Superesportes

Inter de Porto Alegre completa 100 anos

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postado em 04/04/2009 09:30
Domingo é o dia do descanso. Mas no domingo de 4 de abril de 1909 a bola começou a rolar para uma incansável paixão em vermelho e branco. Um século depois daquela tarde dominical, atravessando duas Guerras Mundiais, a República do Café com Leite, a Era Vargas, fortes crises financeiras mundiais, a ditadura militar e inúmeros planos econômicos, o amor ao Sport Club Internacional segue inabalável, fazendo o coração dos colorados bater mais forte sempre que o clube do povo entra em campo. Naquele domingo, estudantes e comerciários começavam a mudar a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, para depois atravessar divisas para ganhar o Brasil e romper fronteiras para conquistar o mundo. Liderados pelos irmãos Luís, José e Henrique Poppe, o grupo se reuniu no número 141 da Avenida Redenção, hoje Avenida João Pessoa. O anfitrião do encontro foi João Leopoldo Seferin, que abriu as portas de sua casa para aquele dia histórico. A Porto Alegre do início do século passado tinha bondes e imensos terrenos baldios. A cidade começava a crescer com seus 180 mil habitantes. Passados tantos anos, a Capital gaúcha se modernizou. Virou metrópole. Virou gente grande. A população cresceu cerca de 10 vezes desde então. A paixão pelo clube que surgia naquele domingo se multiplicaria muito mais. Paulistas de nascimento, os irmãos Poppe, que presidiram a assembléia que fundou o clube, homenagearam sua terra. Em São Paulo, eles torciam pelo homônimo Sport Club Internacional, campeão estadual em 1907. Mal sabiam eles, que estavam criando uma entidade bem maior do que deu origem ao Inter. A ideia de criar um novo clube surgiu após os irmãos terem suas filiações negadas em todas as outras entidades esportivas da cidade. Fazer parte de uma grande agremiação não era para o bico de estudantes. Na teoria, o Internacional havia sido criado para ser de todos, de brasileiros e estrangeiros. Na prática não foi bem assim. Os negros, por exemplo, passaram a ser aceitos somente na década de 20, quando começaram a ser "importados" da Liga da Canela Preta. Desde os seus primeiros dias, a nova entidade queria ser grande. O objetivo era que o time fizesse seu primeiro match contra um dos clubes mais tradicionais da cidade: o Grêmio. Ao falar com os dirigentes gremistas, a resposta foi um sonoro "não". Seis anos mais velho, o Grêmio dizia que o Inter não estava à sua altura. Além disso, o Tricolor tinha uma rivalidade acirrada com o Fusball, principal rival dos gremistas no início do século passado, e não estava interessado em perder tempo com um recém-nascido. O máximo que os gremistas ofereceram aos colorados foi o seu segundo quadro, ou seja, sua equipe reserva. Impetuosos e liderados por Henrique Poppe, os joviais dirigentes vermelhos insistiram, insistiram até que o "co-irmão" cedeu à sua vontade. A preparação para o grande jogo foi realizada no campo da Rua Arlindo. As traves, feitas com madeira de boa qualidade, precisavam ser retiradas do campo ao fim de cada treino para não serem roubadas e virarem lenha. Num terreno baixo, o gramado muitas vezes alagava, fazendo os estudantes e comerciários terem que treinar no Campo da Várzea, onde fica atualmente o Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Em 18 de julho de 1909, com pouco mais de três meses de vida, o Inter entrava em campo com suas camisas de cores vermelha e branca. A escolha das cores gerou polemica entre os dirigentes do clube. Com o carnaval de Porto Alegre em alta na época, dois grupos carnavalescos dividiam a atenção da população e a preferência da diretoria do recém-fundado clube. Alguns queriam o verde e branco da Sociedade Esmeralda, outros preferiam homenagear os Venezianos Carnavalescos. Por maioria, foi decidido pelos Venezianos. E o primeiro uniforme era vermelho e branco em listras