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Estado de Minas

Robótica é usada para tornar a vida humana cada vez mais simples

Os robôs, humanoides exploradores ou máquinas catadoras de latinhas na praia, são bons exemplos. Conheça o trabalho de estudantes da Universidade de Brasília


postado em 24/06/2014 08:53 / atualizado em 24/06/2014 15:49


Imagine conversar com alguém e descobrir somente depois que estava falando com um robô. Cena de filme? Ficção científica? Não, isso de fato aconteceu. Eugene Gootsman fingiu ser um ucraniano pré-adolescente de 13 anos, que batia papo pela internet. Ele dizia que era filho de uma ginecologista e que adorava hambúrguer. Mas, na verdade, não passava de um programa de computador. E o pior: enganou 10 das 30 pessoas com quem falou na Royal Society, mais renomada instituição científica britânica.

Foi a primeira vez que um computador conseguiu passar no Teste de Turing, desafio criado em 1950 por Alan Turing, considerado o pai da informática. Para obter êxito, um software precisa que pelo menos 30% dos jurados acreditem que não estão conversando pelo bate-papo com um programa automatizado, quando, na verdade, estão.

Eugene Gootsman é um programa criado pelos engenheiros Valdimir Veselov e Eugene Demchenko, russo e ucraniano, respectivamente. Desenvolvido em 2001, não foi a primeira vez que o robô buscou sucesso no teste. Em 2012, em outra tentativa, o software conseguiu convencer apenas 29% dos interrogadores de que estavam conversando com uma criança.

“Nossa ideia principal era que ele pudesse dizer que sabe tudo, mas a idade (13 anos) faz com que seja perfeitamente razoável que não conheça a maior parte dos assuntos. Passamos muito tempo desenvolvendo um personagem com uma personalidade crível”, explicou Veselov no site da Universidade de Reading, que promoveu o teste.

Eugene é totalmente automatizado, mas é apenas um software. A inteligência artifical, entretanto, também está presente entre ferros e fios. Não é simples estabelecer um conceito único sobre o que é um robô, e a definição divide até as autoridades no assunto. Segundo o professor de engenharia biométrica da Universidade de Brasília Alexandre Padilha, robôs não precisam ser operados por alguma pessoa com controle remoto, por exemplo. "É uma máquina autônoma, tem que se movimentar no espaço de uma forma complexa e precisa haver uma inteligência um pouco mais sofisticada", explica. "Por isso, uma máquina de lavar roupas não pode ser considerada um deles.

O futuro é agora
Quem nunca quis ter um carro que se transformasse em um robô, assim como em Transformers, ou uma máquina para faxinar a casa, como tem a família dos Jetsons. Eles encantam velhas e novas gerações há muito na ficção científica e já estão mais próximos de nós do que imaginamos.


Uma empresa americana vem empolgando os mais entusiastas e assombrando temerários com relação à robótica. A Boston Dynamics, que foi recentemente adquirida pelo Google, impressiona com máquinas altamente complexas. Um exemplo é o BigDog, desenvolvido pela empresa. Imagine um animal de ferro que, sozinho, corre a 6km/h, sobe morros de até 35 graus, carrega 150kg nas costas e consegue andar pela terra, neve e até na areia molhada da praia. O robô faz inveja a qualquer burro de carga.

Além do cachorro grande, a empresa também trabalha no Atlas, uma máquina de resgate que consegue andar por trilhas irregulares, evitar obstáculos e se equilibrar em apenas uma das “pernas”. Há ainda o Cheetah, que quebrou o recorde de robô mais rápido do mundo ao correr 46km/h — antes, a marca era menos da metade que isso, 21km/h.



E, se enviar uma pessoa para outro planeta é complicado por razões biológicas, a Nasa pensa em outras soluções. Para fazer coro às sondas que a agência espacial americana manda a Marte, como a Curiosity ou a Spirit, a companhia produz máquinas que imitam o formato humano para explorar o planeta vermelho. Com quase dois metros e 125kg, a empresa apresentou no fim do ano passado o Valkyrie, protótipo de androide explorador, com câmeras na cabeça, peito, mãos e pés para enviar as imagens de tudo o que o robô encontrar.


UnB automatizada

Na Universidade de Brasília, estudantes montaram um grupo para participar de competições de robôs. Com uma máquina que coleta latinhas da praia, desvia de obstáculos e evita a água, a Droid, sigla para “Divisão de Robótica Inteligente”, venceu o Campeonato Latino Americano de Robótica, o Larc, em 2012.

Estudantes de engenharia formam a equipe de robótica Droid, que desenvolve robôs para competição. Eles já venceram torneios brasileiros e sul-americanos(foto: Paula Rafiza/Esp./CB/D.A Press)
Estudantes de engenharia formam a equipe de robótica Droid, que desenvolve robôs para competição. Eles já venceram torneios brasileiros e sul-americanos (foto: Paula Rafiza/Esp./CB/D.A Press)


Além da máquina ecológica, o grupo participa de outras provas mais “lúdicas”, como a Humanoid Robot Racing, cujo objetivo é correr quatro metros no menor tempo possível com uma dispositivo humanoide, que imita o corpo de um ser humano.

“A recompensa é ver um robô funcionando e saber que foi você quem fez aquilo”, explica Alexandre Crepory, estudante de engenharia mecatrônica da UnB e líder da equipe. Ele acredita que a falta de apoio que o Brasil oferece à pesquisa científica prejudica o desenvolvimento da robótica por aqui. “O incentivo é bem fraco, poucas empresas se interessam por estimular a produção de robôs”, lamenta.

O professor da UnB Alexandre Padilha concorda. “Em termos de incentivo, a robótica tem recebido bem mais que no passado, temos mais recursos e dinheiro. Mas não há muita diferença em relação a outras áreas da ciência no Brasil, passamos pelos mesmos problemas de infraestrutura. Além da burocracia que existe em instituições públicas, dificuldade de comprar material e tudo mais.”

O campeonato latino-americano vai acontecer em outubro, em São Carlos, no interior de São Paulo, e a Droid vai estar presente em dois desafios. Em um deles, os robôs devem levar blocos soltos na água até um porto, e vice-versa. No outro, duas equipes disputam em uma arena cheia de bolinhas de pingue-pongue azuis e amarelas, que valem pontos positivos e negativos, respectivamente. A prova consiste em mandar as bolinhas para o campo do adversário e, ao fim de cinco minutos, vence quem tiver mais pontos.

“O que mais me motiva é criar tecnologia para aumentar a qualidade de vida de alguém”, comenta Padilha. “Construir robôs contribuindo para melhorar o mundo é o que me trouxe até aqui.”


Exoesqueleto é robô?

Se você viu as notícias sobre a Copa do Mundo nas últimas semanas, deve ter ouvido falar sobre o exoesqueleto desenvolvido pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que deu o pontapé inicial no Mundial. O aparelho funciona como uma extensão do corpo de uma pessoa paraplégica. De acordo com Padilha, embora tenha potencial, o dispositivo ainda não pode ser considerado um robô. “É mais uma órtese [espécie de aparelho ortopédico], mas que ainda tem muito a ser melhorado”.

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