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Estado de Minas

Cofres virtuais guardam informações que só serão revelados depois da morte

Diferentes serviços na internet buscam atender os usuários até mesmo no além


postado em 24/06/2011 08:00 / atualizado em 23/06/2011 22:45

A tecnologia sempre deu uma mãozinha para quem almeja a longevidade. Graças a ela, a medicina, as cirurgias plásticas e os tratamentos de beleza evoluíram e, hoje, as pessoas vivem mais, melhor e com aparência mais jovem. Agora, recursos de última geração prometem algo ainda mais ambicioso: a vida eterna. Com a ajuda da internet e da computação em três dimensões, já é possível criar um clone virtual que se comunicará com entes queridos quando o usuário partir desta para uma melhor. Os serviços póstumos on-line também oferecem cofres virtuais que guardam segredos só revelados a parentes e conhecidos depois da morte.

Um dos pioneiros no setor é o site Legacy Locker (http://legacylocker.com). Criado em 2009 por membros de uma startup de São Francisco, na Califórnia, o serviço guarda todas as informações sobre a vida digital dos clientes: senhas de acesso a e-mails, redes sociais, internet banking, MSN, entre outras. O site também registra o que o usuário quer fazer com seu conteúdo on-line depois da morte, se vai querer excluir a conta no Facebook ou pedir para que os familiares mantenham a atualização de um blog, por exemplo.

Em uma entrevista para o site Social Networking Watch, um dos fundadores do negócio contou que a inspiração veio após a morte de sua avó, que tinha 94 anos e era bastante ativa na internet. “Quando ela faleceu, meu pai e eu queríamos entrar em sua conta do Hotmail para que as pessoas soubessem o que tinha acontecido. Ela tinha contato com pessoas que a família não conhecia”, disse Jeremy Toeman ao site. Depois de se dar conta de que o mesmo ocorreria caso ele morresse subitamente, Toeman se uniu a um amigo e colocou o Legacy Locker no ar.

O site oferece um pacote de serviços gratuitos, que incluem a guarda de uma carta e três “ativos” digitais, todos confiados a um beneficiário indicado pelo cliente. O pacote pago (US$ 29,99 ao ano) prevê a guarda de um número ilimitado de ativos digitais e cartas, que poderão ser endereçadas a quantas pessoas o usuário indicar. Nessa categoria, o internauta também pode armazenar vídeos e documentos, inclusive testamentos e escrituras. Para os que não querem se preocupar com a renovação do contrato, o Legacy Locker também traz a opção de pagamento da taxa única, a US$ 299,99.

Ainda mais tecnológico é o site Deathswitch (http://deathswitch.com/). Ele oferece, basicamente, a mesma coisa que o Legacy Locker, com a diferença de que o destino dos segredos é definido também pelo comportamento digital do cliente. Funciona assim: uma mensagem automática é enviada aos usuários com uma periodicidade definida por cada um — pode ser uma vez ao dia, ao mês ou ao ano. Caso o destinatário não responda ao e-mail algumas vezes, confirmando que está vivo, as informações armazenadas no Deathswitch são enviadas ao beneficiário. Se isso parece pouco seguro, o site avisa: é possível mudar as regras a qualquer momento, bem como cancelar o serviço ou definir o que fazer em caso de coma.

Imortalidade digital
Se tudo parece um pouco mórbido, o que pensar de um serviço que promete criar e manter um clone de cada cliente para servir como interlocutor aos entes queridos no futuro? É isso que faz o site Virtual Eternity (https://www.virtualeternity.com), que tem o sugestivo slogan “A eternidade possível”. Nele, o cliente cria um avatar de si mesmo gratuitamente e armazena infinitas respostas a perguntas que poderão ser feitas pelos seus parentes após a sua morte. “A ideia original era criar clones digitais para que as futuras gerações pudessem falar e interagir”, contou ao Correio Mike Remus, cofundador do negócio, em entrevista por telefone.

Para montar o avatar, basta seguir alguns passos: fazer o download de uma imagem de si mesmo (de preferência, uma nítida como a do passaporte), escolher uma voz para o clone, fazer um teste de personalidade e definir qual será o cérebro adotado (há seis, três para mulheres e três para homens). Depois, o usuário ainda precisa treinar seu avatar a responder às questões selecionadas. A última etapa é postá-lo no Virtual Eternity ou no MySpace. Até agora, 2 mil pessoas já aderiram ao serviço, considerado um sucesso pelos administradores.

“A maioria das pessoas acha que os clones são muito legais e interessantes. Mas há alguns poucos que os consideram um tanto ‘peculiares’”, reconhece Remus. O sucesso dos avatares foi tão grande que ele e o parceiro Don Davidson decidiram ampliar o projeto. A ideia é levar os clones para a área de educação, atendimento ao cliente e, até mesmo, para as redes sociais. “Nós já temos o clone de uma professora de química (esposa de Remus) pronto para entrar em funcionamento em agosto. Há, também, o protótipo do ex-presidente Benjamin Franklin em desenvolvimento. Queremos que ele esteja instalado em museus nacionais até o fim deste ano”, adianta o especialista.

Fábrica de criatividade
Startup é um grupo de pessoas que têm uma boa ideia na cabeça, mas que ainda não a colocaram em prática. Comuns na área de tecnologia, as startups floresceram nos Estados Unidos e começam, agora, a surgir no Brasil. Em abril passado, Brasília recebeu o 1º Startup Meetup, que reuniu jovens criativos e investidores locais.

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