Jornal Correio Braziliense

Superesportes

Na primeira Copa do Mundo juntos, os irmãos Vinícius e Lenísio garantem o profissionalismo

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A história do esporte brasileiro registra alguns casos de sucesso em família. Foi assim com os irmãos ginastas Diego e Daniele Hypólito e com os velejadores Torben e Lars Grael, sem contar o que acontece na Seleção de vôlei do técnico Bernardinho, com Murilo e Gustavo. Nesta quarta-feira, a Seleção do técnico PC de Oliveira disputa, às 10h30, no Ginásio Nilson Nelson, a última partida da primeira fase da Copa do Mundo de futsal, organizada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). Depois de golear o Japão na estréia por 12 x 1, atropelar as Ilhas Salomão por 21 x 0 e surpreender a Rússia com um tranqüilo 7 x 0, o Brasil medirá forças com Cuba. Se vencer, como se espera, garantirá o primeiro lugar no Grupo A e se despedirá da capital para jogar a segunda fase no Rio de Janeiro. Assim, pelo menos neste Mundial, o duelo com os cubanos será a última oportunidade que os candangos terão de ver os irmãos Vinícius e Lenísio em ação. Os dois têm papel de destaque no time de PC. O ala Vinícius, 30 anos, é o capitão do time. O pivô Lenísio, 31, o vice-artilheiro, com oito gols, um a menos do que o astro Falcão. Nascidos em Cuiabá, os irmãos despontaram para o futsal em Araçatuba, no interior paulista, em 1990. Vinícius tinha 14 anos e Lenísio, 15. Os irmãos seguiram jogando no mesmo time até 1997, quando Lenísio partiu para defender o GM, de São Caetano do Sul (SP), e Vinícius foi contratado pelo Atlético-MG. Naquele ano, pela primeira vez, os dois se encontraram na Seleção Brasileira e, no ano seguinte, no mesmo clube ; Lenísio fechou com a equipe mineira. Em copas do mundo, entretanto, os dois vivem pela primeira vez a oportunidade de unir forças para lutar por um troféu que não só para os irmãos, mas para todos no grupo, representaria uma redenção em relação às duas últimas edições, vencidas pela Espanha. Ninguém no time de PC de Oliveira triunfou em um mundial. E a família Teixeira sabe bem o que as derrotas para os espanhóis significaram. Em 2000, Lenísio, hoje jogador do Malwee, de Santa Catarina, viveu experiência frustrante na Guatemala, quando os espanhóis derrotaram o Brasil, na final, por 4 x 3. Vinícius, que atua na Espanha, pelo El Pozo Múrcia, não disputou aquele Mundial. Mas representou a família em 2004, em Taiwan. Então, a Seleção Brasileira caiu na semifinal diante da Espanha, nos pênaltis. Concentração Por conta da disposição em superar os espanhóis, os dois garantem que às vezes até se esquecem dos laços familiares. Afinal, o objetivo de conquistar a Copa do Mundo exige concentração total. ;Aqui, com todo o nosso empenho no Mundial, não dá nem para conversarmos muito. Somos como um companheiro a mais;, garante Vinícius. ;Somos irmãos quando estamos fora daqui;, reforça Lenísio. Embora a rotina de treinos e a pressão por jogar a Copa do Mundo no Brasil, com toda a expectativa em torno de um título, impeça o fortalecimento dos laços familiares, Lenísio e Vinícius sabem que estão vivendo algo inesquecível e, caso venham a triunfar, histórico. ;Quando tudo isso passar, com certeza, tanto eu quanto ele vamos dar mais valor ao que estamos vivendo agora;, afirma Lenísio. ;Com certeza, essa Copa do Mundo é diferente, pelo fato de estarmos juntos no time e de ser no Brasil;, concorda Vinícius. ;Mas estamos tão empenhados em jogar bem, em ganhar o Mundial, que nem conseguimos pensar nesses detalhes agora. Neste momento, só pensamos no título.;