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Correio Braziliense

DANTE'S INFERNO: O pecado da cópia

Game transforma a obra-prima de Dante Alighieri em uma cruzada de combates sangrentos e brutais com jogabilidade eficiente, mas nada original


postado em 11/05/2010 13:00 / atualizado em 11/05/2010 15:54

Entre games de guerra, mundos fantásticos e invasões espaciais, Dante’s Inferno tem um motivo para se orgulhar. O jogo é uma adaptação da primeira parte da Divina comédia, o clássico poema escrito pelo italiano Dante Alighieri no século XIV. A inspiração, embora seja das mais interessantes para esse gênero, não garante um bom game, mas fornece um excelente palco para um game de ação: o inferno.

As semelhanças entre o poema e o game param em nomes e citações. Para se tornar um título de ação que agrade às massas, a passagem de Dante e Virgílio pelos nove círculos do inferno mudou bastante na interpretação da Visceral Games (mesma de Dead Space). Aqui, Dante é um cavaleiro templário na época das Cruzadas após passar anos cometendo todo tipo de atrocidade em nome da Igreja, sob a promessa de que seus pecados seriam absolvidos.

Em um determinado momento da guerra, ele é esfaqueado e, à beira da morte, fica cara a cara com o ceifador. O jogador assume o controle de Dante, que derrota a Morte. Mas se insubordinar contra o ceifador tem suas consequências. Ele retorna para casa esperando encontrar Beatriz, a quem havia deixado antes da guerra, mas vê a alma dela ser levada para pelo anjo caído Lúcifer para o submundo. Munido da foice que ele havia roubado da própria Morte e uma cruz deixada por sua amada, o herói é guiado por Virgílio para dentro do Inferno.

No entanto, o caminho não é nada fácil. Enquanto passa pelos nove círculos do inferno, Dante observa os atos que levaram as pessoas à condenação em cada um dos lugares e reflete sobre o próprio caráter. Essa representação rouba a cena no game: os cenários são incrivelmente bem-elaborados e exprimem bem cada um dos pecados. O jogo alterna entre cenas de corte pré-renderizadas e desenhos animados, que dão algum destaque à trama. Vale também dizer que a quantidade de violência e nudez nessas cenas é grande, até em comparação com outros games obscenos. Portanto, nada de Dante’s Inferno para crianças.

O maior problema do game é a jogabilidade, que, mesmo sendo empolgante, deixa transparecer a influência de outro famoso título de ação: God of War. Dante combina os golpes da foice com dois botões, assim como as lâminas de Kratos. O inferno se divide entre lutas e partes de plataforma, com pulos e enigmas a resolver, do mesmo jeito que os palácios dos deuses gregos. Até marcas registradas do jogo da Sony, como as sequências de luta controladas por comandos rápidos na tela, marcam presença neste game. Para quem já jogou a saga de Kratos contra os deuses gregos, a cruzada de Dante pelo inferno será uma experiência muito familiar.

A sensação de que Dante’s Inferno é apenas uma cópia é ainda maior porque o esforço em trazer elementos de jogabilidade originais é mínimo. Nos combates, a única grande diferença é que Dante pode punir ou absolver as almas penadas. Quando derrota seus oponentes, as decisões dão pontos para o heroi seguir um caminho sagrado ou profano, cada um com habilidades próprias. O personagem ganha almas extras quando encontra pecadores notórios pelo caminho, como Pôncio Pilatos, o homem que autorizou a crucificação de Jesus.

As semelhanças de com God of War e o fato de ter sido lançado muito perto do terceiro episódio da trilogia da Sony impedem Dante’s Inferno de se destacar como o grande game de ação que deveria ser. Por sorte, a grandiosidade da obra literária de onde retirou personagens e cenários é o suficiente para salvá-lo de ser um game totalmente sem brilho e originalidade.

Confira videoanálise do game



Dante’s Inferno

Produção: Electronic Arts

Desenvolvimento: Visceral Games Disponível para Xbox 360, Playstation 3 e PSP

Número de jogadores: 1 (apenas single-player)

Preço: R$ 240

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