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Mantenha-se vitaminado e saudável e evite problemas

Deficiência de compostos nutricionais pode casar sérios problemas ao organismo. Fique atento aos sinais do corpo e descubra se precisa repor vitaminas e minerais

Manuela Ferraz*
postado em 29/07/2020 08:00
Isabella Chaves, 24, descobriu que estava com deficiência de ferro, zinco, vitaminas do complexo B, D, selênio e magnésioAs vitaminas e os minerais são essenciais para o organismo. Fazem parte de importantes processos, que garantem o desenvolvimento e o crescimento ao longo da vida, a produção de hormônios, a prevenção de doenças e a manutenção do correto funcionamento das funções do corpo. Grande parte das substâncias são obtidas durante a alimentação. Por isso, temos que estar atentos às nossas necessidades e evitar prejuízos à saúde por causa da deficiência desses compostos nutricionais.

Não são raros os casos de pessoas que apresentam alguma deficiência e convivem com a condição sem saber. ;Isso a gente consegue comprovar por meio de exames de sangue solicitados pelo médico. Nos dias de hoje, é raríssimo uma pessoa não ter deficiência em alguma vitamina básica devido à nossa rotina. Vitaminas C, D e B12 são as mais comuns de faltarem;, afirma a nutróloga Nívea Bordin, da clínica Leger.

A carência desses importantes compostos pode ocorrer em qualquer momento da vida ; mas há faixas etárias em que pode representar um risco maior à saúde. Segundo a nutricionista clínica Annie Bello, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e pesquisadora do Instituto Nacional de Cardiologia, a falta de vitamina B9 na gestante, por exemplo, pode comprometer a gravidez, enquanto que, na criança, a falta de zinco pode causar deficit de crescimento. ;Existem outras deficiências que são subclínicas, como a de vitamina D. Por isso, uma correta avaliação do profissional é importante;, explica.

Mulheres em idade fértil e que menstruam regularmente estão dentro do grupo de risco para deficiência de ferro. Os idosos, de maneira geral, devem estar sempre atentos às deficiências nutricionais. ;Com o avançar da idade, acontecem alterações no trato gastrointestinal, que comprometem a capacidade de digerir e absorver bem os nutrientes. Além disso, muitos não têm consumo alimentar adequado para atingir as necessidades diárias recomendadas;, detalha Fernanda Vargas, nutricionista pós-graduada em nutrição clínica funcional.

Ela pontua que a deficiência de vitaminas e minerais inclui vários fatores, como a alimentação inadequada com baixo aporte de nutrientes; comprometimento das funções digestivas e absortivas ; por falta de mastigação; uso de medicamentos; estresse; ansiedade ; que aumenta a demanda de nutrientes ;; desequilíbrios metabólicos, entre outros.

Carência manifestada

Alguns sinais do corpo podem surgir como alerta, mas, muitas vezes, eles não são prontamente associadas à baixa ingestão de vitaminas e minerais. ;Se pararmos para pensar, nosso corpo é formado por nutrientes. Para que cada célula funcione, preciso de pelo menos 44 deles. A forma como o obtemos é a partir da alimentação ; e, às vezes, suplementação. Se faltam nutrientes, o corpo começa a tirar de lugares que não são essenciais para a vida. Por isso, os primeiros sintomas de deficiência costumam se manifestar nas unhas (fracas, quebradiças, com manchas), nos cabelos (queda além do normal), pele (espinhas, alergias);, explica Fernanda Vargas.

Mas, se essa deficiência se intensifica, ela pode passar a comprometer o funcionamento de outros sistemas e levar à apatia, à dificuldade de concentração, à memória ruim, à depressão, à ansiedade, a câimbras, a formigamento, à dormência, à alteração do funcionamento intestinal, a refluxo, à fadiga, à insônia, entre outros sintomas.

Alguns dos sinais, inclusive, podem estar presentes na própria alimentação. Segundo a nutricionista, a vontade de comer doce pode estar intimamente ligada à deficiência de ferro, uma vez que esse mineral é necessário para a produção de serotonina, junto com as vitaminas do complexo B, C e magnésio. Se o ferro está baixo, forma-se menos serotonina, o que favorece o aumento da vontade por doce e piora quadros de ansiedade e compulsão alimentar.

A nutróloga Nívea acredita que essa vontade pode ser um sintoma ligado a uma flora bacteriana natural não preservada. ;Normalmente, esses pacientes têm constipação ou diarreia, pois não preservam sua flora. Isso tem relação com a alimentação. Os doces e carboidratos simples, ao chegarem ao intestino, fazem com que se produza, nesse meio, um pH alcalino, o que faz com que bactérias patógenas se desenvolvam.; A alimentação precisa se basear na ingestão de legumes, verduras, frutas e proteínas boas.

