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Correio Braziliense

Voto de paz pelo fim da guerra

Entenda por que o clássico de amanhã entre Brasiliense e Gama virou questão de Estado. Partida terá público, mas com ressalvas


postado em 14/02/2020 04:07 / atualizado em 14/02/2020 08:29

Confusão foi generalizada no clássico de 2017: houve confronto entre torcedores de Brasiliense e Gama no gramado do Bezerrão e o jogo foi encerrado(foto: SE Gama/Divulgação - 12/3/17 )
Confusão foi generalizada no clássico de 2017: houve confronto entre torcedores de Brasiliense e Gama no gramado do Bezerrão e o jogo foi encerrado (foto: SE Gama/Divulgação - 12/3/17 )
 Seis de fevereiro deste ano. Luziânia (GO). Torcedores de uma uniformizada do Gama planejam ir até o Estádio Serra do Lago, palco do duelo entre Brasiliense e Paysandu pela primeira fase da Copa do Brasil. A Polícia Militar de Goiás acompanha a movimentação pelas redes sociais e prepara um plano. Permite que o bando se aproxime do estádio, mas intercepta o plano de transformar a arquibancada em praça de guerra. A intenção era bater de frente com uma organizada do Brasiliense. Mesmo impedidos de irem às arenas, “torcedores” do Jacaré comparecem vestidos à paisana. O jogo terminou em paz graças a uma ação silenciosa dos órgãos de segurança.

Depois de monitorar cada passo dos baderneiros do Gama, a PM-GO os impediu de entrar no estádio. Eles ficaram detidos na chuva, nas proximidades do Serra do Lago e liberados horas depois da saída dos torcedores do Brasiliense a fim de evitar o confronto. Os policiais não agiram com violência.

O bastidor apurado pelo Correio deixou os órgãos de segurança do Distrito Federal em alerta para o clássico de amanhã, às 15h30, no Serejão. Durante o dia de ontem, houve impasse para a liberação do estádio localizado em Taguatinga e até mesmo sobre a presença ou não de público na Boca do Jacaré.

O martelo só foi batido no início da noite. O duelo de maior rivalidade da capital ganhou voto de confiança da Federação de Futebol do Distrito Federal, da Polícia Militar, do Serviço de Segurança Pública e do Ministério Público, mas com ressalvas. “A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) esclarece que a torcida do Brasiliense não pode adentrar os estádios, conforme determinação judicial. Por isso, o jogo terá torcida única. A PMDF acrescenta, ainda, que, em novembro do ano passado, a corporação realizou uma vistoria e liberou o uso do estádio. Em janeiro deste ano, uma nova visita foi feita e constatado que o estádio tem condições de jogo”, avisou o órgão em resposta ao Correio.

A Defesa Civil também se pronunciou à reportagem. “O estádio Elmo Serejo, o Serejão, localizado em Taguatinga, foi liberado para realização de partidas de futebol após vistoria técnica que avaliou condições estruturais e parte elétrica. O laudo de liberação, expedido pela subsecretaria, é válido até 21 de junho deste ano”.

Quando a tabela do Candangão foi divulgada em novembro do ano passado, o clássico estava marcado para domingo (16). Porém, o anúncio da realização da Supercopa do Brasil com o campeão do Brasileirão, Flamengo, e o vencedor da Copa do Brasil, Athletico-PR, no Mané Garrincha, na mesma data, provocou a antecipação.

Choque de datas

“Não seria possível que os dois jogos acontecessem no mesmo dia, devido ao policiamento e à segurança. Como há o interesse da federação no evento (Supercopa do Brasil), a gente não viu problema em mudar a data”, disse Márcio Coutinho, o Careca, diretor de departamento técnico da FFDF.

A briga entre vândalos das uniformizadas do Gama e do Brasiliense é recorrente. A solução, de acordo com Márcio Coutinho, é engajar os atletas na conscientização da torcida. “A minha ideia é fazer uma campanha com os jogadores com o objetivo de pedir paz aos torcedores. Vamos pedir para que os torcedores vão ao estádio torcer e gritar. Se for para ter competição entre torcidas, que seja de quem grita mais alto, ganha”, suplica.

Em 2017, a briga também aconteceu dentro de campo. O centroavante Nunes, do Gama, jogador do Brasiliense à época, e o lateral direito Dudu Gago, do alviverde, iniciaram uma confusão que se estendeu para as arquibancadas e os torcedores invadiram o gramado. As imagens da selvageria rodaram o Brasil e o mundo. Há registro de confrontos até no metrô de Ceilândia num dia em que os dois clubes não haviam se enfrentado.


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