Superesportes

Brasiliense se prepara para disputar primeira Paraolimpíada

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postado em 01/09/2008 09:15
Há dois anos e meio, objetos como o dardo ou o peso nem passavam pelo pensamento de Shirlene Coelho, 26 anos, moradora de Samambaia. Muito menos que ela os usasse para ser recordista mundial num dos esportes e sul-americana no outro. Pois no mês passado, Shirlene voltou do Campeonato Afro-Árabe de Atletismo Paraolímpico, disputado na Tunísia, com a medalha de ouro no peito e a marca inédita de 31m82 no lançamento de dardo, além do bronze com 9m89 no arremesso de peso. Não foram as únicas conquistas da candanga. Só as mais recentes. Antes, no Parapan do Rio de Janeiro, em 2007, foi a primeira colocada no dardo com 27m50 e prata no arremesso de peso. É esse invejável currículo que ela levou na semana passada para Macau, na China, onde está com a delegação brasileira para seus primeiros Jogos Paraolímpicos, que começam sábado, em Pequim. A vitoriosa e rápida trajetória de Shirlene contrasta com a vida humilde que ela leva com a família. Shirlene começou praticando futebol na escola pública Centro Interescolar de Educação Física (Cief), na Asa Sul, onde treina até hoje. Ficava ; e fica ; lá de quatro a oito horas diárias, de segunda a sexta-feira. Somente após um tempo foi despertada para o atletismo. Em decorrência de paralisia infantil contraída ao nascer, a atleta tem todo o lado esquerdo do corpo limitado, com exceção do rosto, e compete pela categoria F-37, para paralisados cerebrais. O braço e a mão esquerdos não têm firmeza e, por causa da perna esquerda, caminha com dificuldade. ;Por termos mais dificuldades, as pessoas não acreditam em nós, deficientes, mas mostramos a cada dia que é possível vencer. Para isso, tenho que superar desafios e meus próprios limites;, discursa Shirlene. Ela é vaidosa como qualquer mulher (ou homem): entre um treinamento e outro, busca tempo para cultivar a beleza, como no cuidado com as unhas. Shirlene mora com a mãe, um sobrinho e dois irmãos na QR 429 do Setor Expansão de Samambaia Norte. O patrocínio das loterias da Caixa ajuda nas despesas da casa. Shirlene também recebe um prêmio do patrocinador para cada recorde. O esporte a ajuda na educação. Cursa o segundo semestre de educação física com 80% de bolsa na Católica. Aos 24 anos, em sua primeira competição, o Circuito Regional da Loterias Caixa, em Uberlândia (MG), bateu o recorde brasileiro de lançamento de dardo. Para as Paraolimpíadas, leva confiança: ;Estou treinando forte. Vou para ser campeã no dardo e no peso;. Em casa, a ;mãezona; Maria dos Alves Santos, 44, admite que não teria condições de pagar as viagens para Shirlene competir. Dona Maria, auxiliar de serviços gerais, garante que a família e os vizinhos se reunirão para torcer por ela. ;Independentemente de medalhas ou recordes, sempre apoiei minha filha. Para mim, ela já nasceu campeã;, comemora.

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