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Correio Braziliense

Unidos pela diversão

A chegada do Google TV mostra que o mercado está disposto a convergir a televisão e o computador, terminando de vez com a briga pela atenção do usuário


postado em 01/06/2010 07:00

A televisão sempre teve um lugar cativo na sala dos brasileiros. Não é para menos, de acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em março, 42,9% da população passa pelo menos três horas por dia em frente da tevê. No entanto, a competição com outros meios eletrônicos continua forte. No ano passado, uma pesquisa da empresa norte-americana Deloitte mostrou que 81% dos entrevistados consideram o computador uma fonte de entretenimento melhor que as tevês. Além disso, o estudo constatou que o brasileiro passa três vezes mais tempo conectado à internet do que em frente à telinha.

A disputa pela atenção das pessoas parecia sem fim até que uma solução convergente mudou o cenário: a união da tevê com a internet. O último relatório State of media democracy da Deloitte mostrou que 65% dos entrevistados gostariam de poder interligar a televisão com a internet para poder assistir vídeos ou baixar conteúdos. “A recessão aumentou a demanda por entretenimento em casa. Isso combinado com os novos aparelhos de TV que podem acessar a rede irá embaralhar a linha entre a televisão e a internet”, explicou Ed Moran, diretor de inovação da Deloitte no lançamento do relatório.

Essa convergência já traz novos produtos para o mercado. Com o objetivo de unir o útil ao agradável, o Google lançou o Google TV. “É uma nova experiência que combina a televisão que o telespectador já conhece com a liberdade e o poder da internet”, explica o blog oficial da empresa. A ferramenta equipa aparelhos televisores com o navegador Chrome — por onde o usuário poderá acessar vários canais de entretenimento da web. “Os vídeos devem ser apreciados na maior, melhor e mais brilhante tela de casa. E essa é a TV. Não é o PC, um telefone ou algo assim”, disse Rishi Chandra, gerente sênior de projetos e produtos do Google.

O funcionamento é simples. O usuário poderá comprar um televisor que já tenha o aparelho embutido ou adquirir à parte. Com ajuda do navegador Chrome será possível realizar uma busca por qualquer programa de TV ou vídeo. Os resultados contemplarão a programação das emissoras e também conteúdo da internet. Assim como ocorre no browser, será possível marcar como favorito o conteúdo que mais interessar.

Durante o lançamento da ferramenta, o Google desafiou os desenvolvedores de conteúdo a construírem aplicativos para o sistema operacional Android e para a internet, especificamente para a Google TV, por meio de um kit disponível na página da companhia.

O Google trabalha junto com a Logitech e a Sony para colocar a experiência da internet na TV, nos Blu-rays e nos aparelhos de tevê a cabo. Os equipamentos com o Google TV já estarão disponíveis para o mercado norte-americano no fim do ano — ainda sem preço definido. “Ao dar as pessoas o poder de experimentar o que elas amam na TV e na web em apenas um tela, o Google TV transforma a sala em uma nova plataforma para a inovação”, explica o blog.

O novo produto do Google vai enfrentar a concorrência da Apple TV. Lançado em 2007, o dispositivo tem um funcionamento um pouco diferente. Os canais das emissoras não podem ser sintonizados. No entanto, com um HD de 160GB, é possível navegar por lançamentos de vídeos, comprar ou alugar filmes em alta definição ou tradicionais, além de tocar as músicas do iTunes pelas caixas de som da televisão e gravar conteúdos da internet. O aparelho também sintoniza rádios de todo o planeta. O Apple TV pode ainda se interligar ao computador e sincronizar o conteúdo pela rede sem fio. Disponível para o mercado norte-americano, o produto custa US$ 229.

Alternativas brasileiras
A empresa Munddo lançou há dois anos um media center — aparelho capaz de exercer as funções de computador, Blu-ray e tocador de MP3 — com armazenamento de até 2TB de arquivos. Além dos recursos acima, o Munddo (o aparelho tem o mesmo nome da empresa) vem equipado com Windows 7 e conversor digital integrado. “O usuário tem a opção de gravar o conteúdo em Full HD da TV, editar e compartilhar na internet”, explica Vinícius Bastos, diretor da empresa.

Muitos podem pensar que basta ligar o laptop ou desktop no aparelho de televisão que fará o mesmo trabalho que um media center. No entanto, quando comparado ao aparelho, os computadores perdem nos quesitos barulho, interface e configuração. Para utilizar um media center, basta um cabo HDMI e um cabo de rede — para conectá-lo a internet. O software estará instalado e funcionando sem precisar ajustar configurações de vídeo. “A convergência digital é inevitável. Quem compra uma TV com media center acaba assistindo muito menos TV e fazendo a própria programação com a internet. A cada dia, os conteúdos estão vindo em alta resolução. Nossos arquivos todos estão chegando em formato digital. O media center une tudo isso”, afirma Bastos. O preço do Munddo ainda é alto, R$ 4.990.

Outra opção para unir a internet e a televisão é o iBlogTV. Criado há dois anos, o aparelho possui um HD menor e, basicamente, com as mesmas funções que o concorrente. O preço também é mais atraente: R$ 800. “A convergência é algo que se prega muito. Mas, a migração dos dois ainda vai demorar. O fato é que a cada dia a televisão está perdendo audiência e a internet ganhando”, afirma Roberto Bloj, diretor da iBlogTV.

Quanto ao lançamento do Google, ambos os diretores disseram que esta é uma grande oportunidade também para aumentar as vendas dos produtos já existentes no Brasil. “Quando lançamos o iBlogTV, o Google nos procurou para fazer parceria, mas não deu certo. O que eles fizeram é o que nós já temos pronto há dois anos”, afirmou Bloj.

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