Publicidade

Estado de Minas

Crowdfunding e crowdsourcing são conceitos que surgiram com a internet 2.0


postado em 05/07/2011 10:47

O verbo do momento é demandar. A partir da segunda geração da World Wide Web, o ambiente on-line se tornou mais dinâmico e os internautas passaram a colaborar bastante com a criação de conteúdo nos serviços virtuais. O exemplo mais conhecido deste fenômeno é o site Wikipédia — a enciclopédia livre da internet, na qual os usuários podem inserir e modificar informações — que passou a se enquadrar no termo crowdsourcing, ou “fontes na multidão”.

A fabricante de automóveis Fiat, por exemplo, observou o fenômeno e lançou o primeiro carro criado com a ajuda dos consumidores, o Fiat Mio. Opiniões de 17 mil pessoas foram usadas para o desenvolvimento do veículo. Outros que aderiram à onda da colaboração coletiva foram os fãs do rei do pop, Michael Jackson. Eles compartilharam a produção do videoclipe The behind the mask project. A homenagem póstuma contou com seleção de mais de 15 mil vídeos enviados e pode ser vista no YouTube.

Com o crowdfunding, ou “financiamento pela multidão”, as palavrinhas difíceis de pronunciar formam as duas novidades do momento na web. Ambas utilizam a mobilização coletiva na internet para incentivar ações inteligentes. A diferença está nos objetivos. Enquanto o crowdsourcing une conhecimento sobre determinado assunto para criar conteúdo, solucionar problemas ou desenvolver novas tecnologias, o crowdfunding aglomera consumidores para financiar a produção ou exibição de projetos da área de entretenimento, como shows e filmes que não estão em cartaz.

De acordo com o coautor do livro The crowdfunding revolution (Revolução do crowdfunding, em português) Kevin Lawton, já existem mais de 175 plataformas virtuais no mundo para receber doações de recursos e hospedar projetos. Os mais conhecidos são o norte-americano Kickstarter, lançado em abril de 2009, e o francês Ulule, criado em outubro passado e com versão brasileira desde abril.

Os sites de crowdfunding funcionam como vitrines para exibir projetos e eventos que estão dispostos a serem financiados por um coletivo de pessoas e informam uma meta, em dinheiro, a ser alcançada. Quem decide contribuir pode abrir a carteira à vontade, mas existem valores mínimos a serem pagos, dependendo do site. O pagamento é feito on-line por plataformas como o PayPal.

Se o projeto atingir a meta de contribuições, a contrapartida para os apoiadores pode ser escolher entre recompensas oferecidas pelo apoiado. Caso o projeto não vingue, alguns sites lidam com o conceito de “tudo ou nada”, onde o dinheiro é reembolsado.

Iniciativas brasileiras
No Brasil, as plataformas de crowdfunding estão cada vez mais populares. Os sites Catarse, Queremos, Mobz, Senso Incomum, Benfeitoria, Incentivador, Movere.me e Embolacha são alguns que dão asas a financiamento de projetos. Mas foi com o gaúcho Vakinha que tudo começou, em março de 2009. “Fomos a primeira plataforma de crowdfunding — e a maior do país”, garante Luiz Felipe Gheller, 32 anos, sócio e fundador com Fabrício Milesi, 30.

Ao contrário do sistema “tudo ou nada” dos sites de financiamento colaborativo, o Vakinha promove doações e todo o dinheiro arrecadado é passado para os criadores das mobilizações. Além disso, os projetos não passam por avaliação criteriosa. “Existem pedidos de doação para financiar casamento, lançamento de CD e até implante de silicone”, afirma Gheller. Segundo os sócios, desde a fundação, o site já divulgou mais 40 mil eventos, movimentou R$ 2,5 milhões e possui cerca de 200 mil acessos diários.

“Na internet, as boas ideias conseguem se espalhar de uma maneira mais rápida. As pessoas começam a se articular e a fazer acontecer”, analisa Diego Reeberg, 23 anos, um dos seis sócios do Catarse. Criado em 17 de janeiro deste ano por amigos de São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, o site é a primeira plataforma de crowdfunding no país que só aceita projetos com ideias inéditas. O Catarse trabalha com a devolução do dinheiro aos apoiadores quando as metas não são atingidas. Mas se a iniciativa der certo, os colaboradores recebem recompensas de quem foi ajudado. Segundo Reeberg, a plataforma recebe 5 mil acessos por dia e, dos 90 projetos divulgados, 67% foram bem-sucedidos.

Outra iniciativa brasileira de crowdfunding é o projeto Queremos, do Rio de Janeiro. O site conseguiu arrecadar R$ 170 mil por meio do financiamento coletivo e levou à cidade maravilhosa o show da banda norte-americana LCD Sowndsystem, em fevereiro deste ano. Juntando pequenas contribuições, o Queremos conseguiu se lançar como uma opção independente de produtoras. No site, os seis sócios anunciam shows de artistas que podem vir ao Brasil e o público se torna patrocinador. A diferença para o Catarse é que a recompensa para o fã é a devolução do dinheiro pago, no caso de quem compra ingresso reembolsável.

De olho no futuro
Há mais de 20 anos, empresas de vários ramos são adeptas do termo outsourcing para terceirizar mão de obra que desenvolva atividades pontuais, sem necessidade de contratação. Agora, o crowdsourcing traz mais uma possibilidade para organizações economizarem e oferecerem oportunidades de trabalhos esporádicos e que possam ser feitos on-line. Em sites parecidos com leilões, candidatos enviam propostas e o cliente escolhe quem será contratado temporariamente.

  • Tags
  • #
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade