Jornal Correio Braziliense

Superesportes

Brasileiros classificados ao Mundial devem ter maiôs testados

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A Federação Internacional de Natação (FINA) já estabeleceu alguns limites para os novos trajes, mas ainda não divulgou a lista dos modelos permitidos, o que deve acontecer na próxima semana. À espera do anúncio, os 27 atletas brasileiros que se classificaram para o Mundial de Roma devem testar seus maiôs para escolher a peça que será utilizada na competição. "Temos uma proposta de fazer estudos nesse período até o Mundial e que os atletas testem os maiôs que estão habituados a nadar para dizermos qual é o melhor não apenas no tempo, mas também na saída, na virada e em todos os itens que compõe uma prova por inteiro", afirmou Paulo César Marinho, biomecânico da seleção brasileira, na manhã desta quinta-feira, no clube Pinheiros. Nos próximos dias, os membros da comissão técnica se reúnem para tratar algumas questões específicas ligadas do Mundial, entre elas os testes. As provas devem acontecer em uma academia da capital paulista. "O atleta tem a preferência para decidir, mas caso ele tenha dúvidas, vamos fazer testes com filmagem subaquática, medir a ondulação, a entrada na água e o deslocamento", enumerou Marinho. O modelo Jaked, desenvolvido por um italiano, é a vedete do momento. No Troféu Maria Lenk, disputado no Rio de Janeiro durante a última semana, muitos atletas usaram a peça de forma bem-sucedida. Alguns pagaram mais de R$ 1 mil pelo traje que explora ao limite as brechas no regulamento imposto pela FINA até o momento. O francês Fred Bousquet, por exemplo, quebrou o recorde mundial dos 50m livre com esse maiô. Caso a peça seja declarada irregular pela FINA nos próximos dias, o biomecânico da seleção brasileira prevê que muitos nadadores perderão o sono. "É provável, principalmente porque tem um ponto psicológico fundamental: o atleta pode achar que, pelo fato de ter melhorado o tempo com o Jaked, vai sofrer uma diminuição de performance sem ele", explicou Marinho. Independente da posição da FINA, o técnico da seleção brasileira, Albertinho Silva, não está preocupado. Ele pede apenas que os atletas tenham acesso aos trajes com antecedência. "A partir do que for permitido, temos que ter umas duas ou três peças por atleta para começar a treinar com elas, pelo menos, umas três ou quatro semanas antes do Mundial", disse. Nos Jogos de Pequim, os brasileiros conheceram o LZR da Speedo apenas antes das provas. Com alguns de seus atletas apontados como favoritos, Albertinho não teme uma possível queda de rendimento conforme a decisão da FINA. "Se tirarem um determinado maiô, vai ficar igual para todo mundo. Comparativamente com o resto do mundo, o Brasil tem resultados excelentes e temos que viajar para o Mundial levando isso em conta", finalizou. Arílson Soares, técnico de Felipe França, recordista mundial nos 50m peito, não descarta o aparecimento de uma outra peça até o Mundial. "A gente nunca sabe. Se surgir outro traje importante, não podemos ficar atrás dos outros, já que o Brasil chegou a um nível Mundial. Se acontecer algo novo, precisamos ter acesso para testar durante as provas preparatórias", disse.