verticais. A estreia não poderia ter sido pior. A incipiente rivalidade teve como capítulo inicial uma vitória do Grêmio por um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, 10 a 0. Um vexame. O craque da partida foi o centroavante Booth, autor de cinco gols. Aprendendo com os erros, a conquista do primeiro título ocorreu em 1913, quando o Inter venceu o Campeonato Metropolitano. As taças do torneio foram sendo colocadas no armário em sequência até 1917. No ano seguinte, um surto de febre espanhola aterrorizou a todos em Porto Alegre. Com o time composto, em sua maioria, por estudantes vindos do Interior do Estado, o clube viu sua equipe se desmanchar. As escolas e faculdades da cidade interromperam as aulas, temendo um contágio em massa por parte dos alunos, que retornaram para suas cidades de origem. O hino na hora da dor O Internacional demorou quase 50 anos para ter seu hino oficial. A torcida tinha seus cantigos, mas nada que realmente representasse o clube. Num momento de amargura, o carioca Nélson Silva ouvia a pelas ondas da rádio Farroupilha a derrota do Inter para o Aymore, de São Leopoldo. A dor era tanta que ele esqueceu o encontro que tinha com sua namorada Ieda. Para amenizar seu sofrimen [468, 60], [300, 100] ] ], [ [748, 0], [728, 90] ], [ [992, 0], [ [728, 90], [970, 90], [970, 250], [980, 250] ] ] ], false);
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Inter de Porto Alegre completa 100 anos

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postado em 04/04/2009 09:30
Domingo é o dia do descanso. Mas no domingo de 4 de abril de 1909 a bola começou a rolar para uma incansável paixão em vermelho e branco. Um século depois daquela tarde dominical, atravessando duas Guerras Mundiais, a República do Café com Leite, a Era Vargas, fortes crises financeiras mundiais, a ditadura militar e inúmeros planos econômicos, o amor ao Sport Club Internacional segue inabalável, fazendo o coração dos colorados bater mais forte sempre que o clube do povo entra em campo. Naquele domingo, estudantes e comerciários começavam a mudar a história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, para depois atravessar divisas para ganhar o Brasil e romper fronteiras para conquistar o mundo. Liderados pelos irmãos Luís, José e Henrique Poppe, o grupo se reuniu no número 141 da Avenida Redenção, hoje Avenida João Pessoa. O anfitrião do encontro foi João Leopoldo Seferin, que abriu as portas de sua casa para aquele dia histórico. A Porto Alegre do início do século passado tinha bondes e imensos terrenos baldios. A cidade começava a crescer com seus 180 mil habitantes. Passados tantos anos, a Capital gaúcha se modernizou. Virou metrópole. Virou gente grande. A população cresceu cerca de 10 vezes desde então. A paixão pelo clube que surgia naquele domingo se multiplicaria muito mais. Paulistas de nascimento, os irmãos Poppe, que presidiram a assembléia que fundou o clube, homenagearam sua terra. Em São Paulo, eles torciam pelo homônimo Sport Club Internacional, campeão estadual em 1907. Mal sabiam eles, que estavam criando uma entidade bem maior do que deu origem ao Inter. A ideia de criar um novo clube surgiu após os irmãos terem suas filiações negadas em todas as outras entidades esportivas da cidade. Fazer parte de uma grande agremiação não era para o bico de estudantes. Na teoria, o Internacional havia sido criado para ser de todos, de brasileiros e estrangeiros. Na prática não foi bem assim. Os negros, por exemplo, passaram a ser aceitos somente na década de 20, quando começaram a ser "importados" da Liga da Canela Preta. Desde os seus primeiros dias, a nova entidade queria ser grande. O objetivo era que o time fizesse seu primeiro match contra um dos clubes mais tradicionais da cidade: o Grêmio. Ao falar com os dirigentes gremistas, a resposta foi um sonoro "não". Seis anos mais velho, o Grêmio dizia que o Inter não estava à sua altura. Além disso, o