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Correio Braziliense

Reconhecimento internacional

Mental coach do Flamengo é o mesmo do Colorado no título inédito de 2006 contra o Barcelona. Em entrevista ao Correio, heróis do time gaúcho contam como Evandro Motta ajudou na conquista


postado em 12/12/2019 04:06 / atualizado em 12/12/2019 08:28

(foto: Alexandre Vidal/Flamengo)
(foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

O Flamengo embarca amanhã para o Catar com um talismã na bagagem. Mental coach do clube carioca, Evandro Motta era o motivador do Internacional, há 13 anos, na conquista do Mundial de Clubes contra o Barcelona de Valdés; Zambrotta (Belletti), Rafael Márquez, Puyol e van Bronckhorst; Thiago Motta (Xavi), Iniesta e Deco; Giuly, Gudjonhsen (Ezquerro) e Ronaldinho Gaúcho, em Yokohama, no Japão. Homem de confiança do treinador português Jorge Jesus, o profissional tentará repetir no país árabe a trajetória de 2006, quando colaborou com Abel Braga nas duas conquistas do time colorado e ganhou mais do que o respeito, a torcida dos heróis da partida épica daquele 17 de dezembro.


O Correio conversou com quatro jogadores daquele Internacional sobre a influência de Evandro Motta nas conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes. A reação ao ouvir o nome do trunfo rubro-negro impressiona. “O trabalho dele foi excelente. A palestra dele tinha pontos que ficavam fixos na cabeça. Eu nunca esqueci, por exemplo, de uma tirada dele contra a catimba dos adversários sul-americanos. O Evandro dizia: ‘Quando a coisa ficar feia, o jogo virar uma batalha, vocês forem provocados, e até o juiz estiver jogando contra, bola neles, bola neles. Lembro-me disso até hoje”, conta o ex-goleiro Clemer, titular na vitória por 1 x 0 sobre o Barcelona.

Clemer recorda a palestra de Evandro Motta antes do triunfo sobre os comandados de Frank Rijkaard. “Ele dizia que há um gigante dentro de nós querendo sair e que colocaríamos para fora a partir do momento em que entendêssemos que o Barcelona não era o melhor do mundo. Se você der uma conferida no nosso semblante quando entramos em campo, verá que aquele jogo poderia durar mais 180 minutos que o Barcelona não faria gol na gente”.

O herói colorado cita, inclusive, uma goleada sofrida na última rodada do Brasileirão de 2006 como coincidência com o trabalho de Evandro Motta no Flamengo. “Quer uma prova de que ele não está lá a toa? Antes de embarcar para o Japão, o Inter perdeu de 4 x 1 para o Goiás, no Beira-Rio. A nossa cabeça estava no Mundial. Criticaram o Flamengo depois da derrota por 4 x 0 para o Santos, mas o Flamengo é um fenômeno, e o Evandro sabe administrar muito bem isso. As coisas estão dando tão certo que eles podem ganhar esse título”, aposta Clemer.

Parceiros na zaga, Índio e Fabiano Eller também exaltam Evandro Motta. “É um cara maravilhoso. Falam muito desse lado motivacional dele, mas não é só isso. Ele busca muitos dados sobre os jogadores do outro time, a história do clube adversário e até do país, cidade, estádio em que vamos jogar. Isso é sensacional”, relata Eller.

Emocionado, o beque lembra de uma palestra em que Motta preparou uma linha do tempo com erros cometidos na Libertadores para motivar o elenco. “Ele montou um passo a passo lembrando as dificuldades que a gente viveu. Eu, por exemplo, tenho pouca memória, e ele soube resgatar isso. Ajudou muito. Quando estamos vivendo um momento bom, como é o caso do Flamengo, temos facilidade de esquecer os ruins. Tenho certeza de que ele lembrará os erros, as dificuldades de viajar mais de 20 horas para disputar um jogo na Libertadores. Desculpa, mas estou até emocionado ao lembrar de tudo isso”, emendou Eller após uma longa pausa ao telefone.

Índio foi não poupou modernos adjetivos ao falar sobre Evandro Motta. “É lenda, o melhor do mundo no que faz. Esse cara é maravilhoso. Além de ele ter uma autoestima impressionante, conhece muito sobre futebol. A força que ele nos deu ao mostrar que tudo era possível contra o Barcelona é inesquecível”.

Autor do gol do título, o meia Adriano Gabiru vai na contramão dos companheiros e minimiza a influência de profissionais como Evandro Motta. “A motivação vem de dentro do jogador. Eu sei o nome dele, mas, sinceramente, não lembro das palestras. Faz 13 anos”, riu. “É assim mesmo. Tem jogador que é desligado demais”, diverte-se
Clemer. “Os rubro-negros podem ter certeza de que o Evandro não está lá a toa. Eu asseguro”.

Bruno Henrique

Após dois dias de folga, o Flamengo se reapresentou ontem com uma boa notícia: Bruno Henrique treinou e não deve ser problema para a estreia da equipe no torneio, terça-feira, às 14h30 (de Brasília), em Doha, contra Al-Hilal (Arábia Saudita) ou Espérance (Tunísia). O atacante havia sentido dores musculares na coxa direita no último jogo contra o Santos, no domingo passado, pela rodada final do Brasileirão. A preocupação se esvaiu, e é muito provável que Bruno Henrique esteja em campo no primeiro jogo do Flamengo no Mundial de Clubes.



“Ele dizia que há um gigante dentro de nós querendo sair e que colocaríamos para fora contra o Barcelona. Se você der uma conferida no nosso semblante quando entramos em campo, verá que aquele jogo poderia durar mais 180 minutos que o Barcelona não faria gol na gente”
Clemer, ex-goleiro



“É um cara maravilhoso. Falam muito desse lado motivacional dele, mas não é só isso. Ele busca muitos dados sobre os jogadores do outro time, a história do clube adversário e até do país, cidade, estádio em que vamos jogar. Isso é sensacional”
Fabiano Eller, ex-zagueiro



“É lenda, o melhor do mundo no que faz. Esse cara é maravilhoso. Além de ele ter uma autoestima impressionante, conhece muito sobre futebol. A força que ele nos deu ao mostrar que tudo era possível contra o Barcelona é inesquecível”

Índio, ex-zagueiro


 

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