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Ameaça que vem de fora

A exposição aos chamados disruptores endócrinos, presentes em vários produtos, pode alterar o funcionamento hormonal e causar diversas doenças

Correio Braziliense
postado em 02/08/2020 04:26
O sistema endócrino regula desde o nosso desenvolvimento no útero até, praticamente, todos os aspectos relativos à saúde do organismo durante toda a vida. Manter o funcionamento regular dele é fundamental, mas algumas substâncias têm representado ameaça e sido foco de diversos debates no campo da medicina: os disruptores endócrinos. Na fase adulta, na qual, muitas vezes, podemos fazer escolhas mais ativas sobre o que e como consumir alimentos, cosméticos, produtos de higiene e outros artigos, a atenção ao assunto ganha ainda mais importância.

Rafaela Cordeiro, endocrinologista da clínica Simone Neri, explica que os disruptores endócrinos, ou interferentes endócrinos, são substâncias químicas que podem afetar órgãos que respondem aos estímulos hormonais. “Esses agentes externos podem ter, na estrutura, componentes que mimetizam a função hormonal, ocupando seus receptores e alterando sua respectiva função”, detalha.

Segundo a endocrinologista Bruna Borges, podemos observar que o crescimento das taxas de doenças endócrinas vem ocorrendo paralelamente ao aumento da produção de produtos químicos. Além disso, a Sociedade Americana de Endocrinologia, da qual é membro ativa, posicionou-se de forma pública sobre o tema em 2009.

“Desde então, com as evidências de que os disruptores endócrinos representam um grande risco à saúde pública, diversas sociedades médicas e comunidades científicas de todo o mundo vêm expandindo pesquisas, desenvolvendo protocolos com a finalidade de fiscalização e buscando alternativas mais seguras para substituição dessas substâncias químicas.”

O bisfenol-A é um exemplo de disruptor comprovado e que foi proibido em embalagens de comestíveis. “Segundo os estudos, ele ocupa os receptores naturais de estrogênio, impedindo a ação correta desse hormônio. Como consequência, teríamos alteração de ovulação na mulher, com possibilidade de disfunção fértil, além de alteração na secreção de outro hormônio, a prolactina”, explica Julia Peres, médica graduada pela Universidade de São Paulo e diretora clínica do ART Medical Spa.

Ela complementa que o mercúrio também foi proibido em certos produtos. Algumas substâncias têm seus níveis regulados pelo órgão de vigilância sanitária, como o chumbo, e outras estão em estudo, como os parabenos e o alumínio, e ainda não têm regulação. Para Rafaela Cordeiro, embora possa ocorrer de forma individual, o controle da exposição somente será possível por meio de políticas públicas.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte
 

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