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Estado de Minas

Análise: Lego Batman 3 Beyond Gotham leva Liga da Justiça ao espaço

Game é uma ode aos super heróis da DC Comics, mas apresenta retrocesso em alguns dos pontos mais positivos da série


postado em 17/01/2015 15:31 / atualizado em 17/01/2015 15:32

(foto: Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação)
(foto: Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação)


Uma das críticas aos jogos Lego é extremamente simplista: “são todos iguais.” O comentário é mais fácil de ser proferido por alguém que jogou apenas os primeiros títulos da franquia, por volta de 2005, ficou enjoado da estrutura repetitiva e não passou perto dos mais recentes Lego Marvel Superheroes ou Lego Lord of The Rings. A verdade é que a desenvolvedora Traveller’s Tales tem demonstrado criatividade ao inserir em cada novo jogo Lego algum elemento novo, tornando-os únicos e extremamente divertidos. E é por conta desse alto padrão de novidades que Lego Batman 3: Beyond Gotham decepciona, apesar de ainda ser um bom jogo.



Na trama, o vilão Brainiac tem um plano de encolher a Terra e roubá-la para si. Para impedi-lo, o jogador irá começar controlando Batman e Robin, dublados em português com muita competência pelos comediantes Rafael Infante e Marco Veras, famosos pelo canal Porta dos Fundos no YouTube. Mas, logo depois, abre-se toda uma gama de figuras consagradas da DC Comics para serem controlados, como Lanterna Verde, Mulher Maravilha, Flash e os demais integrantes da Liga da Justiça.

Como de praxe nos jogos Lego, cada personagem tem uma série de habilidades únicas, que são necessárias para passar dos diversos obstáculos nas fases. Superman pode congelar água e inimigos com um sopro, enquanto o Homem Elástico consegue passar por pequenas frestras. E como isso se não fosse suficiente, alguns heróis e vilões possuem um sistema de trajes, cada um capaz de fazer algo diferente. Por isso, cabe ao jogador saber como alternar cada integrante da equipe e cada armadura para completar as tarefas.

E, felizmente, essa lista de personagens consagrados ganha um belo tratamento da Traveller’s Tales, que sempre presta bastante atenção àqueles detalhes que irão agradar os mais aficionados pelos super heróis. Por exemplo, quando a Mulher Maravilha levanta voo, o jogo começa imediatamente a tocar o tema de abertura da clássica série de TV da heroína, produzida na década de 1970 e protagonizada por Lynda Carter.

Outra série clássica que recebeu homenagem foi a do próprio Batman, produzida na década de 1960 e com Adam West na pele do super herói. Certas linhas de diálogo, por exemplo, fazem referência a momentos famosos do antigo Homem Morcego. Como no momento quando há uma rápida menção ao Bat-Spray Antitubarão ou quando o herói fala uma variante da frase “há dias em que você simplesmente não consegue se livrar de uma bomba”. Além disso, há uma fase inteira do jogo que se passa nos estúdios de TV, em que se controla as versões sessentistas dos personagens e se enfrenta os vilões clássicos do show, com direito às famosas onomatopeias de luta para cada golpe desferido.

Mas, por mais que seja empolgante a perspectiva de ter tantos heróis e até mesmo vilões sob seu controle, não deixa de ficar a impressão de que o próprio Batman ficou relegado a segundo plano no que deveria ser seu jogo. Em vários dos 16 capítulos que compõem a história principal, o Homem Morcego sequer aparece.

(foto: Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação)
(foto: Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação)


Santas cores, Batman!

Uma das decisões mais acertadas de Lego Batman 3: Beyond Gotham é a inclusão das sete tropas de Lanternas existentes no universo DC Comics. Afinal, nem todos sabem que existem exércitos de Lanternas de outras cores além do verde. Assim, muitos jogadores têm a oportunidade de conhecer os Lanternas Vermelhos, Azuis, Lilás, Índigos, Amarelo e Laranja.

Esses sete exércitos são parte central da trama e servem para aumentar o escopo do jogo. Se em Lego Batman 2: DC Superheroes era possível andar livremente por Gotham em sistema de mundo aberto, agora Batman pode ir ao espaço e visitar os planetas de cada tropa Lanterna. Cada um desses mundos é apresentado em uma versão em miniatura e permite a realização de tarefas para desbloquear novos personagens e coletar prêmios. Visitar esses lugares é interessante principalmente pela direção de arte, que lhes confere visuais característicos, apesar de todos eles terem a mesma estrutura básica.

(foto: Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação)
(foto: Warner Bros. Interactive Entertainment/Divulgação)


Mas, infelizmente, esse sistema não consegue dar o mesmo sentimento de liberdade e exploração ampla vistos tanto em Lego Batman 2 quanto em Lego Marvel Superheroes. Os mundos das tropas Lanterna são pequenos e não-povoados, ao contrário da Gotham e da Nova York representadas nos dois jogos citados acima, repletas de carros, bichos e cidadãos perambulando. E essa falta de mundo aberto de grandes possibilidades é o principal defeito de Lego Batman 3, já que tal recurso foi, sem dúvida, a melhor inovação introduzida nos jogos Lego nos útlimos cinco anos.

Feito para os fãs

Não há dúvida de que os criadores de Lego Batman 3: Beyond Gotham se esforçaram muito para criar um jogo não apenas divertido para qualquer um, mas também uma grande celebração dos personagens que tornaram a DC Comics uma gigante no mundo da cultura pop. A história de enredo simples e diálogos bem humorados faz o interesse se manter alto o tempo inteiro. E para quem estiver disposto a explorar tudo o que o game tem a oferecer, há dezenas de horas a serem gastas com as missões extras. São 250 blocos dourados para obter e nada menos do que 150 personagens para desbloquear e utilizar nas explorações.

Contudo, a falta de um mundo aberto como o visto nos últimos jogos da série é uma grande decepção. Esse sistema foi a prova maior da criatividade da Traveller’s Tales em como inovar em uma franquia que sempre mantém certos padrões e repete mecânicas com tanta frequência. Ainda que tenha boas surpresas e expanda ainda mais o leque de conteúdo bônus, Lego Batman 3: Beyond Gotham acaba por não ser um excelente jogo apenas porque seus predecessores conseguiram estabelecer um padrão de qualidade bastante alto. Para aqueles que não se importarem muito com o sentimento de liberdade reduzida, resta um jogo muito elaborado, com excelente trabalho de arte e muito conteúdo a ser explorado.

Avaliação:

- Jogabilidade: 1,5
- Entretenimento: 1,5
- Gráficos: 2,0
- Som: 2,5
- Nota final: 7,5

Informações técnicas
- Produção: Warner Bros. Interactive Entertainment
- Desenvolvimento: Traveller’s Tales
- Plataforma: PC, Mac, Xbox 360, Xbox One, PlayStation 3, PlayStation 4, PS Vita, Wii U, Nintendo 3DS
- Preço: R$ 170 (Xbox One)
- Classificação Indicativa: Livre

Com informações de Max Valarezo

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