A iniciativa dá continuidade a um projeto que vem sendo realizado há alguns anos. Em 2009, um primeiro modelo do equipamento foi testado pelo brasileiro de pais italianos Pierpaolo Petruzziello, então com 26 anos (leia Depoimento). Ele havia perdido o antebraço esquerdo em um acidente três anos antes. O dispositivo se conecta por eletrodos aos nervos do braço do paciente, que consegue controlar a mão biônica com impulsos vindos do cérebro. O grande diferencial da prótese desenvolvida por Micera é a transmissão bidirecional de estímulos por meio dos nervos ulnar e mediano localizados no braço. Assim como o cérebro envia sinais aos nervos que conseguem estimular o movimento da mão robótica, estímulos exteriores recebidos no equipamento também são transmitidos ao cérebro pelas terminações nervosas presentes na parte superior do braço.
PALAVRA DE ESPECIALISTA
"As próteses mioelétricas têm o potencial de fornecer um enorme benefício funcional aos amputados de membro superior. Um dos grandes desafios é como identificar os comandos, as intenções de movimento do usuário. Isso pode ser feito a partir de eletrodos implantados que medem a atividade neural na estrutura remanescente. Outro grande desafio para alcançar esse objetivo é o retorno sensitivo ao usuário, como a sensação de pressão, temperatura etc. Em membros intactos, essa informação é proveniente de receptores próximos à pele, e daí transmitida pelos nervos ao sistema nervoso central. Entretanto, estimular os nervos sensitivos para produzir sensação coerente com a obtida por meio de sensores artificiais é de fato muito complicado. Mas os trabalhos desenvolvidos pelo proessor Micera e colaboradores tem contribuído bastante nessa direção."
Antonio Padilha L. Bo, pesquisador do Laboratório de Automação e Robótica da Universidade de Brasília