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Correio Braziliense

Com 55km de extensão, ponte chinesa ligará três cidades

O bilionário megaprojeto, que tem duas ilhas artificiais e um túnel imerso de 6,7km de comprimento, é considerado uma das maravilhas da arquitetura moderna


postado em 30/10/2017 06:00

(foto: Arte de Valdo Virgo/CB/D.A Press sobre foto de Xinhua Press/Divulgação)
(foto: Arte de Valdo Virgo/CB/D.A Press sobre foto de Xinhua Press/Divulgação)

 

Zhuhai  — Delta do Rio da Pérola, extremo sul da China. Do calçadão de Zhuhai, uma das três principais metrópoles da província de Guangdong, é impossível não perceber a imensa estrutura montada sobre as águas, a se perder no horizonte. Considerada uma das maravilhas da arquitetura e da engenharia modernas, a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (HZMB, pela sigla em inglês) é o primeiro megaprojeto construído por três cidades sob a política “um país, dois sistemas”. Em formato de Y, ela conecta Hong Kong, no lado leste, a Zhuhai e a Macau, a oeste. Com 55km de extensão, a obra teve custo estimado em 120 bilhões de iuanes (cerca de US$ 18 bilhões) e envolveu pelo menos 20 mil operários, além de consultores internacionais.

 

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Com duas ilhas artificiais e um túnel imerso de 6,7km de comprimento, a ponte — uma das maiores do mundo — deve ser inaugurada até o fim do ano e é considerada um dos orgulhos dos cinco anos de gestão do presidente chinês, Xi Jinping. Tanto que uma imensa maquete foi levada para dentro da Sala de Exibições de Pequim em uma exposição sobre as façanhas de Xi. O próprio chefe de Estado inspecionou a HZMB em julho passado e prometeu maximizar os benefícios da obra após sua conclusão.

Em entrevista ao Correio, Lam Yu Chau, vice-diretor da Autoridade da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, afirmou que a construção encurtará o tempo de viagem por terra de Zhuhai ou de Macau para Hong Kong de três horas para apenas 30 minutos. “Isso vai acelerar o fluxo dos elementos de produção, ao conectar ambas as margens do Rio da Pérola, formando um circuito econômico fechado”, explicou.

A obra nasceu de um plano do governo central da China de acelerar o desenvolvimento de nove cidades da província de Guangdong, além de Hong Kong e Macau. Nesse caso, os fins justificam os meios: somente Guangdong responde por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês. “É um dos projetos mais tecnicamente desafiadores na história da indústria de transportes da China, por causa dos altos padrões de design e dos requisitos de construção, ambos considerados dos mais elevados do mundo em termos de escala, de expertise exigida e de disciplinas envolvidas”, disse.

Do espaço

Até mesmo tecnologia espacial foi empregada na acoplagem das peças do túnel imerso, que consiste em 33 elementos e em um fechamento articular. “Um elemento padrão possui 180m de comprimento e 37,95m de largura, e pesa cerca de 80 mil toneladas. Tais dimensões tornam extremamente difícil de controlar e de obter uma conexão precisa. Nós desenvolvemos um sistema capaz de monitorar, em tempo real, o movimento do elemento e resolver problemas. A precisão de instalação do fechamento articular foi quase perfeita”, explicou Lam.

Segundo Lam, as duas ilhas artificiais construídas servirão para o cruzamento das fronteiras com Hong Kong e com Macau. O túnel imerso ajudará a preservar os mais importantes canais de navegação. “Se uma ponte tivesse sido erguida sobre o Canal Lingding e sobre o Canal Oeste de Longgu, em vez de um túnel, a ponte teria que estar 200m acima do nível do mar. Como a área é tão próxima do Aeroporto Internacional de Hong Kong, essa seção da ponte afetaria os pousos e decolagens de aviões. Por isso, tivemos de produzir um túnel. As duas ilhas artificiais foram feitas para fornecer transição da ponte para o túnel”, relatou.

Para evitar erros na execução do projeto, o Ministério dos Transportes da China formou um grupo de 41 especialistas técnicos dedicados a prestar apoio sempre que necessário, alguns dos quais com gabarito internacional. Lam e colegas visitaram projetos ao redor do mundo para intercâmbio de conhecimento durante a etapa de planejamento.

O governo chinês também contratou as empresas Mott MacDonald (Reino Unido), TEC (Holanda) e Aeschlimann (Suíça) para prestar serviços, respectivamente, de consultoria em gerenciamento de qualidade, em design e construção de túneis, e em pavimentação de pontes. “Fomos capazes de unir o know-how técnico e a experiência dos melhores especialistas do mundo”, comemorou Lam.

 

 

Os desafios para a obra


Condição natural

» A parte principal da ponte se sustenta sobre um terreno não muito sólido. O fundo do Rio da Pérola tem o solo macio, com uma camada entre 20m e 30m de argila. Por isso, os engenheiros precisaram ajustar o tamanho e a altura da ponte para melhor adaptá-la ao entorno natural. Os especialistas também tiveram que levar em consideração a instabilidade das águas. Ao todo, são 29,6km sobre o mar.

“Um país, dois sistemas”
» O projeto foi construído sob o projeto “Um país, dois sistemas”, o que demandou a cooperação estreita dos governos de Hong Kong, Zhuhai e Macau.

Área de preservação ambiental
» A ponte está em áreas de proteção dos golfinhos brancos, um dos símbolos da fauna da região. Os especialistas tiveram que tomar o cuidado de não interferir nas chamadas zonas restritivas e não afetar o habitat dos mamíferos.

Complexas condições de navegação
» A ponte atravessa o chamado Canal Lingding, que registra o tráfego de pelo menos 4 mil barcos todos os dias.

 

 

* O jornalista viajou a convite do governo da China 

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