Annie Bello confirma que a alimentação saudável, o exercício físico e o sono em dia são indispensáveis para evitar a deficiência de vitaminas e minerais. ;Ao perceber os sinais, porém, devem buscar um médico para realizar o diagnóstico, e um nutricionista para avaliar a alimentação e propor ajustes. É importante compreender que, em caso de deficiência, o médico vai precisar dar doses altas do nutriente. E, muitas vezes, não será adequado tratar apenas com a alimentação.;

Suplementação

A estudante Isabella Chaves, 24, descobriu que estava com deficiência de ferro, zinco, vitaminas do complexo B, D, selênio e magnésio apenas quando passou a ter acompanhamento nutricional de Fernanda Vargas, mas explica que os sinais já começavam a surgir. ;Tive queda de cabelo, cabelos opacos, unhas fracas e com manchas, indisposição, eu me sentia cansada sempre. Além disso, tinha formigamento nas pernas.;

Ela precisou fazer suplementação com fórmulas manipuladas para as vitaminas que precisava, além de ômega 3, vitamina D-3 e própolis ; tudo orientado pela nutricionista. Na alimentação, ela aumentou a quantidade de hortaliças e vegetais. ;A castanha-do-pará também foi um alimento que implementei diariamente na minha rotina e reduzi o consumo de industrializados e açúcares.;

A estudante ainda tem carências, mas passou a notar grandes melhoras dos sintomas físicos. ;Nunca imaginei que tivesse deficiência de vitaminas e minerais, acreditava que eram normais os sintomas que estava apresentando. Desde que comecei a fazer a reposição desses nutrientes e mudei meus hábitos alimentares, melhorei muito minha qualidade de vida. Eu me sinto mais disposta, além de ajudar a recuperar minha autoestima. A alimentação é peça chave para manter o equilíbrio do corpo, tanto físico quanto mental.;

Na hora da alimentação

  • Folhas verde escuras, como couve, rúcula, agrião, espinafre, mostarda e chicória, são fontes de magnésio, vitamina K, ferro e ácido fólico.
  • Frutas cítricas, como laranja, tangerina e limão, são fontes de vitamina C.
  • Nas sementes de abóbora, são encontrados zinco e magnésio.
  • Leguminosas, como feijão, lentilha, grão-de-bico, são ricos em ferro, zinco e vitaminas do complexo B.
  • Abacate é fonte de vitaminas E, K, B6, ácido fólico e potássio.
  • A castanha-do-pará é a principal fonte de selênio.
  • Laticínios ; leite e derivados ;, sardinha, gergelim e as folhas verdes escuras são ricos em cálcio.
  • Carne bovina, peixe, frango, ovo, laticínios e outros alimentos de origem animal são fontes de vitamina B12.
  • Óleo de fígado de bacalhau, laticínios, ovo, mamão, abóbora, batata-doce, cenoura e outros carotenoides são ricos em vitamina A pronta.
  • Fígado, amendoim, camarão e outros frutos do mar são ricos em cobre.
  • A vitamina D é obtida basicamente do sol, mas o óleo de fígado de bacalhau, peixes mais gordurosos, como salmão, atum e cavala, ovos, fígado bovino e manteiga também são fontes.

Fontes de nutrientes

Reunimos sintomas citados pelas especialistas que podem surgir em cenários de carência e alguns alimentos que são fontes de vitaminas e minerais. É importante destacar que muitos desses sinais podem estar ligados a mais de uma vitamina ou mineral e que o excesso desses compostos nutricionais também geram prejuízos à saúde e até o desenvolvimento de doenças. Por isso, a avaliação e orientação do profissional especializado para a reposição é imprescindível.
  • Cálcio: deficiência desse mineral pode causar falta de memória, confusão, espasmos musculares, cansaço extremo e cãibras. Ele é essencial para a formação de ossos e dentes, contração muscular e para regular a coagulação sanguínea.
  • Cobre: pode levar à perda de peso, queda de cabelo, dores musculares, pele pálida, fadiga e temperatura corporal baixa. Sua ingestão é importante para o funcionamento de diversas enzimas, para formação de hormônios e regulação de outros compostos no corpo.
  • Ferro: interfere no funcionamento da tireoide e na síntese de hemoglobina. Com isso, outros sintomas que caracterizam essa deficiência incluem queda de cabelo, cansaço e fadiga.
  • Vitamina B12: afeta principalmente as funções neurológicas e costuma se manifestar com sintomas como memória ruim, fadiga, dores musculares, dificuldade de concentração, dormência ou formigamento e até depressão.
  • Zinco: os sintomas mais característicos são unhas fracas, que descamam e que apresentam manchas brancas, queda de cabelo, aparecimento de acne e diminuição do apetite. Situações de estresse e ansiedade aumentam a demanda por zinco, já que ele é necessário para a produção de cortisol ; conhecido como hormônio do estresse ; e para controlar os radicais livres.
  • Magnésio: pode se manifestar com sintomas como câimbras, intestino preso, ansiedade e insônia. Atua no relaxamento do tecido muscular, dos músculos da parte intestinal e dos neurônios.
  • Vitamina A: dois dos grandes sintomas ligados à sua insuficiência são a cegueira noturna e o ressecamento da pele. Esse composto é importante para o metabolismo celular, a manutenção da pele e para a diferenciação de tecidos de alguns órgãos.
  • Vitaminas do complexo B: com a carência, podem surgir lesões na boca. Outro exemplo é a deficiência de biotina, que é uma vitamina do complexo B e pode causar queda de cabelo. Essas vitaminas atuam em diversos processos do corpo humano e podem ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares, congênitas e neurológicas.
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte


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