postado em 05/07/2019 04:22
Estados Unidos e Holanda protagonizam a grande final da Copa do Mundo de 2019. O duelo, que acontece no domingo, às 12h, em Lyon, definirá o país vencedor da edição do torneio que colecionou recordes e levou o futebol feminino a um novo patamar. No oitavo Mundial da história, a trajetória dos finalistas ensina que o Brasil tem muito a aprender se quiser conquistar a ambicionada taça.
Presente em todas as Copas, a seleção norte-americana é um exemplo de sucesso. Com três canecos na estante, é o maior campeão do torneio e chega à quinta final da história. Para as holandesas, é apenas a segunda participação na Copa do Mundo. A estreia foi há quatro anos, no Canadá, mas apesar da juventude em Mundiais, as finalistas estão colhendo um trabalho consistente do país com o futebol feminino. A evolução rendeu o título da Uefa Women;s Euro para a Holanda em 2017.
Apesar da tradição norte-americana, a liga do país passou por instabilidades desde a formação em 2001. A primeira competição (WUSA) existiu apenas até 2003. Em 2009, foi feita a WPS, extinta em 2011. A National Women;s Soccer League teve a edição inaugural em 2013 e, atualmente, é disputado por nove times. Apesar do baixo quórum, o campeonato é conhecido por ter as melhores jogadoras do mundo. Não é à toa que as 23 atletas que buscam o tetracampeonato na França vestem a camisa de clubes norte-americanos.
O Campeonato Holandês feminino foi criado em 2007 e, desde então, é disputado ininterruptamente, sendo três temporadas (2013-2015) em uma fusão com a Bélgica. O atual formato da competição voltou a ser jogado unicamente por clubes holandeses e conta com nove equipes. Apesar do fortalecimento da liga, das 23 convocadas, apenas seis defendem times da liga nacional.
Lutas
Os Estados Unidos não é a principal potência do futebol feminino por acaso. O sucesso da seleção norte-americana é resultado do desenvolvimento do esporte nas escolas e universidades. Em 1972, uma lei federal proibiu organizações que recebiam verbas do governo de discriminar pessoas por qualquer motivo de gênero. Isso obrigou as entidades educacionais a criar times femininos de futebol.
Apesar do apoio legal, a equidade de gênero ainda não é realidade no futebol dos Estados Unidos. Além de serem símbolo de ativismo, as jogadoras confrontam a entidade que administra a modalidade no país, exigindo equiparação de salários em relação aos homens.
Atletas da atual seleção campeã mundial entraram com uma ação judicial contra a federação de futebol dos EUA, protocolada em março. As jogadoras afirmam que recebem menos dinheiro do que a equipe masculina, além de as condições de viagens, do departamento médico, da promoção de partidas e dos treinamentos serem desfavoráveis às atletas femininas em relação ao time masculino, ainda que as performances delas sejam superiores às dos homens.
*Estagiária sob a supervisão de Fernando Brito