Tricolor tinha uma rivalidade acirrada com o Fusball, principal rival dos gremistas no início do século passado, e não estava interessado em perder tempo com um recém-nascido. O máximo que os gremistas ofereceram aos colorados foi o seu segundo quadro, ou seja, sua equipe reserva. Impetuosos e liderados por Henrique Poppe, os joviais dirigentes vermelhos insistiram, insistiram até que o "co-irmão" cedeu à sua vontade. A preparação para o grande jogo foi realizada no campo da Rua Arlindo. As traves, feitas com madeira de boa qualidade, precisavam ser retiradas do campo ao fim de cada treino para não serem roubadas e virarem lenha. Num terreno baixo, o gramado muitas vezes alagava, fazendo os estudantes e comerciários terem que treinar no Campo da Várzea, onde fica atualmente o Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Em 18 de julho de 1909, com pouco mais de três meses de vida, o Inter entrava em campo com suas camisas de cores vermelha e branca. A escolha das cores gerou polemica entre os dirigentes do clube. Com o carnaval de Porto Alegre em alta na época, dois grupos carnavalescos dividiam a atenção da população e a preferência da diretoria do recém-fundado clube. Alguns queriam o verde e branco da Sociedade Esmeralda, outros preferiam homenagear os Venezianos Carnavalescos. Por maioria, foi decidido pelos Venezianos. E o primeiro uniforme era vermelho e branco em listras verticais. A estreia não poderia ter sido pior. A incipiente rivalidade teve como capítulo inicial uma vitória do Grêmio por um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, 10 a 0. Um vexame. O craque da partida foi o centroavante Booth, autor de cinco gols. Aprendendo com os erros, a conquista do primeiro título ocorreu em 1913, quando o Inter venceu o Campeonato Metropolitano. As taças do torneio foram sendo colocadas no armário em sequência até 1917. No ano seguinte, um surto de febre espanhola aterrorizou a todos em Porto Alegre. Com o time composto, em sua maioria, por estudantes vindos do Interior do Estado, o clube viu sua equipe se desmanchar. As escolas e faculdades da cidade interromperam as aulas, temendo um contágio em massa por parte dos alunos, que retornaram para suas cidades de origem. O hino na hora da dor O Internacional demorou quase 50 anos para ter seu hino oficial. A torcida tinha seus cantigos, mas nada que realmente representasse o clube. Num momento de amargura, o carioca Nélson Silva ouvia a pelas ondas da rádio Farroupilha a derrota do Inter para o Aymore, de São Leopoldo. A dor era tanta que ele esqueceu o encontro que tinha com sua namorada Ieda. Para amenizar seu sofrimento, Silva sentou-se em uma mesa de bar para desafogar as magoas. Foi ali que surgiu do início ao fim o "Celeiro de Ases", o hino oficial da torcida colorada. Desde os primeiros dias, a música havia caído no gosto popular. O clube procurava há algum tempo uma música que o representasse. Alguns dias após o surgimento do que seria o hino dos colorados, o Inter lançou um concurso de marchinhas para escolher uma que representasse a entidade. Silva não quis concorrer, mesmo assim ganhou. Logo depois, ele foi até o presidente Manoel Braga Gastal e entregou a música e os direitos dela para o clube. Virava oficial, o "Celeiro de Ases" passou a ser o Hino oficial do Sport Club Internacional. Confira a letra de Celeiro de Ases (Nélson Silva, 1957) Glória do desporto nacional Oh, Internacional Que eu vivo a exaltar Levas a plagas distantes Feitos relevantes Vives a brilhar Correm os anos surge o amanhã Radioso de luz, varonil Segue a tua senda de vitórias Colorado das glórias Orgulho do Brasil É teu passado alvi-rubro Motivo de festas em nossos corações O teu presente diz tudo Trazendo à torcida alegres emoções Colorado de ases celeiro Teus astros cintilam num céu sempre azul Vibra o Brasil inteiro Com o clube do povo do Rio Grande do Sul

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