Jornal Correio Braziliense

Superesportes

Marketing de batom e chuteiras



Após 17 anos da estreia com a camisa da Seleção Brasileira, Marta assumiu uma posição ativa na quinta Copa do Mundo que disputou. Depois de recusar patrocínios com valores menores aos dados a homens na mesma profissão e expor a situação por meio de uma campanha por igualdade de gênero, a craque do Brasil entrou em campo com um batom vermelho para o jogo contra a Itália, pela terceira rodada da fase de grupos. Havia uma campanha da Avon por trás da ação de marketing. Ainda assim, expandiu os limites da publicidade e rompeu preconceitos relacionados à falta de vaidade no futebol feminino.

Marta entrava em campo usando um batom escuro pela primeira vez. A cor escolhida chamava-se Sangria. ;Tem de dar o sangue, tem que estar junto;, explicou a escolha, durante o torneio. Com o batom, ela marcou outro gol, também de pênalti, passando Klose como maior artilheira da história das Copas. E dedicou a marca às mulheres. Após a eliminação, voltou a bater na tecla: ;A avaliação é positiva. Não da minha Copa, mas da Copa do Mundo da Seleção Brasileira. Eu não teria conseguido nenhum recorde sem o apoio das meninas;, avaliou.

Fora das quatro linhas, também abraçou a causa. A embaixadora global da ONU Mulheres desde julho de 2018 posou para uma revista de moda pela primeira vez. A Rainha do Futebol foi a estrela da capa da edição de julho da Vogue Brasil, em que aparece descalça, com o pé sobre uma bola de futebol. Assim, Marta quebra um padrão visto na maioria dos ídolos do esporte brasileiro de não misturar esporte com engajamento político, apesar do potencial de visibilidade. (MN e MEC)