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Correio Braziliense

Vestibular olímpico

Superliga Feminina começa hoje e, após cinco anos, o torneio não contará com time de Brasília. Mas as duas atletas da capital do país no campeonato esperam bom desempenho para garantir espaço na Seleção


postado em 12/11/2019 04:15 / atualizado em 12/11/2019 08:16

A oposta Tandara (C) e a levantadora Fabíola (D) fecharam contrato com o Sesc/RJ. Sob o comando do exigente técnico Bernadinho, elas contam com desenvolvimento nas quadras(foto: Marcio Mercante/Divulgação)
A oposta Tandara (C) e a levantadora Fabíola (D) fecharam contrato com o Sesc/RJ. Sob o comando do exigente técnico Bernadinho, elas contam com desenvolvimento nas quadras (foto: Marcio Mercante/Divulgação)

A Superliga Feminina de vôlei começa hoje sem nenhum representante da capital federal. O Brasília Vôlei foi rebaixado na última edição, ao terminar na 11ª colocação, a penúltima da tabela. Acostumados a ver o time candango na elite nos últimos cinco anos, os brasilienses ao menos terão atletas da cidade para se apegar — e na mesma equipe. A oposta Tandara e a levantadora Fabíola são os dois principais reforços do Sesc/RJ, do técnico Bernardinho, para tentar voltar a levantar a taça de campeão. O maior vencedor nacional, com 12 títulos, encara um jejum de duas temporadas sem vencer o torneio.

As duas jogaram juntas pela primeira vez em 2006, no extinto Brasil Telecom, de Brasília. Na época, Tandara estava com apenas 17 anos e disputava a Superliga pela segunda vez antes de despontar nacionalmente pelo Osasco. “A gente sempre se deu muito bem, é uma pessoa de uma áurea muito boa, que ajuda o máximo possível”, elogia Tandara. “Jogar com uma levantadora com a experiência que ela tem acrescenta mesmo que já tenhamos trabalhado algum tempo juntas”, completa.
Naquele período, Fabíola retornava para a cidade natal aos 23 anos, após ter passado por quatro times, incluindo a Força Olímpica, também brasiliense, onde foi revelada em 1998, ainda como ponteira. Ela se tornou levantadora no primeiro clube após sair de Brasília, influenciada justamente por Bernardinho. “Jogar com ele novamente é algo que eu desejo há muitos anos”, diz a levantadora do Sesc/Rio. “O Bernardo trabalha muito com a levantadora, ele foi levantador e eu, mesmo com 36 anos e com toda minha experiência, acredito que posso aprender mais.”

Aposta

Tandara e Fabíola voltaram a se encontrar no Osasco e na Seleção Brasileira. Agora, aos 31 e 36 anos, respectivamente, o reencontro é no time de Bernardinho — aposta de ambas para se destacarem na temporada que antecede os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. “Eu vim para o Rio em busca desse crescimento, de ser treinada pelo Bernardo e de oferecer o máximo do que posso”, afirma Tandara. E bastou a pré-temporada para a atacante perceber onde se meteu. “Ele é realmente tudo aquilo que as pessoas tanto falaram de responsabilidade e comprometimento. Está sendo muito importante para mim”.
O comandante da Seleção Brasileira feminina, José Roberto Guimarães, conhece as duas muito bem. Levou Tandara para as Olimpíadas de Londres-2012, em que o Brasil foi campeão. Na mesma edição, cortou Fabíola. Quatro anos depois, as duas inverteram os papéis. Tandara foi cortada para a Rio-2016, enquanto Fabíola realizou o sonho olímpico, mas viu a equipe brasileira cair nas quartas de final em casa.

Fabíola destaca que se colocou à disposição de Zé Roberto neste ano, mas empecilhos com a mudança para o Rio a impediram. “Eu não pedi dispensa nem nada, mas demorei muito para arrumar uma babá para ficar com as minhas filhas no Rio”, explica. “Acredito que não tenha fechado as portas na Seleção Brasileira.”

Nesta temporada, porém, foi a vez de Tandara pedir dispensa da Seleção para se recuperar de uma séria lesão no tornozelo esquerdo, sofrida na China pelo Guangdong Evergrande. Agora, sem dores durante os treinos e os jogos, o objetivo é melhorar fisicamente visando às Olimpíadas no ano que vem. Sobre a volta de algumas jogadoras veteranas, como a também oposta Sheilla, a brasiliense é categórica: “Com a disputa de lugares na equipe, quem tende a ganhar é o Brasil por essa competitividade”.

 

 

Maternidade favorece a evolução das jogadoras

Tandara e Fabíola são as únicas mamães da equipe carioca. Segundo elas, as tarefas que acumulam fora das quadras e a revolução psicológica causada pela chegada das filhas servem de aprendizado para o time. “Tentamos trazer a experiência do amor de ser mãe para o grupo. Antes da maternidade, eu era uma outra pessoa”, diz Fabíola.

