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Projeto final do novo Estádio Mané Garrincha prevê condições de receber a abertura e a decisão da Copa de 2014

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A apoteótica reinauguração do Bezerrão, com goleada por 6 x 2 do Brasil sobre Portugal, em amistoso na noite de quarta-feira, foi apenas o cartão de visitas da candidatura candanga a receber jogos da Copa de 2014, a ser disputada no Brasil. Como o estádio do Gama, com capacidade para 20 mil torcedores, tem condições apenas de ser um campo de treinos para as seleções, o Governo do Distrito Federal (GDF) prepara a construção do palco para o Mundial, o novo Mané Garrincha, no Plano Piloto, com 75 mil lugares, capaz de abrigar a abertura e até a final. Com obra estimada em dois anos e R$ 400 milhões, o novo estádio já tem o projeto arquitetônico e executivo, um calhamaço de 200 páginas, com projeções, plantas e detalhes técnicos da empreitada. O documento, preparado pelo arquiteto Eduardo de Castro Mello, responsável pelo atual Mané Garrincha, foi solenemente entregue na noite de quarta-feira pelo governador José Roberto Arruda ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. ;Brasília sai na frente;, elogiou o cartola. O Correio conseguiu ontem, com exclusividade, o projeto final do estádio. ;Se conseguirmos lançar o edital em dezembro, a reforma começa depois das chuvas. Vai ser uma concessão real de uso de 20 anos, renováveis por mais 20;, revelou o gerente da candidatura do Distrito Federal a receber jogos de 2014, Fábio Simão. ;Deve ser formado um consórcio de construtoras, inglesas ou americanas com participação de brasileiras. Tudo em parceria público-privada.; Quem vencer a licitação ainda pode sugerir mudanças, como uma cobertura retrátil, ideal para proteger o gramado de chuvas durante os jogos. As alterações, no entanto, dependeriam do aval do arquiteto. ;Podem ocorrer alguns ajustes, mas deve ser seguido o projeto do Eduardo;, disse Simão. A maior novidade do plano atual em relação ao estudo parcial conhecido anteriormente é a cobertura. As torres de sustentação, que ficavam no teto, sobem desde o chão pela parte de fora do estádio. ;É uma evolução do que vinha sendo feito;, lembrou o arquiteto. ;Pode-se construir primeiro o estádio e depois fazer a cobertura. É uma facilidade, em termos técnicos;, disse Castro Mello. Ambição A capacidade para 75.367 pessoas (limitada em 72.405 durante a copa) é uma aposta na força candanga para concorrer com Rio, São Paulo e Belo Horizonte para ser palco da abertura e até da final. ;Não podemos fazer como o Rio, que de tempos em tempos promove uma reforma no Maracanã. Agora, se fala em uma de US$ 600 milhões (R$ 1,2 bilhão);, comparou Simão. ;Não dá para gastar um dinheirinho e depois reformar de novo. Vamos fazer um estádio para 50 anos.; O desafio é evitar que o novo estádio se torne um elefante branco. ;As empresas interessadas fizeram uma pesquisa qualitativa. A receita vai ser de 25% com futebol e 75% com outros eventos. Vamos trazer jogos de fora, e a Seleção Brasileira não pode vir menos de uma vez por ano a Brasília. Estamos mostrando que somos pés-quentes;, comemorou Simão, em referência às goleadas verde-amarelas nos dois jogos mais recentes do Brasil no DF: 6 x 2 em Portugal e 5 x 0 no Chile, em 2005, pelas Eliminatórias da Copa da Alemanha. O cartola ainda usou o custo do Bezerrão para alfinetar a concorrência carioca. ;O estádio custou R$ 55 milhões, praticamente o mesmo que a consultoria de uma empresa suíça contratada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), de R$ 46 milhões, para a derrotada candidatura olímpica do Rio;, atacou Simão, em referência à disputa ainda em aberto pelos Jogos de 2016. A reabertura do estádio do Gama, por sinal, enfrentou problemas, como o tumulto no acesso do público ao treino de terça-feira; a venda de ingressos, inicialmente somente pelo cartão de crédito e em poucos pontos; a falta de um local definitivo para a imprensa escrita no estádio, e a acomodação provisória de emissoras de rádio, muito perto do campo. ;Era importante ter um teste;, lembrou Simão. JACARÉ NO BEZERRÃO O recém-reinaugurado Bezerrão, no Gama, corre o risco de hospedar o arqui-rival Brasiliense a partir de maio do ano que vem, depois do campeonato local, com final previsto para 3 de maio. A eventual mudança vai durar pelo menos um ano para a reforma do Serejão, em Taguatinga, casa do atual pentacampeão candango. ;O Brasiliense não joga o Campeonato Brasileiro do ano que vem no Serejão;, confirma o gerente do projeto do Distrito Federal para a Copa do Mundo de 2014 e presidente da Federação Brasiliense de Futebol (FBF), Fábio Simão. ;A gente pode adaptar o Abadião ou então ele joga no próprio Bezerrão, qual o problema?;, argumenta o cartola. O plano é aumentar a capacidade do estádio de Taguatinga de 28 mil para 35 mil lugares, com arquibancadas mais perto do campo, como no novo Bezerrão. As obras durariam um ano, com custo de R$ 20 milhões, segundo Fábio Simão.