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Correio Braziliense

Quase dois terços dos usuários de computador não têm antivírus, revela pesquisa


postado em 01/02/2010 11:42 / atualizado em 01/02/2010 11:50

Quando a banda larga ainda era uma tecnologia novíssima e o Windows XP não passava de um protótipo nos laboratórios da Microsoft, em 2000, os usuários de todo o mundo já começavam a sofrer os efeitos devastadores de infecções eletrônicas. O desconhecimento colaborava com o mal. O Google, por exemplo, lançado havia pouco mais de um ano e meio, não era tão popular para servir como plataforma de informações sobre ameaças virtuais. Foi exatamente nesse cenário de novidades que um vírus batizado de LoveLetter foi lançado na Ásia, atravessou a Europa e chegou aos Estados Unidos, causando prejuízos de, aproximadamente, US$ 9 bilhões. Uma década depois, estudo divulgado pela fabricante de antivírus Avira revela o comportamento dos internautas em relação à proteção das máquinas. Os ataques de códigos nocivos tornaram-se constantes porque, de acordo com a pesquisa, quase dois terços dos entrevistados não possuíam qualquer tipo de proteção.

Com base nos dados do documento e em entrevistas realizadas com especialistas, o Correio traçou um diagnóstico da situação desses programas perigosos há 10 anos, além de uma projeção para a próxima década sobre o assunto. As questões apuradas apontam para uma readaptação dos vírus de computadores com objetivos cada vez mais perigosos e crimes mais graves. Além disso, o conhecimento dos usuários e a atualização dos antivírus devem continuar sendo as principais alternativas de segurança eletrônica. O desafio dos cientistas é convencer as pessoas que não utilizam qualquer tipo de proteção e aquelas que não atualizam seus antivírus de que as pragas virtuais são graves e de que a prevenção é a melhor opção.

O primeiro vírus surgiu como uma simples brincadeira, em meados da década de 1980, na época em que arquivos essenciais para o bom funcionamento do sistema não eram protegidos. Depois que a memória do computador passou a ser cercada de mais cuidados, as infecções eletrônicas ficaram bem mais complexas. As ameaças levaram a indústria tecnológica a criar antídotos para as ameaças virtuais. Assim, em 1989, a IBM apresentou uma novidade que, até aquele momento, parecia surreal: um remédio para vírus virtuais. A epidemia eletrônica tornara-se assustadora e o primeiro antivírus para computadores chegou às prateleiras. Mesmo assim, em 1999, a maior parte dos usuários ainda não cultivava o hábito de proteger as máquinas contra os problemas causados por programas nocivos.

A pesquisa divulgada pela Avira mostra que em 1999 havia pessoas preocupadas com os vírus. Todavia, os 22% de usuários que instalaram alguma proteção em suas máquinas naquele ano, por falta de conhecimento ou simples desinteresse, contavam com programas desatualizados e pouco eficazes. A popularização da internet foi vital para o aumento no número de casos de transmissão de vírus. As trocas de informações pela web também foram catalisadoras para a evolução de programas desenvolvidos a fim de causar estragos em outras máquinas. Mas o grande fluxo de notícias pela rede não trouxe somente aspectos negativos. As páginas eletrônicas ajudaram a alertar sobre as ações necessárias para a precaução de ataques.

Velhos conhecidos
O combate aos vírus de computadores movimenta um segmento rentável. As empresas de segurança de rede investem pesado para atualizar os mecanismos de proteção. A rapidez no surgimento de novos arquivos perigosos é tamanha que obrigou esse nicho a fechar um acordo internacional de cooperação. Quando alguma das marcas descobre uma nova ameaça e consegue uma solução, ela tem até 24 horas para dividir o resultado com as concorrentes.

O diretor executivo da Aker Security Solutions, Rodrigo Fragola, ressalta que a expansão vertiginosa da internet por conta do bom momento da economia do Brasil pode significar uma retomada de ataques com vírus que estavam superados. De acordo com o especialista, ainda há pessoas com comportamentos ingênuos na rede mundial de computadores, o que facilita a ação de hackers. “Os antivírus, hoje em dia, são mais eficazes porque apresentam características de inteligência artificial. Os mais antigos só conseguiam buscar os vírus conhecidos e pré-determinados pelos programadores”, explica Fragola. “Não há programa que seja bom sem conhecimento do usuário sobre o assunto. A pessoa que opera o computador continua sendo peça-chave nesse processo”, completa.

Fazendo uma comparação entre as ameaças virtuais da década passada e as dos dias atuais, conclui-se que a grande diferença são os meios de propagação. O especialista em segurança de rede e professor do Uniceub José Eduardo Brandão lembra que, há 10 anos, grande parte dos vírus era transmitida por disquetes infectados e levava meses para alcançar outros países. “As características dos vírus do presente visam a fraudes na internet e essa é uma tendência que deve durar nos próximos anos. O objetivo é conseguir lucros financeiros e isso estimula, inclusive, a produção regional de vírus, criados especialmente para atacar empresas e instituições financeiras. As dicas de proteção continuam quase as mesmas: manter o antivírus atualizado, não aceitar arquivos estranhos, checar a procedência de e-mails e não clicar em links desconhecidos”, ensina Brandão.

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