A mãe de Annah Vitória, de três anos e oito meses, e de Andressa, 13, divulgou um vídeo recentemente que flagra a filha mais nova imitando os movimentos da levantadora durante um saque. “Foi uma coisa tão natural, ela nunca tinha feito isso”, comenta a jogadora, que nem liga tanto para redes sociais. O vídeo, porém, foi um dos mais curtidos e comentados no perfil dela. “Não tem jeito, está no sangue. Minha outra filha também está jogando”, completa, sem esconder o orgulho.

A experiência acumulada por Fabíola com a filha mais velha ajuda a outra mãe do time – ainda de primeira viagem. Tandara, que tem apenas Maria Clara, quatro anos, diz que as filhas são assunto frequente entre ela e Fabíola. O convívio entre as meninas também, principalmente quando as levam aos treinos. Mas não são apenas as crianças que se divertem. “É um passatempo para as outras jogadoras do time também, que tiram foto, brincam com elas. É uma oportunidade que elas têm de voltar a brincar de boneca”, observa Tandara. (MN)

 

1ª rodada

 Hoje
19h30 São Paulo x Fluminense
20h Valinhos x Praia Clube
Osasco x São Caetano
Curitiba x Sesc/RJ
20h30 Flamengo x Minas
21h Pinheiros x Sesi/Bauru

 

Três perguntas para Tandara

 

Como é trabalhar com o Bernardo?
É realmente tudo aquilo que as pessoas tanto falaram de responsabilidade e comprometimento. Ele é muito crítico e cobra a todo momento. Está sendo muito importante para mim, e é uma outra forma de crescimento. Eu vim em busca desse crescimento, de ser treinada por ele e de oferecer o máximo do que posso. Nunca é tarde para se aprender e acredito que esta temporada será de muito aprendizado.

As próximas Olimpíadas pesaram na decisão de jogar no Rio?
Vi algumas entrevistas com o Zé Roberto em que ele falou que a minha presença é muito importante, colocando uma responsabilidade sobre mim e eu gosto disso. Então, agora o meu foco é trabalhar e treinar bastante para que eu vá para a Olimpíada e desempenhe o meu melhor. Todas as jogadoras falaram de um crescimento por trabalhar com o Bernardo. Por que não ter esse momento de crescimento tendo uma Olimpíada logo em seguida? Isso acrescentou para a minha escolha do clube.

O que achou da queda do Brasília Vôlei para a segunda divisão?
Não ir a Brasília para jogar e não poder ver minha família no ginásio são os lados ruins. Claro que é uma perda, mas o bom é que o time não acabou, está com um projeto para subir para a Superliga A. Aliás, eu conheço o Rogério Portela (atual técnico), que faz um trabalho muito bacana e que é realmente apaixonado por vôlei e também é de Brasília. Comentei com ele que eu comecei minha carreira em Brasília e que gostaria de terminar em Brasília. Até brinquei para ele fazer as coisas direito, porque eu quero jogar em Brasília antes de parar.

 

Três perguntas para Fabíola

 

Você fez uma boa Superliga na temporada passada com o Bauru, mas não foi relacionada para a
Seleção Brasileira. Como vê o seu espaço na equipe nacional?

Eu me coloquei à disposição da Seleção neste ano e, dentro do calendário, tínhamos conversado que eu participaria de dois dos campeonatos. Mas, com a minha chegada ao Rio, eu demorei muito para arrumar uma babá para ficar com as minhas filhas. Foi conversado com o Zé Roberto e expliquei tudo. Acredito que eu não tenha fechado as portas para mim na Seleção Brasileira. Neste ano, eu não pedi dispensa nem nada, a questão foi mesmo de adaptação da pessoa para ficar com minhas filhas no Rio.

Após o corte nas Olimpíadas de Londres-2012, você realizou o sonho olímpico no Rio, em 2016, mas o Brasil foi eliminado nas quartas de final. Qual foi sua impressão sobre aquele torneio?
Para mim, foi de medalha de ouro, porque foi um sonho realizado. Olimpíada é fora do normal, é maravilhoso de participar. Ficou o gostinho de que podíamos ter ganhado uma medalha, mas infelizmente não aconteceu, faz parte, temos de seguir a vida. Mas foi fantástico jogar no Maracanãzinho lotado.

Vocês e a Tandara são as duas mamães do time. Isso faz diferença?
Sim, porque o filho traz responsabilidade, o cuidado, você passa a não olhar mais só para si, faz para eles, muda o olhar do seu trabalho e de tudo. Trazemos isso para o time. Somos jogadoras que não temos o mesmo descanso de uma atleta que não tem filho e, mesmo assim, damos conta. Então, acaba motivando as outras. Tentamos trazer a experiência do amor de ser mãe para o grupo. Antes da maternidade, eu era uma outra pessoa.

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