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Estado de Minas

Marco do pensamento compartilhado na web, Wikipedia completa 11 anos

A maior enciclopédia virtual do mundo chega aos 11 anos com 20,5 milhões de artigos e a proeza de garantir a própria existência sem precisar de publicidade. Mas sua equipe ainda luta para que ela seja considerada confiável


postado em 07/02/2012 08:00 / atualizado em 08/02/2012 18:24

Nem Jimmy Wales, o norte-americano fundador da maior enciclopédia virtual do mundo — a Wikipedia —, imaginou o sucesso e a abrangência que ela teria hoje, 11 anos após a criação. “À época, pensei que teríamos feito um ótimo trabalho se estivéssemos entre os 100 maiores sites do mundo, mas a Wikipedia ocupa o quinto lugar, um resultado maravilhoso”, afirma Wales, 46 anos, em entrevista ao Correio.

Mas não é apenas esse número que impressiona. A gigante chega à pré-adolescência com 20,5 milhões de artigos disponíveis em 269 idiomas. Mundo afora, cerca de 80 mil pessoas se dedicam a colaborar, todo mês, com a produção do conhecimento humano, seja ao escrever artigos, seja ao consertar os já existentes. Mensalmente, são registrados em torno de 400 milhões de acessos.

De acordo com um estudo publicado em 2010 pelo Pew Center Research, um dos mais conhecidos centros de pesquisas dos Estados Unidos, o percentual de americanos adultos que procuram a Wikipedia para obter informações aumentou de 25% (em fevereiro de 2007) para 42% (em maio de 2010).

Naquele país, o site é mais popular que os serviços de envio de mensagens instantâneas ou de avaliação de produtos, serviços e pessoas. Perde apenas para o uso de redes sociais e para a procura por vídeos no YouTube. No Brasil, ainda não há dados tão específicos, mas o fundador garante que essa fonte de informações também é “muito popular”.

As enciclopédias on-line se encaixam em um dos grandes marcos da história do acesso à informação, que é a internet. E o princípio para isso é simples. Qualquer pessoa pode acessar o portal e contribuir (ao escrever algo novo, complementar outra informação ou retirar erros). Na Wikipedia, leitor é coautor e vice-versa. Quem escreve precisa seguir alguns padrões (saiba quais são na página 5), que visam amenizar problemas de falta de credibilidade.

No Brasil, a professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Maria José Vicentini Jorente e o aluno Jaider Andrade Ferreira implementaram, de forma pioneira, o Wikipedia Education Program (entenda o projeto na página 4) . Um dos objetivos é fazer com que alunos produzam novos verbetes para a enciclopédia e sejam avaliados no curso por isso.

Credibilidade
Embora invista em programas educativos e imponha regras de publicação, a Wikipedia ainda não superou totalmente o fantasma da falta de credibilidade, que surgiu do fato de qualquer pessoa poder escrever no sistema. Especialistas e estudiosos ainda descartam-na como uma fonte oficial para trabalhos ou estudos. Para eles, é válida somente como a primeira informação sobre um tema.

A enciclopédia, que vive por meio do trabalho voluntário e dispensa verba de publicidade, também precisou recorrer a uma campanha global ao longo do ano passado para arrecadar fundos e sobreviver, o que resultou no montante de US$ 20 milhões.

No último ano, Jimmy Wales se mostrou igualmente preocupado com a diminuição do número de colaboradores e lançou vídeo na internet com o objetivo de chamar as pessoas a participarem e colaborarem on-line. A justificativa dada para essa queda, que não foi quantificada, é a dificuldade que alguns internautas ainda têm em usar as ferramentas do site.

Por último, ainda há polêmicas em relação a alguns artigos que ficaram congelados ou tiveram de sair do sistema, como alguns a respeito dos ataques às torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001. O site fazia referência a teorias conspiratórias (de que o WTC teria caído por conta de explosivos instalados pelos próprios americanos), mas sem dar explicações mais detalhadas. Não havia neles, por exemplo, menção às celebridades que apoiaram essa visão nem pesquisas que mostrassem algum fundamento.

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