Os gritos do treinador Lula Ferreira ecoaram no Ginásio da Asceb, assustando aqueles que são acostumados a ver o comandante do Universo sempre sereno. A bronca foi para Alex: ;O técnico sou eu, quem decide isso sou eu;. O ala ainda argumentou com Lula, também exaltado, durante alguns instantes. Encerrada a discussão, o coletivo seguiu normalmente.
A razão do bate-boca: Alex achou que tinha sofrido uma falta e Lula não marcou. Por isso, parou de jogar. Como não era a primeira vez que um atleta fazia isso no treino, o treinador estourou. ;Não sou de ficar gritando, mas tem hora que não tem jeito. Jogador tem mania de achar que apita. Ele está lá para jogar e não para julgar;, reclamou ele, ao fim do trabalho. ;Eles não percebem que o maior poder deles contra o árbitro é jogar.;
;Foi coisa do treino, porque estava bom, forte. É normal e vai acontecer de novo;, justificou Alex. Essa, aliás, é a postura de todos no Universo. ;Acontece isso porque o time é bom e os dois grupos querem ganhar;, explica Nezinho. ;Está todo mundo animado;, emenda Valtinho. Mais que isso. Tanto Lula quanto os jogadores destacam que é importante ter esse tipo de enfrentamento. ;Nem eu sou obrigado a concordar com ele nem ele comigo;, argumenta Alex.
Além disso, a discussão, para eles, mostra que a equipe está com vontade. ;Se não acontecesse nada disso, significaria que o time está morno;, ressalta Valtinho. Nas palavras de Alex, ;em um time que quer ser campeão, não pode ser só aquele treininho de comadre;.
Vai e volta
Se a boa notícia de terça-feira foi a volta de Mineiro e Cipriano aos treinos, a má notícia de ontem foi que os dois têm poucas chances de participar da partida de domingo, na estreia do Universo em casa na segunda edição do Novo Basquete Brasil (NBB), contra Franca. Nenhum dos dois pivôs pôde participar do treinamento de ontem.
Mineiro sofre com uma lombalgia aguda ; na quarta-feira, após enterrar uma bola, ele travou a coluna. A contusão, comum em atletas tão grandes, deve afastar o pivô de 22 anos por pelo menos mais três dias, como explicou o fisioterapeuta Carlos Ewbank, o Carlinhos.
Já Cipriano sentiu muitas dores musculares, depois do treinamento de quarta-feira, resultado de mais de um mês parado por causa da hérnia de disco. Fora de forma, ele não quer forçar uma volta sem estar em condições. O fisioterapeuta Carlinhos confirma que Cipriano só deve retornar quando estiver clinicamente bem. ;A volta tem de ser gradativa.;
Única opção
Desde o início dos trabalhos, sabendo que poderia contar com Nezinho e Guilherme Giovannoni como reforços, o técnico do Universo, Lula Ferreira, já planejava explorar as diversas facetas dos seus comandados e entrar em quadra com Giovannoni como o pivô cinco, aquele que fica mais dentro do garrafão, e Alex fazendo dupla com ele. A alternativa, entretanto, pode ser a opção que resta na partida de domingo contra o Franca, quando Estevam, o único pivô cinco por natureza à disposição do técnico, tiver de sair de quadra.
;Vamos ter que improvisar um pouco. Uma coisa é ter isso como opção, outra é ser a única alternativa;, lamenta Lula. Mesmo assim, ele prefere ressaltar que é com essa equipe que tem terminado as partidas ; o técnico costuma dizer que o grupo titular é o que termina o jogo e não o que começa. ;É o time mais técnico que eu tenho.;
No entanto, o treinador ainda pretende contar com pelo menos mais um pivô no banco, nem que seja para atuar por alguns minutos: Cipriano. Mas o atleta não gosta nada da ideia. ;De jeito nenhum. Só se for para passar vergonha.;
A falta de alternativa de um pivô não chega a preocupar os outros atletas. Alex já está preparado para fazer a função ao lado de Giovannoni. ;Não adianta chorar. Fica um pouco mais difícil, mas não atrapalha;, assegura Valtinho. Já Nezinho ressalta que eles ficaram sem treinar com os ;grandões; por um bom tempo (desde a semana passada). ;Dificulta, mas eu acredito muito na minha equipe.;
Programe-se
Os ingressos para o jogo de estreia do Universo em casa, na segunda edição do NBB, serão vendidos apenas no dia, duas horas antes da partida (a partir das 9h), no Ginásio da Asceb. A inteira custará R$ 20 e a meia-entrada, R$ 10.