proporção, os motivos pelos casos de infertilidade conjugal, segundo Matheus Roque. Homens tendem a associar a infertilidade masculina à falta de virilidade ou de potência sexual, o que torna o assunto um tabu. É um equívoco. “É importante conscientizar a população que a infertilidade masculina está relacionada a problemas na qualidade e quantidade dos espermatozoides e não deve ser confundida com falta de virilidade”, segundo o médico Vinicius Medina Lopes, especialista em Reprodução Humana e diretores do Instituto Verhum.

A produção e a qualidade dos espermatozoides podem ser afetadas diretamente por alterações hormonais, varicocele, processos infecciosos ou inflamatórios. Os hábitos e fatores ambientais e o uso regular de álcool e drogas também podem alterar o bom funcionamento do aparelho reprodutor masculino e há, ainda, as DSTs.  “O sexo seguro é uma forma de evitar essas doenças e preservar a saúde reprodutiva”, orienta Vinicius Medina Lopes. Outro risco é o uso de anabolizantes, que pode desencadear distúrbio hormonal capaz de afetar a produção de testosterona e diminuição da produção de sêmen. O uso frequente por jovens que buscam aumentar a massa muscular pode causar disfunção erétil e atrofia dos testículos.

Opções

Com a assistência adequada, a maioria dos casais pode vencer esses obstáculos e realizar o sonho de formar uma família, além de reduzir o desgaste emocional. De acordo com a Sociedade de Brasileira de Reprodução Assistida (SRBA), há diversos tratamentos disponíveis para a auxiliar o casal a conseguir engravidar.

A indução da ovulação com namoro programado, por exemplo, é indicada para mulheres com problemas de ovulação. Assim, é usado um hormônio para estimular o ovário a produzir óvulos durante o período fértil. Outro tratamento é a inseminação intrauterina, técnica na qual o médico transfere espermatozoides pré-selecionados e tratados em laboratório diretamente no útero.

Como a idade da primeira gravidez é cada vez mais avançada, muitas mulheres têm optado pelo congelamento de óvulos, para posterior fertilização. De acordo com dados do 13º relatório do SisEmbrio — Sistema Nacional de Produção de Embriões —, de maio deste ano, o número de embriões humanos produzidos por técnicas de fertilização in vitro cresceu 11,6 % em 2019, chegando a 99.112 embriões congelados. Deste total, 71% estão no Sudeste; 11% tanto no Nordeste quanto no Sul; 5,46%, no Centro-Oeste; e 1,25%, na região Norte. Os dados mostram, ainda, que o estado de São Paulo aparece em primeiro lugar, com 52.160 , seguido de Minas Gerais, 8.463, e Rio de Janeiro, 7.823.

*Estagiária sob supervisão de Taís Braga
 

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