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Correio Braziliense

Herói do tri inspira adversário

Conheça Capita, o xará angolano de Carlos Alberto Torres. Artilheiro, marrento e até barrado no check-in em Luanda, o atacante é uma das esperanças da nação africana hoje contra o Brasil


postado em 01/11/2019 04:07 / atualizado em 01/11/2019 10:29

Em litígio com o time dele, o 1º de Agosto, Capita (C) precisou de ação judicial pelo direito de embarcar sozinho para a disputa do torneio no Brasil(foto: Divulgação/FIFA )
Em litígio com o time dele, o 1º de Agosto, Capita (C) precisou de ação judicial pelo direito de embarcar sozinho para a disputa do torneio no Brasil (foto: Divulgação/FIFA )

Carlos Alberto Torres, o maior lateral-direito brasileiro de todos os tempos, foi o capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970 e ergueu a famosa taça Jules Rimet. A campanha rendeu-lhe o apelido de Capita. Em 2016, o ex-jogador, comentarista e técnico morreu aos 72 anos vítima de um infarto, mas o legado dele está na ponta da língua de uma nação cujo idioma é o português. Hoje, o atacante Osvaldo Pedro Capemba, 17, entrará em campo contra o Brasil, às 20h, no Estádio Olímpico, em Goiânia, com a alcunha Capita acima da camisa número 7 de Angola. É nome de guerra escolhido pelo adolescente nascido em Luanda.

Capita é um dos destaques ofensivos de Angola, que segue 100% no Grupo A do Mundial Sub-17 e decidirá o primeiro lugar da chave com a Seleção Braseilira. Nascido em 10 de janeiro de 2002, a promessa diz que não conhecer a história do tricampeão mundial. “Nunca ouvi falar nele. Imagino o quanto ele jogava. Ganhou uma Copa do Mundo como capitão”, brincou Osvaldo.

O angolano explica o apelido. Dá a entender que o pai era fã do autêntico Capita. “Sou chamado pelo meu pai de Capitão, aí pegou no Sub-12. Então, desde 2014 eu escolhi como meu nome”. Justifica. Por incrível que pareça... “Nunca fui capitão, mas é assim que me chamam”, diverte-se o angolano.

Artilheiro da Liga das Nações Africanas Sub-17 com quatro gols em cinco jogos, Capita quase não representou seu país no Mundial. O atacante do clube angolano 1º de Agosto está sem treinar e atuar pelo time há mais de quatro meses. Ele deixou os treinamentos e se recusou a entrar em campo pela equipe. Presidente do time, Carlos Hendrick entrou com ação na Federação Angolana de Futebol para que ele não embarcasse para a disputa do Mundial. A entidade acatou o pedido e proibiu o atleta de viajar no momento do check-in.

Os colegas de grupo decolaram rumo ao Brasil e Capita ficou em Angola. Dois dias depois, a ministra da Juventude e Desportos do país africano, Ana Paula Sacramento, fez um despacho liberando o jogador. “Em Angola, as crianças e os adolescentes são prioridade absoluta. É uma saída pela seleção nacional. Competia à federação liberá-lo. Ninguém pode ‘matar’ a carreira do atleta”, argumentou a ministra.

Capita foi titular nas vitórias sobre Nova Zelândia e Canadá. É um dos destaques de Angola. Atuando na meia esquerda, o camisa 7 divide a responsabilidade com o camisa 10, Zito. Em meio à felicidade após a vitória sobre o Canadá, Capita disse estar aliviado por ter conseguido vir ao Brasil. “Não queria falar, mas passei por muita coisa, muito estresse. Nada é impossível. Sempre acreditei que estaria com meus colegas. É uma página virada”.

O atacante cita o brasileiro Neymar como ídolo. “Gosto muito de como ele responde a mídia, de como supera as críticas e responde com a bola no pé”, comentou o jogador, que promete dar trabalho ao Brasil em Goiânia.

“Sou chamado pelo meu pai de Capitão, aí pegou no Sub-12. Então, desde 2014, eu escolhi como meu nome. Nunca fui capitão, mas é assim que me chamam”
Osvaldo Pedro Capemba, o Capita

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