postado em 03/05/2008 19:26
Acompanhar uma prova da Stock Car, para os amantes da velocidade, é sempre sinônimo de fortes emoções. Afinal, ninguém sabe de onde pode vir o próximo acidente, qual será o próximo carro a rodar na pista e os pegas costumam ser intensos, principalmente nas primeiras voltas. Mas uma coisa é estar ali, do lado de fora, só assistindo. Outra é entrar no carro e sentir na pele do que eles são capazes.
Enquanto acompanhava os treinos classificatórios neste sábado, fui apresentado a João Alberto Otazu, da equipe Goodyear, que não demorou a me fazer uma proposta: "E então? Não quer dar uma volta no nosso carro para ver como é?" Um convite desses a gente não nega e eu aceitei sem titubear.
Assinado o termo de responsabilidade, que isentava a fornecedora de pneus de qualquer responsabilidade em caso de um acidente, o próximo passo foi se encaminhar para a reta dos boxes, colocar a balaclava, o capacete, apertar os cintos e... tome correria!
Ao volante, o piloto Carlos Alves, dono de três vitórias e 24 poles na Stock Car, depois de um breve aperto de mão, pisou fundo e o carro saiu, com uma incrível aceleração que fez com que meu corpo fosse projetado imediatamente contra o banco. Veio a primeira curva, a desaceleração e é aí que a gente percebe como os pilotos fazem força para manter o carro na pista na entrada e saída das curvas.
O passeio durou só uma volta no circuito externo. Um tempo que pareceu rápido demais para quem estava começando a gostar da brincadeira. Mas deu para sentir um pouco do que é velocidade nua e crua. Enquanto estive ali, fiquei só imaginando como deveria ser a disputa na primeira curva da prova, com os 34 carros na pista, todos se espremendo e lutando por posições.
Ao final, depois de pouco mais de um minuto de passeio, Carlos Alves parou o carro, virou-se para a direita e perguntou: "E aí? Legal não é?". Acenei com a cabeça e rebati, curioso: "Sem dúvida. Mas me diz uma coisa: qual a velocidade máxima que a gente chegou?". O piloto respondeu, com uma naturalidade que só quem está acostumado àquilo poderia ter: "234km/h".
Voltei a acenar com a cabeça, surpreso com a resposta. Não imaginava que tínhamos ido tão rápido assim. Nada mal.
Considerando-se que a maioria dos caças atingem velocidades médias de 300km/h na hora da decolagem, não é exagero dizer que esses carrinhos da Stock realmente voam baixo.