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Correio Braziliense

Maravilha faz nascer um campeão

Treinado por uma mulher, terceiro goleiro da Seleção festeja o título mundial conquistado em Brasília e relembra as origens


postado em 19/11/2019 04:35 / atualizado em 19/11/2019 08:34

(foto: CBF/Divulgação)
(foto: CBF/Divulgação)

A felicidade era geral entre os garotos da Seleção Brasileira com a conquista do tetracampeonato mundial sub-17, no Estádio Bezerrão, no domingo. Um deles trocou as músicas de Charlie Brown Jr. e MPB pelo pagode arranhado pelos colegas, com batuques e pandeiros. A alegria era dividida ao sentimento de gratidão. No caso do goleiro Cristian, os agradecimentos incluem uma mulher que fez história como goleira da Seleção e que, após aposentar as luvas, instruiu os primeiros passos — ou melhor, as primeiras defesas dele.

Marlisa Wahlbrink, mais conhecida como a goleira Maravilha, apesar de nascida em Constantina, no Rio Grande do Sul, ganhou o apelido carinhoso pelo nome da cidade em que cresceu: Maravilha, a oeste de Santa Catarina, perto de Chapecó. Foi lá também onde nasceu o goleiro Cristian, que recebeu os primeiros treinamentos para a posição que exerce por meio da ex-jogadora. Ela era a preparadora de goleiros do Projeto Genoma Colorado Maravilha, uma escolinha de futebol ligada à prefeitura local.

“Praticamente graças a ela eu cheguei onde cheguei hoje”, agradece Cristian, que soltou um largo sorriso ao ouvir o nome da tutora. “Antes de eu ir para o Atlético-MG, eu jogava no Genoma, uma escolinha de Maravilha, e era ela quem me passava os treinos”, completa. Após trabalhar com ela na cidade natal, o discípulo foi aprovado para integrar as categorias de base do Galo em 2014.

Neste ano, o jovem goleiro de Maravilha integrou o elenco brasileiro que disputou o Sul-Americano Sub-17 e voltou a ser convocado para a Copa do Mundo da categoria, em que o Brasil saiu campeão invicto nos sete jogos disputados. “Não tenho palavras para descrever o que é estar aqui, o que é ser campeão do mundo com 17 anos, nunca esperei por isso, sempre sonhei, mas não esperava. É muito bom ser campeão”, comemora.

Cristian diz que não costuma conversar com a antiga tutora a distância. Mas, nas oportunidades em que se encontram, aproveitam para colocar a conversa em dia e trocar experiências. “Na preparação para o Mundial, na Granja Comary, ela estava lá e conversamos bastante, foi bem legal”, conta. Muito feliz a pontos de esquecer a timidez, ele respondeu seguro sobre o que Marlisa Wahlbrink estaria pensando ao vê-lo agora, vestindo a amarelinha e com uma medalha de ouro no peito: “Com certeza, ela deve estar muito feliz e orgulhosa”.

Como atleta, a goleira Maravilha conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e também disputou os Jogos de Sydney-2000. No currículo, ainda acumula um bronze no Mundial de 1999. Com dificuldades de encontrar clubes para atuar, ela aceitou a proposta para ser preparadora de goleiras e auxiliar do time de futebol feminino de uma Universidade no Kansas, nos Estados Unidos. Formada em educação física, tornou-se a primeira preparadora de goleira da Seleção Brasileira feminina, em agosto, onde atua na categoria sub-17.


“Antes de eu ir para o Atlético-MG, era ela quem me passava os treinos. Não tenho palavras para descrever o que é ser campeão do mundo com 17 anos. Praticamente graças a ela eu cheguei onde cheguei hoje. Com certeza, ela deve estar muito feliz e orgulhosa”
Cristian, terceiro goleiro da Seleção Brasileira sub-17

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